Os especialistas do SPC Brasil são unânimes na avaliação de que a crise econômica atual pode não ter começado em 2015, mas este foi o ano em que a situação se agravou e alastrou. Os reflexos da conjuntura econômica e política atingiram os consumidores: oito em cada dez pessoas ouvidas na pesquisa acreditam que as condições gerais da economia pioraram em 2015 comparado a 2014, sobretudo entre os pertencentes das classes A e B (83,9%). Outros 15,2% falam que as condições permaneceram as mesmas, e apenas 4,2% acham que a situação melhorou.
Quando perguntados sobre a própria situação financeira, 65,2% dos entrevistados disseram que estão piores. Dentre esses, 63,7% justifica sua impressão dizendo que muita coisa aumentou de preço e o rendimento não acompanhou, e por isso tiveram que diminuir o consumo para manter as contas em dia. Os obstáculos enfrentados pelo consumidor incluem ainda o endividamento, já que 46,3% disseram ter muitos compromissos a pagar, e a diminuição da renda familiar (42,3%).
Metade dos entrevistados (50,8%) teve de abrir mão de muitos itens aos quais tinha acesso e comprava, já que as coisas estão mais caras e não dá mais para comprar tudo. Além disso, o brasileiro precisou mudar alguns hábitos de consumo ao longo do ano, em especial abrindo mão do lazer: 89,4% dos entrevistados tiveram que fazer ajustes no orçamento. Os itens que mais sofreram cortes foram o almoço, jantar e o lanche fora de casa (68,7%); os produtos supérfluos de supermercado (65,6%); produtos de vestuário, calçados e acessórios (60,3%); e bares, casas noturnas e baladas (57,5%).