EMPÓRIO DO EMPRESÁRIO: Os lucros da crise

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Atualizado há 11 anos

Sempre há boas notícias para se dar, ainda que em momentos de pessimismo e pouca esperança no futuro. É o caso dos cartões de crédito que estão lucrando como nunca, pois o País é o campeão mundial de taxas de juros desse pedaço de plástico, que pode causar um desastre numa família.

Obviamente que devemos considerar que a má educação financeira do brasileiro, que possui sérias deficiências de controle e de planejamento, ajuda muito a aumentar os índices de lucratividade dos cartões de crédito, mas os números não precisavam ser tão pornográficos. Com juros médios de 350% ao ano e tendo a maior taxa, um índice circense de 725% ao ano, não sobra dúvida de que há algo errado, foi o que divulgou o levantamento realizado pela Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade).

Curiosamente, num momento em que as taxas deveriam ser as menores da história, considerando a dificuldade em fazer que a economia se “engrene”, os juros vinham demonstrando crescimento, considerando que em maio os índices eram de 300% ao ano.

Para termos uma ideia essa cobrança de juros em 12 meses é aproximadamente 24,6 vezes maior que a Selic, taxa básica de juros do Brasil. Se comparados com a inflação do País, acumulada em 9,56%, os encargos anuais do cartão de crédito são 36,6 vezes maiores, um negócio espetacular. Para se ter uma noção da disparidade, nossa nação irmã, a Argentina (que sempre nos mostrou ao Governo Federal os passos que devemos), tem como índice de juros máximo, fixado pelo Banco Central Argentino, o montante de 36,57%, já na zona do Euro, a taxa máxima é de 17,4% e nos EUA, 15%.

Apesar de nunca deixar de tomar a filosofia econômica liberal em conta, acredito que essa é uma disparidade do mercado que deveria ser ao menos regulamentada, não pela questão social, mas na opinião deste modesto, simplesmente porque essas taxas de juros são um fator que inibe a economia, pois torna os consumidores mais acanhados e menos confiantes que se seu emprego não for mantido, ele (o consumidor) terá condições de arcar com a dívida.

E, para piorar, seguindo a tendência cruel do mercado, os juros do cheque especial também estão batendo recordes, como mostra a tabela com os maiores juros:

Banco                     Juros ao mês Juros ao ano  
1 Bco Mercantil Do Brasil S.A. 16,58 530,11
2 Bco Santander (Brasil) S.A. 13,97 380,13
3 Hsbc Bank Brasil Sa Bco Multip 13,53 358,48
4 Bco Citibank S.A. 12,68 318,74
5 Bco Rendimento S.A. 11,58 272,46
6 Itaú Unibanco Bm S.A. 11,1 253,79
7 Bco Bradesco S.A. 10,3 224,36
8 Bco Do Brasil S.A. 10,26 222,99

 

E, ainda resta dúvida de que alguns lucram com a crise?

 

Alvaro Concha é consultor de empresas

(alvaroconcha@gmail.com)

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