A saudosa poeta goiana Cora Coralina escreveu sobre a vida e estas palavras são perfeitas para iluminar um pouco o que está acontecendo no nosso Estado neste início de ano, onde as nuvens negras de um Brasil em crise parecem não se dissipar.
Não se deve falar em otimismo, porque num sistema onde o governo federal concentra arrecadação, atua com forte coloração partidária na distribuição de benefícios e, como se sabe, pela incapacidade administrativa e atolado por denúncias de corrupção, jogou o país num abismo de incertezas, o melhor é ficar com os pés no chão, colocar a cabeça para pensar, criar e, como registrou a poeta, decidir.
Isso foi feito no Paraná antes da virada do ano. Do ano de 2014 para 2015, registre-se. Medidas de forte impacto na economia foram adotadas, criticadas pelos arautos do pessimismo e oportunistas de plantão. Um ano depois, antes da entrada no ano novo, estes estavam quietinhos. Por quê?
O resultado dos pacotes econômicos foi o de deixar o Estado numa situação privilegiada no país. Quando o relógio marcou meia noite do dia 31 passado, a dívida de R$ 2 bilhões com os credores estava paga e, só para citar quem fez mais barulho no ano passado, capitaneados por alguns sindicatos vermelhos de raiva, os funcionários públicos tinham recebido o 13º de forma integral, enquanto muitos estados de economia forte penavam e penam para pagar os salários regulares.
Na segunda-feira passada, o governador Beto Richa anunciou a reposição salarial de 10,67% para todos os servidores (ativos, inativos e pensionistas), dinheiro que entra no pagamento a ser depositado no próximo dia 29 deste mês. Foi o que bastou para que secretários da Fazenda de muitos estados telefonassem para o Palácio Iguaçu pedindo a receita para se sair do encalacramento que se encontram.
Há um ditado que diz que boa notícia não repercute. Talvez por isso haja ainda uma certa má vontade para aqui no Paraná se olhar o próprio umbigo e se informar sobre dados concretos. É possível que isto se deva a uma “contaminação” do que se lê, vê e ouve na imprensa nacional, cravejada de notícias de escândalos de corrupção. Mas se aqui é a base da Operação Lava Jato, que passa a limpo um pouco da podridão antes restrita aos bastidores impunes, também é deste Paraná que há exemplos que estão sendo olhados com interesse por quem deseja o melhor.
Não é coincidência que o Estado agora é a quarta maior economia do país, resultado que alcançou depois de ficar uma posição abaixo desde 1949. No ano passado, enquanto o governo federal deixava a míngua os municípios, dos cofres estaduais foram repassados quase R$ 8 bilhões em transferências de ICMS e IPVA, um aumento de 13,4% do que foi distribuído no ano anterior. Não é por acaso, portanto, que 96% das cidades têm índice alto ou moderado de Desenvolvimento Humano segundo o Firjan, que diagnostica a qualidade de vida dos moradores.
Sempre há muito o que fazer, mas saber que foi aqui neste pedaço de Brasil onde, desde 2009, se reduziu mais o número de pessoas extremamente pobres entre os estados do Sul e Sudeste e que, em 2014, segundo o Ipea, a quantidade de pessoas vivendo em extrema pobreza foi reduzida em 57,4% em relação a 2013, é motivo de orgulho.
No caminho incerto do país aqui se tomaram decisões. Pelos resultados obtidos rapidamente, foram acertadas. Não há motivos para rir, muito menos para chorar. O que se tem de manter é o rumo acertado, criar mais e trabalhar. Os paranaenses merecem.