Iniciada limpeza de cemitérios para Dia de Finados

Os serviços diversos só serão permitidos até o dia 28

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Atualizado há 14 anos

Secretário de Finanças e Contabilidade de Porto União, Orlando José Schmidt

A Prefeitura de Porto União e União da Vitória iniciaram os mutirões de limpeza nos cemitérios visando o Dia de Finados, que será no dia 2 de novembro. Todos os anos nesta data estes locais recebem a visita de milhares de pessoas que vão prestar homenagens aos seus familiares falecidos.

Para tanto, a limpeza nos cemitérios centrais das cidades serão permitidas até o dia 28. A administração de União da Vitória comunica ainda que, para melhor atender a população, o Cemitério Municipal ficará aberto das 7 às 20h.

Pedreiro Lineu Krevelin não tinha tempo a perder

Todo cemitério tem suas histórias
Esta é uma história que se desvenda no mesmo ritmo em que é escrita. A história é baseada na narrativa de dois homens: Selmo Weissheimer, coordenador do Cemitério de União da Vitória e Antonio Gomes Correia, administrador do Cemitério de Porto União. Ninguém melhor do que eles para contar a história dos Patrimônios Públicos das Cidades Irmãs. Pois eles conhecem o cotidiano dos locais. Das 7h às 19h, este é o seu local de trabalho.

Os depoimentos deixam claro que os cemitérios desvendam inúmeras histórias. O objetivo desta reportagem não é fazer menção a assustadoras histórias de cemitério, mas sim contar um pouco da história deste patrimônio e mostrar que a linha que separa vida e morte é muito mais tênue do que se pode imaginar.

Cemitério de União da Vitória
De acordo com o livro Fragmentos de Memória, trechos do Iguaçu: Olhares e perspectivas de História local, organizado pelos professores do Colegiado da Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras (Fafiuv) lançado em 2008, a primeira referência feita para um espaço próprio para o sepultamento dos mortos de União da Vitória data a época em que esta cidade formava com Porto União uma única realidade política. O livro conta que o “primeiro cemitério ficava entre a Igreja Matriz de Porto União e o Grupo Escolar Balduíno Cardoso, hoje, Grupo Escoteiro.

Esse cemitério foi utilizado até o ano de 1880, quando foi transferido para o espaço que ainda hoje se encontra o Cemitério Municipal de Porto União. De acordo com os historiadores, a partir daí, a inauguração formal do novo cemitério deu-se com o terreno de Guilhermina de Loyola Amazonas, primeira esposa do Coronel Amazonas no ano de 1881”. Ainda o livro conta que com a assinatura de acordos de limites União da Vitória ficou sem cemitério. Foi então que o Coronel Amazonas cedeu um terreno na área central do município para a construção de um novo campo santo.

Estrutura
A estrutura do Cemitério Municipal que fica localizado na rua Ipiranga esquina com a Clotário Portugal conta hoje com cerca de 1,5 mil terrenos ocupados. Vale ressaltar que o Cemitério Municipal não está lotado. A explicação é a que após cinco anos o corpo da pessoa é exumado. Desta forma, alguns jazigos contam com mais três parentes no mesmo lugar.

Pessoas que marcaram a história
No Cemitério Municipal de União da Vitória foram sepultadas personalidades que marcaram época, tanto no meio político, empresarial e cultural. Não podemos deixar de mencionar a importância histórica das pessoas que ficaram no anonimato. Alguns nomes foram citados durante a entrevista. Nossa reportagem visitou os túmulos do vereador Manoel Thomas da Silva, empresário Evaldo Tomazi, dos prefeitos Mario Riezemberg, Domício Scaramela que também exerceu o cargo de deputado estadual, Padre Estevão Hubert, desembargador José Ivahi de Oliveira Viana e tantas outras personalidades que marcaram épocas.

O pequeno anjo
Os funcionários do cemitério guardam na memória a história de um pequeno anjo. O fato é que pouco antes da construção do cemitério uma criança foi encontrada morta no terreno e enterrada no local. Sem identidade a criança considerada como mais um anjo que habita no cemitério ganhou um túmulo. Até hoje muitas preces são feitas para ela.

