Em seu primeiro ano como deputado federal, Valdir Rossoni não tem do que reclamar. Apesar das agruras de ser deputado de oposição, Rossoni foi parar nos holofotes da Comissão de Ética da Câmara dos Deputados e faz parte da chapa oposicionista que pretende ver Dilma Rousseff fora do Palácio do Planalto. Entre vários assuntos, o deputado Tucano falou sobre política, amigos, PT e sucessão municipal.
JOC – Como foi seu primeiro ano como deputado federal?
Rossoni – Foi um ano de aprendizado. É claro que eu tinha uma boa experiência como deputado estadual. Foram seis mandatos, inclusive presidindo a Assembléia Legislativa do Paraná (Alep). Mas lá em Brasilia, as coisas são diferentes. A partir do segundo semestre que comecei a circular mais, entender os espaços e a me projetar como deputado.
JOC – O deputado teve dois momentos importantes, ao participar da Comissão de Ética da Câmara e como membro ativo da chapa de oposição que vai trabalhar no processo de impeachment da presidente Dilma…
Rossoni – É um momento importante da história do País. Você ser escolhido entre 513 deputados, um dos membros do Conselho de Ética, eles devem ter levantado minha vida de fio a pavio, porque ninguém entra no Conselho de Ética se tiver algum problema. O Aécio (Neves) pediu para eu entrar na Comissão Especial do Impeachment e eu aceitei. Como cheguei por último, já cheguei com todo mundo me olhando, querendo saber do meu voto. Vieram representantes dos dois lados. Eu não poderia ter votado diferente, votei pela continuidade do processo para cassar o mandato do Eduardo Cunha (presidente da Câmara).
JOC – E a atuação do STF nesse episódio, como o senhor classifica?
Rossoni – Lamentável. Se você olhar a constituição, vai ver que o STF mexeu na constituição. Não é que rasgaram a constituição. Mexeram em uma palavra que criou um imbróglio que ninguém sabe como vai terminar. Eu imagino que depois do dia 15 de janeiro seremos convocados para votar a nova comissão especial. Mas se tem eleição tem disputa, certo? O Supremo diz que não…
JOC – Mas o presidente da Câmara levantou essa questão…
Rossoni – Na verdade eu votei contra o Cunha, mas ele tem uma inteligência e um domínio das questões legislativas muito grande. Ainda acho que ele vai dar uma grande contribuição sobre a questão do impeachment.
JOC – Mas não está tudo errado? Os presidentes das duas casas Legislativas sob investigação. A presidente pode até ser cassada, e até o ex-presidente Lula está na mira…
Rossoni – Pois é. O ex-presidente envolvido com a família na corrupção. A presidente envolvida em corrupção. Todos os ex-tesoureiros do PT na cadeia, o presidente da Câmara denunciado, o presidente do Senado investigado pela Polícia Federal, mais de 40 deputados envolvidos no mensalão…
JOC – E então?
Rossoni – Então, em vez de cuidarmos do Brasil, estamos cuidando dos vigaristas, dos ladrões, de quem desviou dinheiro público. E quem começou tudo isso foi a corrupção. O Brasil não pode ser dirigido pela fisionomia do PT, porque o PT só pensa em direitos, mas não pensa em obrigações. Eles acham que roubar é ajudar o partido. Mas, quem tem poder de acabar com isso são os brasileiros.
JOC – Como?
Rossoni – Saiam protestar, mostrem indignação. Se não puder sair, pendure um pano amarelo, verde, em frente de casa. Grite pelas redes sociais. Não adianta ficar em casa só reclamando. Dê um sinal que você não está satisfeito. O brasileiro é passivo e pacífico. Reclama muito, mas não sai de casa no sol ou na chuva para protestar e ajudar a arrancar essa gente do poder…
JOC – O senhor é um industrial. Qual a diferença do político que produz e o de carreira?
Rossoni – Se eu fosse um cidadão comum e fosse escolher um candidato a qualquer cargo eletivo, a primeira coisa que faria é saber o que ele fez na vida. Onde ele trabalhou? Qual é o milagre? Como ele vive? Depois olharia a ficha dele, se é limpa. Eu saio quinta-feira de Brasilia, o avião pousa em Curitiba, eu entro em um carro e venho trabalhar na minha indústria, que está em fase de implantação. Depois, sábado e domingo vou visitar minhas bases.
JOC – Como se separa o PT que o senhor tanto combate, do PT do interior, onde estão vários amigos seus, entre prefeitos e vereadores?
