Licença ambiental pode representar R$ 100 mi ao ano para Six

Lastro é fonte de renda para a unidade que passa por sucessão de crises

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Atualizado há 11 anos

Governador Beto Richa entrega à Petrobras a licença ambiental prévia para ampliação da atividade de industrialização de xisto, pesquisa tecnológica e coprocessamento de xisto com pneus usados e borrachas similares. Presentes na solenidade: a vice governadora, Cida Borghetti, o prefeito de São Mateus do Sul, Clovis Genésio Ledur, representante da Petrobras, José Alexandrino Machado, o secretário de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Ricardo Soavinski, secretário Chefe da Casa Civil, Eduardo Sciarra, presidente do IAP, Luiz Tarcísio Mossato Pinto, os deputados Hussein Bakri, Alexandre Curi, Maria Vitória e Marcio Nunes. Curitiba, 18-02-16. Foto: Arnaldo Alves / ANPr.
(Foto: Arnaldo Alves / ANPr).

Na semana passada o governador Beto Richa entregou para o prefeito de São Mateus do Sul, Clóvis Ledur, e para representantes da unidade de industrialização de xisto da Petrobras, Six, que fica no município, uma licença ambiental que há mais de cinco anos estava engavetada no Instituto Ambiental do Paraná (IAP).

O documento autoriza a unidade a realizar a industrialização do lastro, além de auxiliar na ampliação desse mineral, pesquisa tecnológica e coprocessamento de xisto com pneus usados e borrachas similares.

Contudo, tanto se fala no lastro, mas essa palavra ainda parece desconhecida aos ouvidos de quem está fora da unidade. Conforme a assessoria da Six, o lastro é um óleo intermediário, um produto oriundo de algumas refinarias da Petrobras, que contém óleo e sedimentos. Na Six, são processadas cerca de 40 toneladas por dia deste produto, que é adicionado à produção da Unidade. Com a licença emitida o potencial de recepção de óleo intermediário pela Six passa de 40 toneladas por dia para 360 toneladas.

O lastro fica no fundo da tancagem, misturando-se com água e sólidos do processo. Este “óleo sujo” não pode ser usado na refinaria, pois reduz a produção de gasolina e diesel. Assim, as refinarias são obrigadas a pagar para empresas que tratam este material. Há cerca de dez anos a Six desenvolveu uma tecnologia para processar este lastro junto ao óleo que sai do xisto. Neste processamento são retiradas as impurezas e o óleo volta a ter valor comercial. Mas a licença de processamento até 2011 era de apenas 40 toneladas por dia. A Unidade vinha nestes anos solicitando ampliação para 360 toneladas.

Com a licença a Six deixará de gastar cerca de R$ 35 milhões ao ano com a destinação deste produto, e a Unidade de São Mateus aumentará o seu faturamento em quase R$ 70 milhões ao ano.

Para a Companhia é um negócio que vale mais de R$ 100 milhões ao ano.

Relembre o caso

GRec44918Toda a movimentação acerca da Six teve início ainda em janeiro pelo vereador de São Mateus do Sul, Omar Picheth. Ele, que também é funcionário da Six, disse que unidade poderia fechar por “inanição”.

Conforme os dados apresentados por Picheth, desde o ano passado os investimentos vêm diminuindo. Os valores que já chegaram aos R$ 100 milhões ao ano não passaram dos R$ 15 milhões em 2015.

Ainda segundo o vereador haveria um grupo de estudos técnicos que analisa o desempenho da unidade, assim como a possibilidade de fechamento ou desaceleração de investimentos em outras unidades espalhadas pelo Brasil.

A assessoria de imprensa da Petrobras, na época, negou a possibilidade de desativação e não confirmou nenhum dos dados repassados pelo vereador, nem mesmo a criação de um grupo de estudos dentro da empresa. Em nota a assessoria informou que a Six iria fechar por aproximadamente 30 dias para manutenção. O intervalo de parada é chamado, tecnicamente, de Oil to Oil e é praxe em todas as unidades da Petrobras. A unidade fechou no dia 13 deste mês para realizar a manutenção dos principais equipamentos do parque industrial. A execução do trabalho de manutenção envolve cerca de 600 pessoas, metade especializados em caldeiraria, soldagem, montagem de andaimes, mecânica, inspeção de equipamentos e serviços gerais, contratados especialmente para a parada.

Dependência

A unidade de xisto da Petrobras gera mil empregos diretos e 3 mil indiretos em São Mateus do Sul. Atualmente, a unidade recolhe aproximadamente R$ 98 milhões em impostos e royalties. Desse total, R$ 20 milhões ficam em São Mateus do Sul e R$ 60 milhões são repassados ao Governo do Paraná. O prefeito explica que esse valor representa 48% da renda do município, que tem 45 mil habitantes.

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