Cemitério de Porto União
O Cemitério está localizado na Avenida General Bormann, centro de Porto União. No local foram construídos, até o momento, de acordo com o seu administrador Antonio, cerca de 1,7 mil jazigos. O Cemitério é centenário. Sua história teve inicio em 9 de dezembro de 1936 com a fixação das taxas dos Cemitérios Municipais instituídas pela administração de Porto União. Helmuth Muller, prefeito da época, sancionou o decreto.

Título de Propriedade
Vale lembrar que em 7 de março de 1932 o prefeito provisório da época, Antiocho Pereira, autorizou a expedição do Título de Propriedade depois de registrada a documentação que fosse apresentada pelos interessados provenientes da prefeitura de União da Vitória, cobrando-se apenas a averbação.

Livro de Registro
O secretário de Finanças e Contabilidade de Porto União, Orlando José Schmidt, com o primeiro Livro de Registro de Títulos de Propriedade de Terrenos no Cemitério Municipal, que compreende os anos de 1917 e 1934, ressalta o primeiro comprador de terreno da época: o senhor José do Prado. A prefeitura dispõe de um total de 12 livros. Segundo Orlando, o Livro de Registro caracteriza a história da cidade.

Jazigos em construção
Na tarde de ontem, o pedreiro Lineu Krevelin não tinha tempo a perder. A pedido da família Barth restaurava o jazigo da família que contará com seis gavetas. “Estou trabalhando muito”.

Assombração?
De acordo com Antonio histórias de assombração não existem. Ele afirma que têm medo dos vivos. “Enquanto estou trabalhando sozinho não tenho medo nenhum. Eu fico é com medo quando entram muitas pessoas no local. Existem aquelas que só querem fazer arruaça”.

Porto Vitória tem dois cemitérios
A cidade vizinha de Porto Vitória, mais conhecida como a Terra das Cachoeiras, possui dois cemitérios: um para a comunidade luterana, outro para a católica. Isso mesmo! O primeiro cemitério a ser observado foi o municipal que fica na vila da cidade, o quer dizer mais próximo da área central. Lá encontramos a terceira geração de moradores. Ao serem perguntados sobre a divisão dos cemitérios por religiões a reposta foi unânime. Eles disseram que sabem da história desde a infância, pois o fato foi contado na época pelos seus pais. E assim passou de geração para geração.

O mesmo ocorreu no segundo ponto analisado que foi o cemitério luterano, que fica cerca de seis quilômetros da área central. O fato é que a cidade possuiu dois cemitérios, um para a comunidade luterana, outro para a católica. Até mesmo o Cemitério Municipal divide os jazigos por religiões. A professora de História da Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras (Fafiuv), Esp. Dulceli de Lourdes Tonet Estacheski, conta que esta divisão virou um costume familiar entre os moradores. Tanto que o assunto ganhou destaque no livro Fragmentos de Memória, Trechos do Iguaçu: Olhares e Perspectivas de História Local, publicado em 2008 pelo departamento de História da Instituição.

A pesquisa diz que até então, o município que era povoado por imigrantes alemães – que em sua maioria são luteranos – tinha apenas um cemitério. Na obra consta ainda que “com o passar do tempo, a comunidade já possuía um número maior de membros e era necessária a construção de um novo cemitério e assim foi feito, onde o novo patrimônio tornou-se público em 19 de fevereiro de 1965. Então já não era mais um cemitério da comunidade católica e sim de todos, pelos menos era o que a maioria das pessoas imaginava. Tudo estava bem, até que um luterano morre e o responsável pelo cemitério entende que ali não é o local mais apropriado para enterrá-lo e passa a existir uma desavença”.

Depoimentos de moradores que constam no livro afirmam que na época o presidente do cemitério disse: “- Aqui não entra Luterano. Eu mando! Compro uma cadeira de ouro no céu”.

Ainda uma moradora que não quis se identificar falou na obra sobre a divisão do cemitério na época: “- Então vamos fazer o seguinte: uma rua no meio e os luteranos ficam aqui, no lado de baixo e, os católicos, aqui, em cima”.

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