Unidade filantrópica assume dificuldade financeira

Audiência na Câmara de Vereadores expõe os obstáculos na gestão do Hospital São Braz. Legislativo quer ajudar mas exige mais atendimento à comunidade

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Atualizado há 11 anos

Audiência organizada pela Câmara ouviu e discutiu os problemas do São Braz
Audiência organizada pela Câmara ouviu e discutiu os problemas do São Braz

Durou a manhã toda a reunião entre os vereadores de Porto União, diretoria, setor administrativo e responsáveis do Hospital São Braz. Nesta sexta-feira, 21, o encontro realizado no plenário do Legislativo, à pedido do próprio Poder, garantiu a exposição das dificuldades financeiras que a Unidade, única da cidade, enfrenta.

Em forma de perguntas e respostas, houve questionamentos, embates e finalmente, um entendimento de que é preciso ajudar, antes que as portas se fechem, à curto prazo. “Nossa intenção com este encontro é justamente verificar o que ocorre com o hospital e entender o que nós, como Poder Legislativo, podemos fazer”, disse, na abertura da reunião, o presidente da casa, Almir Borini (DEM).

 

Entenda o que acontece

O Hospital São Braz foi fundado em 1926, pela igreja católica. Na época, foram as irmãs da Sagrada Família quem apoiaram o nascimento. Hoje, a Mitra é a grande “dona” da unidade. O amparo, contudo, é leigo. Foi justamente por assinar a responsabilidade que ontem, no encontro, o bispo Dom Frei Severino esteve presente, bem como o pároco da igreja Nossa Senhora das Vitórias, Leocir Valdir do Nascimento. Para ambos, o hospital não recebe, neste momento, a “extrema unção”, uma referência litúrgica ao cenário atual da unidade.

Mas, há problemas. Em uma apresentação bastante didática, ofuscada apenas pelo sol da manhã que tirou do público a visibilidade do telão, o representante do setor contábil, César Calisto, apontou os “furos”. Conforme ele, por ser filantrópico, o São Braz presta contas para diversos órgãos de saúde, especialmente para o Ministério, em Brasília. Disse ainda que o hospital supera em 15% o atendimento via Sistema Único de Saúde (SUS) que, segundo o Ministério, deveria ser de, no mínimo, 60%.

Dados deste ano, apenas dos meses de janeiro à julho, apontam que o problema está no repasse financeiro – na falta dele – dos governos Federal e Estadual. Em cascata, falta dinheiro em Porto União. “Por mês, por conta desse desencaixe, temos um prejuízo de R$ 71 mil. É uma realidade hoje e que já vai se prolongando caso não haja o aporte deste recurso”, explicou Calisto. Até julho, o prejuízo já era de R$ 500 mil. O hospital trabalha neste momento sem “reserva técnica”, sem pagar em dia os honorários médicos e o salário dos funcionários. Opera, de fato, no vermelho.

Conforme Calisto, para que não feche as portas – sim, a possibilidade não está descartada – a solução inicial seria uma cobrança maior do Estado e da União para que pague os valores atrasados, algo em torno dos R$ 700 mil.

 

Ajuda do município

Administrador, Darci Ferreira: explicações convenceram, mas vereadores cobram maior atendimento de graça
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Os vereadores reafirmaram sua vontade de ajudar. De acordo com o vereador Carlos Roderlei Pinto (PSD), que promoveu a audiência, nenhum valor para auxílio ficou definido. Um novo encontro, entre os vereadores e o prefeito Anízio de Souza – também presente ontem, ao lado do vice, Aloísio Salvatti – deve acordar os detalhes desta possível negociação. “O hospital tem uma necessidade, mas não serão os R$ 200 mil propostos inicialmente que vão ajudar. Isso seria apenas uma sobrevida. Sou a favor de ajudar, mas o hospital tem que dar uma ajuda para a comunidade. Não podemos ajudar sem ter essa resposta à população”, pontuou Carlos Roderlei.

Essa resposta seria a abertura de um número maior de atendimentos via SUS. Aliás, essa necessidade foi um dos maiores questionamentos feitos pelos promotores da audiência, inclusive, do secretário da Saúde, Jair Giraldi. Ele também é favorável à ampliação da rede.

Outro pedido dos vereadores foi a participação de maneira mais intensa da Mitra. “Que é quem tem poder sobre o hospital. O bispo deu a entender que vão dar mais atenção”, lembrou o vereador. “Vamos ajudar. Ninguém está se furtando disso”, completou.

 

“Temos um prejuízo mensal de R$ 71 mil. É uma realidade hoje e que já vai se prolongando caso não haja o aporte deste recurso”

Fotos: Bruna Kobus

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