Ortopedista dá dicas para envelhecimento com saúde

Com a expectativa de vida dos brasileiros beirando os 80 anos, fica estabelecido que a velhice está no futuro de boa parte da população. Como chegaremos lá, contudo, é um ponto de atenção. Podemos ser idosos dependentes, sem autonomia… ou o contrário. O que ditará boa parte da nossa vida ao passar dos 60 são as escolhas que fazemos agora.

Ortopedista dá dicas para envelhecimento com saúde

Senior marriage using laptop in the living room. Foto: freepik

Um dos primeiros fatores a se levar em consideração quando o assunto é longevidade, segundo o ortopedista e traumatologista Lucas D’Amico, é a prática de exercício físico, sobretudo a musculação. “Comprovadamente, as pessoas que têm uma estrutura muscular melhor, envelhecem melhor. Os pacientes que têm maior longevidade são pacientes que, por exemplo, têm uma maior circunferência de panturrilha. São pacientes que têm maior independência na velhice, conseguem levantar de uma cadeira e ir ao banheiro sozinho. Por isso que a gente orienta que os pacientes façam alguma atividade de reforço muscular, de contração excêntrica com orientação, porque isso vai fazer diferença na qualidade de vida”.

A atrofia muscular é, segundo o médico, algo inerente ao processo de envelhecimento, visto que há diminuição do estímulo hormonal de formação de músculos. Investir no fortalecimento desse tecido é essencial para a qualidade de vida na terceira idade. Além disso, Lucas destaca que o fortalecimento muscular também auxilia no fortalecimento dos ossos. “O osso trabalha sob tensão. Pacientes que têm atividades, hábitos musculares de musculação, eles vão ter o osso mais forte, ter uma menor incidência de osteoporose. Isso é muito importante em quem? Principalmente em mulheres entre a quinta e sexta década de vida, que é quando a massa óssea começa a cair de uma maneira mais significativa. O osso não é uma estrutura como uma parede, que se forma e acabou. Você vai jogando o osso velho fora e formando o osso novo o tempo inteiro. Esse estímulo é um estímulo também hormonal, então a mulher quando entra na menopausa e para de menstruar, o estímulo hormonal cai e essa formação, esse jogar o osso fora, vai se tornando mais lento, então o osso vai se tornar mais fraco e isso predispõe a fratura. Se você tem uma fratura com 80 anos, a chance de isso ter consequência para tua vida é muito grande”.

Foto: da assessoria

Outro ponto de atenção deve ser o controle do peso, principalmente para manter a saúde do joelho, articulação mais afetada pela sobrecarga. A obesidade também pode trazer risco de lesões tendinosas nos ombros, pois, segundo Lucas, esse mal está associado a doenças como diabetes e hipotiroidismo. “Essas são medidas que parecem simples. Não ganhar peso, fazer exercício e tratar das doenças associadas, mas são importantes, porque isso faz com que você tenha longevidade. Tem que ter disciplina. E todo mundo quer envelhecer com saúde”.


O risco das quedas

Para pessoas que já estão na terceira idade, um dos maiores riscos são as lesões por quedas, pois com ossos mais fracos, uma fratura pode complicar a vida dos idosos. “Existem algumas orientações que a gente dá, que faz parte do tratamento e acompanhamento de pacientes com osteoporose, que são as medidas para evitar queda em casa. Primeira coisa é tomar cuidado com o uso de tapetes em casa, pois o tapete faz o idoso, muitas vezes, torcer o pé ou enroscar o pé e cair. Então o uso de tapetes em casa deve ser evitado. A segunda coisa é o tipo de calçado que se usa. Muita gente gosta de usar pantufa, chinelo, isso é extremamente escorregadio, até mesmo crocs. Então os sapatos que tem esse mecanismo de não escorregar são os mais indicados. Uma outra coisa que a gente indica são aquelas barras que colocam no banheiro, como a gente vê em banheiros de deficientes, para se apoiar, para tomar banho. Muitas vezes a gente orienta o idoso a tomar banho sentado. A gente sempre tem que levar em consideração que o paciente idoso, ele às vezes não consegue enxergar direito, não ouve direito. Tudo isso contribui para que ele possa tropeçar ou possa ter uma queda e às vezes com paciente osteoporótico, essa queda ela pode ser uma queda banal, ela é uma queda de nível, uma queda que para mim e para você não iria acontecer nada, mas para o paciente idoso acaba acontecendo uma fratura que pode mudar o prognóstico da vida dele”.


Suplementação

Uma suplementação que muitos buscam incluir em sua rotina é a do cálcio de vitamina D. Lucas indica, entretanto, que a maioria das pessoas não possuem deficiência de produção de cálcio, mas por falta de vitamina D, acaba tendo o transporte do mineral para os ossos. “A vitamina D, tentando simplificar, ela pega o cálcio do estômago e do intestino e joga para o osso. Então, se você não tem esse transporte feito pela vitamina D, você pode ter o cálcio normal, mas com a tua vitamina D baixa, esse cálcio não está chegando. Por isso que a vitamina D é importante. A ativação dessa vitamina depende do sol. E a gente está numa região que não pega muito sol, e para você ter um nível de vitamina D só pela alimentação, você teria que comer uma quantidade grande de salmão, por exemplo. São alimentos que às vezes não estão dentro da nossa dieta do dia a dia. Então, o ideal é que as pessoas tenham níveis de vitamina D, nos pacientes de risco, acima de 30 nanogramas por decilitro. E o cálcio, dificilmente você vê uma deficiência de cálcio. Você vê paciente com cálcio baixo, mas existem os produtos que a gente indica numa suplementação de cálcio junto com vitamina D. A vitamina D eu acho que o enfoque é um pouco mais importante, assim como o magnésio, as outras vitaminas que estão dentro desse metabolismo”.

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