Este é um tema muito debatido nos ambientes empresariais, mesmo porque muitas vezes a sua ausência causa desgaste, demissões, processo por assédio moral e, em casos extremos, até mesmo suicídio. Porém, antes de iniciar a discussão devemos entender que Resiliência é um termo derivado da física e que se refere a resistência à pressão. O tema nos arremete à capacidade de alguns materiais de resistir ao estresse sem que ocorra a sua ruptura, o material poderá até sofrer transformações em sua forma, mas resistirá à pressão. Consideremos uma bexiga de festa e imaginemos que após cheia de ar ela seja colocada numa mesa e sofra a ação de pressão de uma mão, em algum momento essa bexiga vai estourar, mas a sua capacidade de suportar a pressão é que se convencionou chamar de resiliência.
O fato é que a pressão faz parte de qualquer ambiente empresarial e, considerando essa verdade, o termo começou a ser utilizado recentemente na psicologia organizacional e cada vez mais estará presente no vocabulário cotidiano das pessoas.
Porém, a fim de fundamentar ainda mais abrangentemente definiremos assédio moral através de Margarida Barretovi que nos afirma que “o assédio moral é revelado por atos e comportamentos agressivos que visam a desqualificação e desmoralização profissional e a desestabilização emocional e moral do(s) assediado(s), tornando o ambiente de trabalho desagradável, insuportável e hostil”.
Sendo assim percebe-se que existe um limite bastante definido entre a pressão e o assédio moral, pois enquanto num ocorre o “dano psíquico” no outro o que se verifica é a somente cobrança para que um objetivo seja alcançado.
Essa é a grande dificuldade que muitos empresários encontram hoje: a diferença entre a pressão que o empresário acredita ser necessária para que um funcionário alcance uma meta que interessa à empresa e a capacidade que o funcionário tem de assimilar essa pressão e mobilizar-se em direção à meta.
Racionalmente entende-se que a habilidade de um está diretamente ligada a capacidade do outro, ou seja, a sabedoria que o empresário deverá ter ao indicar e direcionar seu funcionário ao ponto almejado está relacionada com a capacidade do funcionário suportar e exercer a sua psicoadaptação. Não devemos deixar de entender que algumas pessoas nunca sofreram pressão quando crianças, adolescentes e acabam chegando ao ambiente de trabalho ainda imaturas e isso é o que mais dificulta a capacidade de psicoadaptação do funcionário. Afinal de contas, quando bem intencionado, o empresário não quer que a bexiga estoure.
O tema tem a ver com a administração moderna, pois envolve questões psicológicas e de administração de conflitos, e por isso, todo empresário deveria estar preparado para saber gerenciá-la, afinal de contas, qual o empresário que nunca se perguntou se não abusou na pressão exercida à equipe de vendas?
Alvaro Concha é consultor de empresas