
Entrou em vigor na segunda-feira, 5, a polêmica medida do Ministério da Saúde que dificulta o acesso das gestantes à cesariana. Agora, a intervenção só será possível a partir de um “partograma”, um documento com registros do trabalho do parto feito pelo médico e que atesta a necessidade da cirurgia.
Caso contrário, mulheres prestes a dar à luz, seja pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ou via plano de saúde, vão precisar encarar o parto normal. Com a medida, o governo pretende inibir a realização de intervenções desnecessárias.
Estatísticas
Na prática, a proposta do Ministério da Saúde é reduzir a alta taxa de cesarianas do Brasil: 85% dos nascimentos feitos pelo plano de saúde, são através da intervenção, quando a indicação da Organização Mundial de Saúde (OMS) é que somente 15% dos partos sejam pelo método. Na rede pública, a taxa de partos via cesariana chega a 40%.
Em União da Vitória, a Associação de Proteção à Maternidade e à Infância (APMI), que concentra a maior taxa de natalidade entre os três hospitais nas Cidades Irmãs, não revelou até o encerramento desta edição os números, mas, nas entrelinhas, deixou claro que a maioria das mulheres opta pela cesariana.
Ontem a obstetra plantonista, Dircélia Aparecida Alves Warnier teve um dia atípico. De manhã, apenas uma cesárea foi feita por ela, em um ritmo bem diferente do mês de junho, quando 129 crianças nasceram na unidade. Dircélia respeita a opinião materna mas defende o parto natural. “Para a mulher é melhor, mas aqui na região temos um problema sério em relação à essa consciência”, explica. “Aqui, a preferência ainda é pela cesárea”, completa. Conforme ela, embora as dores sejam inevitáveis, o parto normal é a certeza de um nascimento dentro do prazo certo e de recuperação rápida. “Já a cesárea é um risco, como qualquer cirurgia”, defende.
Ambos os procedimentos, de fato, têm seus riscos e benefícios. Embora incentivado pela maioria dos profissionais, o parto normal nem sempre é possível. Bebês ou mães em risco de vida, não podem, por exemplo, ver o tempo correr. “Cada caso é um caso e precisa ser avaliado com cuidado”, diz a médica.
Foi o que aconteceu com Jéssica Freitas. Em 2010, para ter o João, seu primeiro filho, ela tentou, por mais de cinco horas, o parto natural. Por já não ter mais líquido – a bolsa já havia estourado – a decisão dos médicos foi pela cesárea. Para Jéssica, um alívio. “A recuperação foi fácil. Se eu soubesse tinha ido para a cesárea direto”, conta. Agora, grávida novamente, deve optar primeiro pela intervenção. “Tomara que dê certo”, diz, otimista, na espera de Clara, para o final de setembro.
Exemplo
Uma das pacientes da doutora Dircélia ganhou elogios da própria médica. “Uma mãe que quis o parto natural, sem anestesia, com o marido assistindo, teve um neném de 4,3 quilos. Foi lindo”, sorri a obstetra.
Para a médica, o segredo do bom desempenho da pupila está na preparação do parto. Exercícios para o períneo, por exemplo, embora não tão comuns, podem ajudar na hora “H”. “Fisioterapia, pilates e este reforço para a região fazem a diferença”, ensina.