Rossoni – O PT de Brasília tem o pecado original da corrupção. O PT do interior ainda é puro, totalmente diferente. Os gravatinhas do PT, com raras exceções, são todos corruptos. Tenho vários amigos e falo para eles que saiam do PT. Eles não devem nada, porque carregar essa cruz tão pesada, da corrupção? O Pedro Ivo (Ilkiv, prefeito de União da Vitória), por exemplo é um dos prefeitos que me orgulho de ter apoiado.
JOC – O senhor é de Bituruna, é do Paraná, construiu parte desse governo que está aí no Paraná. O que o senhor está vendo?
Rossoni – A parte financeira está bem. O Rio de Janeiro e quase a metade dos estados brasileiros não pagaram a folha e o 13º salário. O Paraná é um estado que está em melhores condições. Mas teve sérios prejuízos políticos. O Beto (Richa) sofreu um desgaste terrível. Aquela ação policial contra os professores não foi culpa do governador, e sim dos seus assessores. O Francischini, que é meu amigo, foi muito mal na questão.
JOC – O Paraná já passou na frente do Rio Grande do Sul. Já estamos no trilho certo?
Rossoni – O povo do Paraná ajudou o governador Beto Richa a recuperara as finanças que vinham cambaleando desde o governo Requião. O Beto recebeu do povo do Paraná, porque quem pagou a conta fomos nós, pagando mais impostos. Agora está na hora do governo dar o retorno, o povo foi paciente, pagou impostos que aumentaram.
JOC – O presidente da Alep devolveu na semana que passou mais de R$ 600 milhões aos cofres do Estado. É um legado da sua época como presidente?
Rossoni – Hoje eu tenho grandes adversários dentro da Assembleia, porque eles não aceitaram o que eu fiz na Alep. Eu gosto de saber que o Traiano (presidente da Alep), que é meu amigo de 30 anos, está prosseguindo nesse caminho. Essas atitudes chegaram às câmaras de vereadores. Hoje os presidentes exibem com orgulho as devoluções, fruto de muita economia e austeridade. Tudo isso começou comigo, na presidência da Assembleia.
JOC – O senhor voltou com força para a região Sul do Paraná. O que te motivou a fazer política regional?
Rossoni – Eu estou em uma outra fase, procuro levar minha vida corretamente, eu tenho um tratamento respeitoso em todo o Paraná, especialmente na minha região. Eu não sou mais criança, não faço política para machucar e ofender, estou sempre ajudando meus amigos e a minha região, seja com a força do mandato ou como vínculo entre o governo e a prefeitura.
JOC – O prefeito Pedro Ivo Ilkiv sempre lembra disso. Até disse que o senhor foi fundamental na conquista da verba para alargamento da Ponte Machado da Costa.
Rossoni – Isso é bondade do prefeito Pedro Ivo. Eu soube que o prefeito Pedro Ivo e o deputado Hussein Bakri estavam trabalhando na questão da ponte. Pela intimidade que eu tenho com o governador Beto Richa eu disse que era uma bela atitude viabilizar o acesso a São Cristóvão, pela Ponte de Ferro. Eu disse que o pai dele (José Richa) tinha feito a primeira ponte e seria histórico fazer a segunda. E ele me ligou e disse que aceitou o pedido do Pedro e do Hussein e eu o felicitei por isso.
JOC – Qual a sua participação nesse episódio?
Rossoni – Foi isso. Quero dizer que apesar de algumas indelicadezas do deputado Hussein Bakri, afirmo que o mérito do alargamento da ponte é todo do prefeito Pedro Ivo e dele como deputado estadual.
JOC – Qual seu relacionamento com o deputado Hussein Bakri?
Rossoni – Ele tem sido deselegante comigo. Tem certos políticos que aprendem rápido, outros demoram muito e outros nem aprendem, saem antes de aprender do mandato. Mas ele que viva a vida dele e que siga na caminhada dele. Daqui uns 20 anos ele vai descobrir que está errado. Todos nós aprendemos com o tempo e com a experiência.
JOC – E para 2016?
Rossoni – Bom, desejo paz, amor, trabalho, que o Brasil consiga se libertar e começar a sair da crise moral e econômica. Desejo força de trabalho, saúde e que as famílias sejam abençoadas e que possam viver com dignidade. Quero deixar um Feliz Natal e um ano novo venturoso para todos. Muito obrigado.