Mesmo com o mês de junho ter sido o mais chuvoso, ultrapassando a média de 138 milímetros de acumulo de água – somente em União da Vitória – o tal modelo de bandeira tarifária voltou a assombrar as faturas de energia no Paraná. No entanto, a alta nos preços já era prevista por especialistas da área energética, tudo porque a energia que a Companhia do Paraná, a Copel, gera aqui no Estado, não fica só na terrinha. A distribuição da energia é feita de acordo com modelos já estabelecidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). A explicação veio por nota. “O Sistema Elétrico Brasileiro é interligado, e as usinas hidrelétricas da Região Sudeste, que respondem por 70% da geração nacional, ainda não estão com seus reservatórios em níveis seguros para garantir o suprimento de energia até a próxima estação chuvosa. Isto significa que o parque gerador termoelétrico, de operação mais cara, continuará a ser acionado no curto prazo”, diz parte da nota.
Por outro lado, o consumidor pode até entender as explicações, mas o que não entende, mesmo, é o motivo de o aumento ser tão pesado para o bolso. O Diretor Executivo da Girafa Comunicação Interativa, Marcos Romualdo dos Santos, pagava em média R$ 80 por mês – quando a bandeira tarifária estava verde. Com a mudança para a cobrança da bandeira vermelha, neste mês, veio uma fatura de R$ 280. Um aumento 350%. “Somos em 3 em casa. Eu, minha esposa e nossa filha de 6 anos e usamos somente à noite, algumas luzes acesas e chuveiro”, conta.
Marcos também comenta que as lâmpadas, enquanto dormem, sempre estão desligadas e que novos eletrodomésticos não foram comprados nos últimos meses. O jeito foi encontrar uma alternativa para economizar na próxima fatura. “Quem sabe diminuir um pouco o tempo de banho e trocar as lâmpadas por led.”
Talvez seja essa a melhor maneira mesmo, já que a Copel garante que a mudança na cor da bandeira não está prevista. “A bandeira só irá mudar quando as condições de geração de eletricidade em todo o Brasil estiverem adequadas a ponto de o Governo Federal entender não haver necessidade de acionamento das usinas térmicas”, diz outra parte da nota enviada à redação de O Comércio.
Aumento fecha empresas
Um dos motivos do fechamento da Macasil Compensados, em União da Vitória, foi, justamente, a conta de luz. Conforme a diretoria da empresa a conta chegou a subir 200% nos últimos três meses – quando o uso era calculado em meio milhão. No entanto, neste mês, o aumento chocou, chegando a triplicar o valor. A empresa anunciou que estava fechando as portas na semana passada. Cerca de 400 funcionários foram dispensados.