Começa hoje mais uma campanha de vacinação contra o HPV, o vírus papiloma humano. A segunda dose da vacina já está disponível em todo o País. Em Porto União a primeira dose será aplicada, também, hoje, nas escolas municipais e estaduais. Meninas entre 6 e 11 anos – que não foram vacinadas em março, durante a primeira campanha – poderão receber a dose inicial. Já as meninas que passaram dessa faixa etária e estão com o esquema vacinal contra o HPV em dia, poderão receber a segunda dose da vacina. Há, também, uma terceira, e última, dose. Ela é aplicada quando a adolescente completa 15 anos. “São três fases: a primeira tem um intervalo de seis meses entre uma e outra e a terceira tem um intervalo de cinco anos”, explica Maria Inês, enfermeira coordenadora da Vigilância Epidemiológica.
A vacina serve como uma imunização contra o câncer de colo do útero. Conforme o Instituto Nacional do Câncer José Alencar Gomes da Silva, o vírus HPV é o terceiro tumor mais frequente na população feminina, atrás do câncer de mama e do colorretal, e a quarta causa de morte de mulheres por câncer no Brasil. Na década de 1990, 70% dos casos diagnosticados eram da doença invasiva. Ou seja: o estágio mais agressivo da doença. Atualmente 44% dos casos são de lesão precursora do câncer, chamada in situ. Boa parte desse sucesso se deve as campanhas de conscientização sobre a vacina.
No entanto, a ideia de que a dose pode mudar a vida de uma menina, ainda em sua infância, estava na berlinda em março, quando a primeira campanha do tipo foi realizada. Na época muitas mães não permitiram a aplicação da dose em escolas, muito menos levaram suas filhas às unidades de saúde. Em Porto União a meta, na ocasião, não chegou nem aos 70%. “Tivemos dois problemas, teve greve durante a campanha, o que prejudicou um pouco e acho que as mães não tinham o conhecimento de que a vacina é boa e ficavam com medo de autorizar”, comenta Maria. Por se tratar de uma campanha com meninas menores de idade, a autorização dos pais é necessária. No caso das escolas, onde a maior parte da campanha ocorre, um termo de autorização é enviado para que seja assinado pelos responsáveis. “Nem todos os pais assinaram na época”, lembra a coordenadora.
A Secretaria de Saúde da cidade ainda não estipulou uma meta nem mesmo programou um Dia D da campanha, mas, conforme Maria Inês, as unidades de saúde de todo o município estarão abertas das 8 horas às 17 horas, de segunda a sexta-feira, até o final do mês realizando a vacinação. “Lembrando que a vacina já faz parte do calendário nacional de vacinação e as unidades de saúde a oferecem durante o ano inteiro.”