Metanol na bebida: saiba como se proteger de adulterações

Denúncias de intoxicação por ingestão de metanol presente em bebidas adulteradas tomaram conta do noticiário e das redes sociais nesta semana. A maioria dos casos foram registrados em São Paulo. Até o momento, o estado confirma um óbito devido a intoxicação. Outros cinco são tratados como suspeitos. Além disso, outros 10 casos de intoxicação, sem óbitos, foram confirmados no estado e 29 seguem em investigação. 

Na manhã desta quinta-feira, 1º, a Agência Brasil informou que quatro casos de intoxicação e dois óbitos também são investigados em Pernambuco. Paraná e Santa Catarina não registraram casos até o momento.  

Conforme alerta do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) e do Centro de Vigilância Sanitária Sanitária (CVS), o metanol em bebidas alcoólicas clandestinas ou adulteradas, por ser muito tóxico, pode levar à cegueira permanente e a óbito.

Em entrevista coletiva realizada na terça-feira, 30 de setembro, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, discorreu sobre os sintomas de uma intoxicação por ingestão de metanol. Segundo ele, o primeiro sinal é uma forte dor, seguido por alterações na visão. Os sintomas, porém, não vem instantaneamente, podendo aparecer até 24 horas após a ingestão.

“É uma dor muito diferente, porque é uma dor em cólica. As pessoas, às vezes, quando fazem ingestão de bebida alcoólica sentem uma queimação, falam que estão com azia, aquela coisa da ressaca. Não é queimação, não é azia. Pode até ter isso também. Mas a dor em cólica é algo que chama muito a atenção nesses casos”, salientou Padilha. Além disso, o ministro determinou a notificação imediata de novos casos suspeitos de intoxicação por metanol.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, instalou um gabinete de crise que vai se reunir periodicamente para acompanhar a evolução dos fatos. A Polícia Federal investiga se há ligação do PCC com os casos de adulteração de bebidas. 

Como se precaver? 

Metanol na bebida: saiba como se proteger de adulterações

Foto: Freepik

O barman e consultor Paulo Souza indica que uma boa forma de se proteger é não cair na tentação de comprar bebidas com preço muito abaixo do praticado pelo mercado. “Importante, ainda, dar preferência a estabelecimentos de confiança e exigir cupom fiscal. A integridade da garrafa, tampa, rótulo e ainda a presença do selo e lacre são indicativos de boa procedência, mas não são 100% seguros de fraude ou falsificações. Se desconfiar, não compre”, aconselha. 

Rasuras em rótulos, tampas rompidas, ausência do selo de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) – que atesta que um produto entrou legalmente no Brasil – tampas amassadas, coloração distinta ou diferença de volume entre embalagens iguais também são sinais de adulteração. “Além disso, um odor muito forte de álcool é um sinal de bebida adulterada”, completa Paulo. 

Segundo o especialista, marcas mais famosas de bebidas, por terem uma alta demanda, acabam sendo mais visadas por criminosos, mas adulterações e falsificações podem atingir qualquer rótulo. “Para além das falsificações, ainda deve-se ter cuidado se a bebida possui o registro no Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). Este registro atesta as boas práticas do produtor. Acho que é um momento oportuno para o consumidor aprender sobre segurança das bebidas. Sabendo a procedência, é sim seguro beber”. 

No caso da compra de doses em bares e restaurantes, Paulo indica que é importante pedir para verificar a garrafa de qual a bebida foi servida. Caso perceba aroma etílico muito forte, ou note alguma reação como queimação forte, irritação ou dor no estômago durante a ingestão, suspenda o consumo imediatamente e procure auxílio médico. 

Para comerciantes, Paulo aponta ser crucial a exigência de nota fiscal do fornecedor. “Conforme você se aprofunda e estuda sobre produção de bebidas, acaba entendendo bem os riscos de consumir bebidas sem procedência, isto deixo sempre bem claro para meus alunos. Quanto às bebidas que adquiro sempre priorizo fornecedores de confiança e produtores devidamente registrados no MAPA”. 

Paulo acredita ser necessária maior fiscalização do setor, seja pelo MAPA, seja pelas vigilâncias sanitárias municipais. Para ele, este caso deve afetar comerciantes, principalmente os pequenos negócios, ainda que temporariamente. Entretanto, ele indica que não é necessário pânico. “O consumidor não precisa criar neurose. Tomando cuidados e ficando atento a detalhes, o consumo moderado de bebidas é seguro”.

Possui alguma sugestão?

Clique aqui para conversar com a equipe de O Comércio no WhatsApp e siga nosso perfil no Instagram para não perder nenhuma notícia!

Voltar para matérias