
Foram mais de dez horas de trabalho e o resultado, improvável, até a votação dos sete jurados. Foi um júri longo, pautado pela atuação sempre interessante dos advogados Ernani Bortolini e Zani Farah, ambos criminalistas, mas em duelo jurídico a favor e contrário ao réu, Célio Ferreira de Souza.
A decisão, conhecida apenas depois das 21 horas, no plenário do Fórum de Porto União, terminou com a condenação do agricultor. A maioria foi favorável à continuação da pena já iniciada por Souza. O júri popular mobilizou um grande número de expectadores ao longo da sexta-feira, 17.
Atuaram no caso, ainda, o juiz de Direito e presidente do Tribunal de Júri, José Aranha e o promotor Guilherme Simas.
O crime
Em dezembro do ano passado Célio discutiu com o irmão, a cunhada e o sobrinho, em uma disputa de terra, no interior de Irineópolis (SC). Na ocasião, ele atirou contra os familiares, depois que eles entraram na propriedade do agricultor sem autorização. Todos ficaram feridos, inclusive Célio, que teve algumas costelas fraturadas após receber golpes de foice. O réu foi detido ainda em 2014, como medida preventiva, na Unidade de Prisão Avançada (UPA) de Porto União.
No julgamento, os jurados entenderam a violência de Célio como tentativa de homicídio e não como lesão corporal grave, defendida por Bortolini e pela sócia do seu escritório, Ana Cláudia Flenick. O agricultor volta à UPA, para cumprir o restante da sentença, em um total de 14 anos, mas com possibilidade de progressão de regime.
Fotos: Bruna Kobus






