*Por Andréa Leonora*
Uma das primeiras ações do presidente do PSD-SC, deputado Gelson Merisio, na manhã dessa segunda-feira, 8, foi ligar para a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti. Segundo ele, foi um “gesto de portas abertas” para que o PT-SC, derrotado no primeiro turno em Joinville, Blumenau e na Capital, Florianópolis, onde esteve coligado com o PCdoB, apoie as campanhas dos pedessistas na segunda etapa das eleições municipais, respectivamente Kennedy Nunes, Jean Kuhlmann e Cesar Souza Junior. O principal argumento de Merisio é que, na esfera federal, PSD está muito próximo do governo da presidente Dilma Rousseff.
O clima da entrevista coletiva chamada por Merisio para avaliação de seu partido nas eleições do último domingo era de festa. A principal comemoração foi para o número de eleitos: 52 prefeitos, sendo 20 reeleições, três sucessões e o restante, primeiro mandato; 61 vice-prefeitos e 480 vereadores. “E ainda podemos fechar as eleições com 55 prefeitos. Confiamos que nossos representantes no segundo turno de Blumenau, Joinville e Florianópolis sairão vitoriosos”, apostou Merisio.
Na verdade, o fato é que o PSD pode chegar ao comando de 56 cidades catarinenses. Diante da indefinição do pleito em Criciúma e da possibilidade real de ser chamada uma nova eleição, o deputado federal Jorge Boeira poderá concorrer pela sigla, uma vez que terá passado o prazo de impedimento em função da troca de partidos. Ele saiu do PT para o PSD em outubro do ano passado.
Este foi o primeiro teste das urnas para o PSD, partido criado há pouco mais de um ano e que reuniu nomes de várias siglas, mas, em Santa Catarina, principalmente do DEM. Tomando a última eleição e o DEM como base, o grupo que está no novo partido, incluindo o governador Raimundo Colombo e o secretário de Desenvolvimento Sustentável, Paulo Bornhausen, conseguiu incrementar os resultados.
Em 2008, o DEM fez apenas 39 prefeitos. “É o resultado de um partido novo, que chegou apresentando propostas novas”, explicou o deputado, que também preside a Assembleia Legislativa.
Justamente pela migração de figuras públicas do DEM, o PSD começou grande na Assembleia, com sete deputados, tirando a posição de segunda maior bancada do PT. Como os três pedessistas que foram para o segundo turno são deputados estaduais, caso eleitos vão provocar mudança no quadro do Parlamento estadual, com a posse de dois deputados do PMDB, Mauro de Nadal e Dirce Heiderscheidt, e de um do PP, Arnaldo Moraes. Em contrapartida, a vitória de Elizeu Mattos em Lages levará à efetivação de Maurício Eskudlark (PSD).
Atualmente ele exerce mandato como suplente por conta da licença de dois parlamentares da coligação que atuam como secretários estaduais – Ada de Luca (Justiça e Cidadania) e Valdir Cobalchini (Infraestrutura). Todo esse movimento dá novo ano aos suplentes.
No governo
O segundo turno pode trazer cisões na formação do atual governo. Evitar isso vai exigir muita habilidade do governador que, de acordo com Merisio, em respeito ao senador Luiz Henrique da Silveira, que apoia o empresário Udo Döhler em Joinville, não vai baixar na cidade para a campanha de Kennedy Nunes. Em Florianópolis, no entanto, Colombo deve ter participação mais ativa para eleger Cesar.
Já no caso de Blumenau, o embate será entre Kuhlmann do PSD e Napoleão Bernardes do PSDB, partido que também ajudou a eleger o atual governo e está na base de sustentação na Assembleia. Diante do quadro, mesmo ainda não definidos os resultados do segundo turno, é possível afirmar que as eleições de 2014 já começaram a ser disputadas.
Participaram da entrevista coletiva a prefeita eleita em São José, Adeliana Dal Pont, o secretário Bornhausen, os três candidatos do PSD que disputarão o segundo turno e os deputados Darci de Matos e Ismael dos Santos.
Andréa – Leonora Central de Diários/ADI-SC/CNR-SC