CRUZ MACHADO: Alagado de Foz do Areia pede socorro

Sujeira e muito lixo assustam e preocupam moradores. IAP já sinalizou investigação

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Atualizado há 11 anos

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Lixo boiando preocupa moradores e autoridades: fiscalização está prevista para os próximos dias. (Fotos: Divulgação).

Moradores da vizinha cidade de Cruz Machado (PR) estão preocupados com a situação do alagado. Ele pertence à Foz do Areia e, bem mais calmo que um rio, se torna refúgio para a desova de peixes, para a diversão das famílias e um encantamento para encher os olhos.

Mas, conforme denúncia, o alagado está coberto por muito lixo. “A quantia é absurda. Muita embalagem, garrafas plásticas, vidros, isopor, plásticos, pneus, e o mais preocupante são as embalagens de agrotóxicos. São muitas”, conta o secretário da Fazenda da prefeitura, João Gilmar Grenat. Ele é um dos envolvidos com a causa e motiva, inclusive, a família. Desde 2009, justamente por conta desta cena, limpa com os filhos parte do alagado. O gesto é simbólico. “Quando as águas do lago sobem, certos locais ficam quase intransitáveis pela quantia de lixo. Quando a água baixa, fica tudo nas margens e com o passar dos anos só aumenta esse depósito”, conta.

Desde 2012, Grenat tenta contato com o Águas do Paraná, instituto do governo do Paraná responsável pelo planejamento e execução de ações de proteção, conversação e reocupação dos recursos hídricos do Estado. Até agora, o secretário não teve sucesso. “O que todos querem é uma providência, pois tanto se fala em sustentabilidade, proteção de nascentes, mas ninguém fala na proteção do lago”, queixa-se. “A minha preocupação também é com as pessoas que se alimentam dos peixes da represa. Será que não estão se contaminando e não sabem? ”, questiona.

Vítima de “preconceito”, há quem classifique o alagado como, apenas, fonte de energia e, sendo assim, não precisa de tanto investimento na área de sustentabilidade.

O que dizem os órgãos ambientais

alagado-cruzmachado-socorro2Especificamente neste trecho, o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) de União da Vitória é o responsável por parte do alagado. A outra parte, já próxima do município de Pinhão, é assistida por outras equipes.

Conforme o chefe do escritório local do órgão, André Luis Aleixo, nenhuma denúncia formal foi feita. “Por isso, vamos usar a própria matéria do jornal O Comércio como denúncia para irmos até o local e verificar o que ocorre”, disse na sexta-feira, 7, Aleixo, à redação.

Nesta semana, fiscalização do instituto no Iguaçu não encontrou irregularidades. Ao contrário: segundo divulgam, até capivaras foram vistas às margens do rio. Aleixo não espera ter a mesma visão no alagado onde pretende ir, junto com a equipe de fiscais, nos próximos dias.

 

Por dentro do ALAGADO

alagado-cruzmachado-socorro3Um alagado é diferente de uma represa. Conforme o técnico em Meio Ambiente, Osni Schroh, o alagado é um espaço natural, que “nasceu”, sem interferência humana. “São regiões de escape do próprio rio. Tem alagado que é temporário, que “baixa” de volume ou aumenta, de acordo com o período de chuva. É muito tranquilo”, explica. É como os banhados, por exemplo, que podem ter vida longa ou curta, dependendo do tempo e do volume da água.

Já uma represa, é um local criado pelo homem, para bloquear água “de propósito”. A ação é voluntária e montada para gerar algum benefício, seja geração de energia ou espaço para criação de peixes, por exemplo.

O alagado de Foz do Areia tem, segundo o ambientalista Dago Woehl, 110 quilômetros, desde a barragem até União da Vitória. “É um espaço onde o pessoal usa para pescar, se divertir. Agora, cheio, está belíssimo”, diz.

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