PRIMAVERA DAS “NITES” Quem sofre com alergias não encara tão bem a nova estação

Época de flores, cores e muita irritação. Para alérgicos a primavera não cai bem, aliás, nenhuma mudança de temperatura

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Atualizado há 11 anos

O sol, imponente, brilha forte lá fora. A sensação de estar num forninho nos acompanha desde manhã, cedinho. E a chuva – mesmo aquelas rápidas – não dão o “ar da graça”. No entanto essa primavera que deixa muita gente animada – já que é uma prévia do verão – também deixa, do outro lado, muitos alérgicos literalmente irritados.

É que nesta época do ano, de setembro a dezembro, quem sofre com alergias, corizas, tosse e, até irritações na pele tem visto o incomodo tomar uma proporção bem maior. Esse é o mês dos “nites”: é rinite, otite, bronquite e sinusite. Todas essas alergias se intensificam com a troca de estações ou mudanças na temperatura.

Fernanda Wolff que o diga. Ela tem seu filho, hoje com 6 anos, que quase perdeu a audição por problemas alérgicos. Começou com uma “simples” rinite, mas evoluiu para uma sinusite e, otite. “Ele estava chorando com dor de cabeça, levei para o médico e disse que estava com sinusite. Poucos dias depois começou a sair um líquido do ouvido dele”, conta. “Fiquei apavorada com aquilo. O tímpano dele perfurou”, lembra.

O que o pequeno Felipe teve foi uma otite bem aguda, só que o processo de evolução do problema não se deu por completo. “Foi de repente”, conta a mãe. Ainda conforme Fernanda o que saiu do ouvido de Felipe foi a infecção da sinusite. O pequeno começou um tratamento com especialista na capital e não sofreu mais com crises agudas. Sua audição não foi afetada, alegria da mãe e do Felipe. “Achei que teria problemas, mas o pediatra disse que como ele é criança o seu tímpano se autorregenera mais fácil.”

Depois do susto Fernanda também se tornou especialista quando o assunto é alergia. “Eu tive uma aula com o Tatá (pediatra de Felipe)”, brinca. “Qualquer criança tem a probabilidade de 25% de ser alérgica a alguma coisa, se a mãe tem algum tipo de alergia essa probabilidade aumenta para 75%. Aí quando o pai também tem é 100%”, explica. “Era certo que o Felipe iria ter”, completa.

Hoje o menininho de seis anos vive sob muitos cuidados. Para não sofrer com crises ao longo do ano, em especial na troca de estações, Felipe não fica em espaços com pó – todos os tipos – seja de poeira de casa, construção ou até a do clima. Massinhas com cheiro, muito comum nas brincadeiras de criança, também são artigos de luxo. Tapetes, carpetes e cortinas também são evitados. “Ele usa medicação utópica como tratamento, mas cuido muito para que as alergias dele não evoluam para o estágio dos brônquios.”

Gilmar Walter Eggers e a esposa Molina Batista também formam um casal de alérgicos. Ele já começou a sentir a troca de estação e ela não foge das irritações. “É terrível, nariz entupido, muitos espirros, e não posso mexer com roupas, lugares que tenha pó ou perfume forte que me ataca”, conta Molina.

Do outro lado Eggers sofre da famosa rinite alérgica. “Minhas principais alergias são poeiras e ácaro, além de alterações de temperaturas e também a florada”, comenta. E as crises? Elas chegaram. “Ontem, por exemplo, me lembro que foi a pior do ano.” Eggers aposta na chegada da primavera como a principal vilã para suas alergias, mas ele conta que o incômodo ocorre durante todo o ano e os cuidados, também, são constantes para os dois. “São vários antialérgicos, porque tem uns que fazem efeito nele e em mim não. Vários pacotes de lenços em toda parte da casa. Um cuidado especial com roupas e cobertas que só pode ser edredom, pois cobertor ambos não podem”, conta Molina.

Eggers e Molina moram em um apartamento com carpete – outro vilão para quem sofre com alergias. “Sempre é passado aspirador e quando dá mandamos lavar”, conta.

Em números

Conforme os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), 35% da população sofre com algum tipo de alergia, que também é responsável por 5% de internações no Sistema Único de Saúde (SUS), segundo informações do Ministério da Saúde. Para tanto caso assim tem até uma data que lembra as “nites”. O dia 7 de maio é Dia Nacional de Prevenção da Alergia, com ações de combate ao avanço da doença.

O doutor Clóvis Eduardo Santos Galvão, da Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia (ASBAI), conta que as principais causas de internação acontecem por alergias respiratórias. “A alergia é uma resposta de defesa do organismo, que ocorre de forma exagerada, provocando sintomas que incomodam a pessoa, como coceira, tosse, coriza, entre outros. No caso da asma, que é uma alergia respiratória, pode até matar”, afirma.

Segundo Galvão, a alergia não é uma doença que ‘pega’. Ela ocorre apenas nos indivíduos que têm predisposição genética. “Quando há a predisposição genética, o paciente vai produzir anticorpos contra substâncias comuns no ambiente, que provocam inflamações no nariz ou nos pulmões. Essas inflamações vão levar aos sintomas alérgicos”, explica. O tratamento é feito através do controle do ambiente para diminuir a exposição ao agente causador da alergia. “Além disso, temos os medicamentos usados em crises, como os bronco dilatadores (para asma) e os anti-histamínicos (para a rinite), além dos corticoides, usados para o controle. Existe também o tratamento com aimunoterapia, ou vacina da alergia.”

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