Todos sabemos que nos falta a noção da potencia regional que somos. O Brasil é de longe um gigante que domina a área que forma, mas é importante ao menos ter uma breve noção do que representa, como por exemplo nosso tamanho em relação ao continente do qual fazemos parte, a América do Sul. Pois bem, enquanto nosso continente possui 17,8 milhões de km² nosso País é responsável por administrar a pouco menos da metade (48%) desse território, ou seja, 8,5 milhões de km². Como se não fosse o suficiente, nosso PIB (2014), corresponde a aproximadamente 47% do PIB regional.
É por números como esses que o recém-eleito presidente argentino, Macri, afirma que a primeira viagem internacional que realizará será para o Brasil, “pois não há razões para visitar outros países se dentro de casa estamos com problemas”. Obviamente que Macri foi diplomático quando disse “dentro de casa”, referindo-se ao Mercosul, mesmo porque sabe-se que na prática a última vez que houve certo dinamismo e companheirismo nas relações entre Brasil e Argentina foi no ano de 2001, quando ainda se tinha esperança no ainda engatinhando Bloco Econômico sul-americano. Após, só não se viu a total destruição da sonhada união, porque houveram tantas questões internas (nos 4 estados-membros de então, 5 atualmente) a serem resolvidas que o bloco praticamente caminhou por si mesmo, parecendo até que a mão invisível de Adam Smith se lhe destinou. Mas enfim, os presidentes pós 2001, não só pouco se preocuparam na união local como destruíram por completo da ALCA (Área de Livre Comércio das Américas), sempre sob o comando do trapalhão venezolano, Hugo Chavez e seguido por todo o séquito de presidentes sul-americanos, que ainda estavam formando sua opinião (e até hoje não decidiram). Hoje o que se vê são duas economias (Brasil e Argentina) saqueados e um bloco econômico esfacelado.
Mas o mundo decidiu, se o Brasil não quer, vamos seguir sem ele. Foi o que fizeram os membros da NAFTA (Acordo de Livre Comércio da América do Norte), o Caricom (Comunidade do Caribe), a Aladi (Associação Latino Americana de Desenvolvimento) e, por último o Tratado Transpacífico. É claro que o Brasil não se situando no Oceano Pacífico, provavelmente não foi nem convidado a participar, mas também sabe-se que não houve um mínimo de esforço do governo brasileiro…
Infelizmente o que se nota é que o governo, ou melhor, os governos dos últimos 12 anos, estão tão preocupados em se defender das acusações e de realizar um marketing falso, que se esqueceu de que nós simples mortais dependemos de seu trabalho para enviarmos nossas mercadorias para o exterior. Como prova, sabe-se, por exemplo, que o compensado brasileiro paga 7% de imposto de importação para entrar no Equador, Colômbia, Peru e Panamá. O chileno, nosso principal concorrente, 0%. Essa diferença faz com que percamos não somente competitividade, mas também praticamente impede nossa entrada nesses mercados, permitindo que um país que representa 15% de nossa população, como é o caso do Chile, domine regionalmente o mercado sul-americano do produto. E essa realidade ocorre em tantos outros produtos, em tantos outros mercados!
Isso me faz lembrar que não importa sermos grandes, temos que ser fortes, e, para tanto, ainda faltam várias décadas.
Alvaro Concha é consultor de empresas
(alvaroconcha@gmail.com)