
Entre os dias 2 e 4 aconteceu no litoral catarinense, em Balneário Camboriú, a quarta edição da Conferência Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Na ocasião foram analisados os obstáculos e avanços das políticas públicas de Santa Catarina em relação aos direitos da pessoa com deficiência. Com base no tema central os participantes foram divididos em grupos de trabalho para tratar de assuntos de gênero, raça e etnia, diversidades sexual e geracional; órgãos gestores e instâncias de participação social; a interação entre os poderes e os entes federados.
Também foram discutidas as propostas dos Fóruns e Conferências Municipais e Regionais, bem como dimensionou os desafios e as medidas necessárias a serem adotadas para garantir os direitos da Pessoa com Deficiência na consolidação dos Direitos Humanos. Foram eleitas 15 diretrizes para cada eixo e, em média, três propostas para cada diretriz. Também foram escolhidos 36 delegados que representarão Santa Catarina na etapa nacional, que ocorrerá em Brasília. De Porto União esteve presente César Augusto da Silva, cabo da Polícia Militar, que desde novembro de 2006 é cadeirante. Ele foi um dos 36 delegados eleitos para participar da Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, que acontece na Capital Federal entre os dias 25 e 27 de abril do próximo ano, e dos Direitos Humanos entre os dias 27 e 29 do mesmo mês.
Para ele a escolha, que se deu por votação, foi recebida com surpresa. “Fiquei surpreso com a votação, porque foi minha primeira conferência estadual e fui escolhido para representar Porto União”, comentou em entrevista à Super Rádio União. “Uma vez que Canoinhas tem uma representatividade muito forte no Planalto Norte, e Joinville também, mas fui escolhido por Porto União e Canoinhas já não teve representantes”, comentou.
Ainda para Silva o tema debatido em Balneário mostra a perseverança de muitos cadeirantes. “Nós não aprendermos a lutar pelos nossos direitos, mas sim buscar, porque na luta sempre vai ter um perdedor, então temos de buscar através da implementação das políticas públicas”, disse.
O evento foi promovido pela Secretaria de Estado da Assistência Social, Trabalho e Habitação (SST) em parceria com o Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Conede/SC).
“A luta por caminhos mais planos”
Em fevereiro do ano passado César Augusto da Silva contou sua história em uma reportagem de O Comércio. Na época o cantinho escolhido para a conversa foi justamente em uma seção de fisioterapia. Silva era cabo da Polícia Militar e no dia 13 de novembro de 2006 sofreu um acidente automobilístico. Ele seguia numa rodovia quando seu carro derrapou em uma camada de areia que estava no asfalto. Foram 42 dias de internamento, mas o policial não lembra com tristeza do que aconteceu e até contou que entendeu rápido que precisaria trocar suas movimentações com as pernas por uma cadeira de rodas. Ninguém precisou me dar a notícia de que eu não iria mais andar. Eu soube na hora do acidente”, disse.
Mesmo numa situação ainda que privilegiada, conta ele, com carro adaptado, boa cadeira de rodas e apoio da família, Silva começou a pensar por quem não dispunha dessas opções. Logo orquestrou um movimento que sugere mais acessibilidade pelas ruas de Porto União. O Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência, do qual é presidente, realizou uma pesquisa rápida em 2014 e constatou que quase 90% da cidade não possui condições de acesso a cadeirantes.