Não seria nenhuma surpresa afirmar que este Natal e Ano Novo seriam regados a economia e corte nas despesas. Também não seria nenhuma novidade saber que tanto empresários como consumidor se preparam para adquirir produtos com custos unitários menores, sendo assim podemos prever que o ticket médio deverá ser menor que o do ano passado para a mesma época.
Porém alguns dados devem ser analisados friamente, como é o caso do índice ICF – Índice de Consumo das Famílias, que vinha em curva descendente desde janeiro. Este índice mostrou-se com leve crescimento para Dezembro/15, praticamente um empate, de 0,1%, porém 36% menor para o mesmo período do ano passado. Além disso, quem se surpreende com esse índice positivo deve considerar que é um crescimento sazonal esperado, e, na verdade, o índice deveria ser bastante maior, principalmente considerando que impulsionador da economia de final de ano, o 13º salário, já está circulando.
O que chama a atenção para esse índice é de que para as famílias mais ricas o ICF mostrou crescimento de 1,9% em relação ao mês passado e para as famílias mais pobres um crescimento de 0,3%.
Já as previsões para as festas de final de ano são bastante pessimistas. A primeira previsão é de que deverão ser ofertados menos empregos temporários, com uma queda de 2,9% dos postos ofertados. Esse índice é o pior desde 2012.
Além disso, o volume de vendas para a época natalina deve ser o menor desde 2002, pois devem-se considerar a inflação, o medo do desemprego e os juros estratosféricos que estão sendo praticados no mercado. A CNC – Confederação Nacional do Comércio, mantém uma expectativa de queda nas vendas na ordem de 4,8%, em relação as vendas do ano passado. Entre os setores que apresentam as maiores tendências de queda estão os móveis e eletrodomésticos com -17,6% e o de livraria e papelaria -15,1%.
Não obstante, nem todos os setores devem se sentir ameaçados com os índices assustadores. Alguns devem permanecer em tendência de crescimento, como é o caso do setor farmacêutico e de perfumaria, que deve apresentar um crescimento de 1,0% e o setor de artigos de uso pessoal e doméstico, que podem apresentar um crescimento de 2,8%.
A hora não é de desespero, mas sim de parcimônia, este ano não é para se ganhar dinheiro, mas sempre depois do inverno, vem a primavera.
Alvaro Concha é consultor de empresas