Por que as baratas “invadem” as casas no verão? Ciência explica
Com a chegada das altas temperaturas, cresce também a presença de baratas nas residências. O fenômeno, comum nos meses mais quentes, tem explicação científica.
Segundo a bióloga, doutora em Fitossanidade e professora da Unespar de União da Vitória, Daniela Roberta Holdefer, o calor acelera o metabolismo desses insetos, tornando-os mais ativos, ágeis e reprodutivos.
Diferentemente dos seres humanos, que mantêm a temperatura corporal estável em torno de 37 °C, as baratas não possuem mecanismos fisiológicos eficientes para gerar calor próprio. Ou seja, a temperatura do corpo delas varia conforme o ambiente.
“No frio, o corpo da barata praticamente desacelera. As reações metabólicas diminuem, elas ficam lentas, deixam de se reproduzir e apenas sobrevivem. Já no calor, tudo funciona de forma intensa: digestão rápida, crescimento acelerado e maior capacidade de reprodução”, explica Daniela.
Temperaturas entre 20 °C e 29 °C favorecem o desenvolvimento máximo das baratas. Algumas espécies urbanas, como a barata-americana (Periplaneta americana) e a barata-germânica (Blattella germanica), suportam temperaturas acima de 40 °C. No entanto, calor excessivo pode acelerar a desidratação, reduzindo a longevidade.

“É preciso impedir que elas encontrem o ambiente ideal. Nossas casas oferecem calor no inverno, comida o ano todo e esconderijos. Para elas, é o paraíso”, ressalta a bióloga.
Por que elas aparecem mais no verão?
Com o metabolismo acelerado, as baratas se movimentam mais, buscam alimento com maior frequência e ampliam sua reprodução. “Quanto mais quente a noite ou o dia, mais ativas elas estarão. É o momento ideal para crescer e aumentar a população”, destaca a especialista.
Além da temperatura, a umidade também é fator determinante. Água é essencial para qualquer ser vivo, e por isso esses insetos procuram ralos, pias, encanamentos, caixas de gordura e ambientes úmidos. Redes de esgoto e galerias pluviais funcionam como verdadeiros corredores de reprodução durante o verão.
Outro ponto importante é que as baratas são fototáxicas negativas — preferem ambientes escuros. Saem principalmente à noite e se escondem durante o dia.
O que acontece no inverno?
Abaixo de 13 °C, as baratas reduzem drasticamente sua atividade e deixam de se reproduzir. Podem sobreviver até mesmo em temperaturas negativas — já foram registradas vivas a -9 °C —, mas entram em estado de lentidão.
No inverno, a população tende a se concentrar em locais mais quentes e protegidos, como frestas em paredes, tubulações, porões, sótãos e atrás de motores de eletrodomésticos.
“No verão você vê baratas circulando pela casa. No inverno, elas estão escondidas em pontos estratégicos e aquecidos”, afirma Daniela.
Quais espécies são mais comuns?
Embora existam mais de 600 espécies registradas no Brasil, menos de 1% são consideradas pragas urbanas. As principais encontradas nas cidades são:
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Barata-germânica (Blattella germanica) – pequena, comum em cozinhas.
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Barata-americana (Periplaneta americana) – grande, conhecida como barata de esgoto.
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Barata-de-armário (Supella longipalpa) – prefere locais secos e eletrônicos.
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Barata-oriental (Blatta orientalis) – associada a ambientes úmidos e escuros.
No verão, todas tendem a aparecer com mais frequência.
No inverno, a presença costuma ser mais associada à barata-americana.
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Riscos à saúde
A convivência com baratas vai além do incômodo.
Elas atuam como vetores mecânicos de doenças, pois circulam por ambientes insalubres — como esgotos e lixos — e podem transportar microrganismos para alimentos e utensílios domésticos.
Entre os problemas associados estão salmonelose, febre tifoide, hepatite A, shiguelose, rotavirose e gastroenterites.
Também podem carregar ovos de vermes e desencadear crises alérgicas, como rinite e asma, principalmente em crianças e idosos.
Como prevenir no calor?
A orientação principal é eliminar aquilo que favorece sua permanência: água, alimento e abrigo.
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Manter pias e banheiros secos;
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Consertar vazamentos;
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Utilizar lixeiras com tampa e esvaziá-las diariamente;
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Limpar restos de comida e gordura acumulada;
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Vedar ralos e frestas com telas ou silicone;
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Instalar telas em janelas.
“É preciso impedir que elas encontrem o ambiente ideal. Nossas casas oferecem calor no inverno, comida o ano todo e esconderijos. Para elas, é o paraíso”, ressalta a bióloga.
Dedetização caseira funciona?
Pode ajudar, mas exige cuidado. Produtos como gel baraticida e inseticidas com princípios ativos específicos podem ser eficazes. No entanto, o uso contínuo e inadequado pode gerar resistência química, fazendo com que as baratas sobrevivam ou migrem para áreas de difícil acesso.
Segundo Daniela, o sucesso depende da aplicação correta, do período do ano e da combinação com medidas preventivas. Em casos persistentes, a orientação é buscar empresas especializadas.
Com temperaturas elevadas e aumento da umidade, o verão cria condições ideais para a proliferação.
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