
A 32ª sessão da Câmara de Vereadores de Porto União tinha tudo para ser tranquila. No plenário, nesta terça, 13, um auditório participativo e uma pauta pequena. Mas, com apenas 40 minutos, a reunião teve de ser encerrada.
A sessão alcançou seu auge ainda aos 15 minutos, quando, após o protocolo inicial, os vereadores Carlos Roderlei Pinto (PSD), Maria Aldair de Carvalho (PP), Sando Calikoski (PMDB) e Christian Martins (PMDB), quase ao mesmo tempo, deixaram o plenário.
No momento o vereador Antônio Kowalski já ocupava a tribuna. Sem quórum – Gildo Masselai (PP) e o presidente, Almir Borini (DEM), não vieram à reunião por motivos particulares e de trabalho além do plenário – o presidente da sessão, Osmar Martins (PMDB), interrompeu a reunião. Pediu cinco minutos de intervalo para que, antes do pronunciamento de Kowalski, os quatro legisladores ausentes fossem encontrados.
O que aconteceu depois foi cenário de novela: telefonemas, corre-corre na Estação União, que abriga a Câmara, idas e vindas. Nada. Nenhum dos vereadores foi encontrado. Martins recorreu ao jurídico da Câmara. Marina Casal, advogada da Casa, com o regulamento em mãos, orientou a suspensão da reunião. Assim, o presidente pediu desculpas e bateu o martelo, às 19h40.
Saída tem motivação política

Ontem os quatro vereadores foram procurados pela reportagem de O Comércio para explicar os motivos da saída repentina. Calikoski atendeu a ligação e falou em nome dos demais colegas. Segundo ele, a saída foi um protesto à presidência de Osmar Martins. “O vereador tem feito reuniões nas comunidades falando mal dos colegas. Por isso, se ele assumir a presidência, mesmo que seja o protocolo, não vamos aceitar”, justificou.
Maria Aldair também retornou as ligações. Ela disse que sua saída em particular, não tem ligação com a situação do Germano Wagenfhür – um dos assuntos de maior mobilização na sessão de terça. A vereadora já atuou como diretora na instituição. “Nós não temos nada contra a escola, ao contrário, estamos trabalhando pelo colégio. Nossa saída é contra o vereador Osmar Martins. É uma questão interna mesmo, nada contra a comunidade”, explicou.
Repercussão
A saída dos quatro vereadores deixou a imprensa, os funcionários da casa e especialmente os visitantes da sessão bastante surpresos. Ao longo do encontro, muitos tentavam especular os motivos para a cena, embora o que mais tenha chamado a atenção, mesmo, foi a indelicadeza do gesto.
Pais e alunos da Escola Germano Wagenfhür, por exemplo, não entenderam e não gostaram do que viram. Para a noite, Celso Rodrigues, pai de aluno, estava inscrito à tribuna. Ele terá de voltar na próxima semana para representar novamente a comunidade. “Vim pedir melhorias, desde a estrutura, ginásio especialmente, segurança. O nosso colégio é estadual, mas procuramos a ajuda dos vereadores para ver se é possível fazer algo melhor para nossa comunidade”, explicou.

Para Osmar Martins, que teve que resolver o destino da sessão, a atitude dos companheiros de trabalho é digna de repúdio. Ele garante que foi a primeira vez que presenciou cena parecida. “Nós tínhamos o povo reivindicando melhoria para o Bairro São Pedro. Num piscar de olhos, quatro vereadores saíram, sem dar explicação nenhuma. Provavelmente é uma reunião secreta, não sei o que acontece. Mas, quando se trata do povo, das coisas que tem que fazer, acabam virando as costas. Não tenho nem palavras para descrever essa pouca vergonha que aconteceu”, disparou.
Os quatro vereadores assinaram o livro de presenças, o que garantiria a comprovação de que estiveram na sessão e o salário integral, sem descontos.
Entenda como funciona
Para acontecer, a sessão da Câmara precisa ter quórum, ou seja, a maioria dos vereadores presentes. Caso contrário, ela é cancelada. O entendimento é que a ausência possa prejudicar a leitura, autenticidade e aprovação de projetos. No caso da reunião desta terça, após a saída dos quatro, apenas três dos nove vereadores continuavam na reunião. Para acontecer, cinco deles precisavam estar presentes. Não houve outro jeito: a sessão precisou ser cancelada.