Nesta semana o Brasil acompanhou atento às diversas notícias que colocavam sob suspeita o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva e outras figuras muito próximas a ele. E as frentes para discussão avançaram no campo jurídico, político e no cotidiano de todo o País; culminando ontem com a notícia de que a Polícia Federal, numa das fases da operação Lava Jato, conduziu coercitivamente o ex-presidente e seus familiares para depor, fazendo inclusive buscas e apreensões.
A magnitude de toda a operação Lava Jato representa mais um passo importante para o avanço das instituições democráticas responsáveis pela manutenção da lei e da ordem no País e é notável que há muito mérito em ações como essa, que investigam vícios e ilícitos no poderoso universo político, envolvendo, inclusive, a figura de um ex-líder máximo do Poder Executivo, ícone de um partido historicamente relevante, e que sem dúvida alguma deu contribuições importantes durante sua presidência e mesmo em seu legado.
Mas nada disso muda o fato de que se houve prática de crimes ou ilícitos, em qualquer esfera, por qualquer pessoa, de qualquer cor, credo, partido ou classe social; faz-se necessário a devida investigação, o devido processo e direito de defesa até a arbitragem final.
O Ministério Púbico, a Polícia Federal e todas as esferas da Justiça tem vivido momentos de explosivo pioneirismo e vanguarda, arriscando obviamente cometer excessos, erros ou acertos, atos perfeitamente naturais para aqueles que exploram o novo. Decisões difíceis e complexas tem sido tomadas diariamente e que refletirão na história e na vida das pessoas deste País; porém, o ineditismo do momento demonstra o quão pequenos e muitas vezes despreparados estão os atores atuais.
A defesa de Lula e do PT baseia-se na reação pontual e muitas vezes desastrosa, justamente porque o governo também não sabe como reagir. Estão reagindo conforme o momento e não têm estratégia. As suspeitas em relação à Lula são devastadoras para o projeto político imediato do PT e enfraquecem ainda mais o governo na busca por estabilidade que permita não apenas concluir o mandato de Dilma Rousseff, mas principalmente encontrar um rumo para a economia do Brasil.
A oposição por sua vez, também não tem estratégia nem está preparada para lidar com isso tudo. Não dispões de massas. Quem pode ganhar com a tensão deste momento são alguns setores mais radicais, sobretudo na extrema direita, personagens folclóricos como Jair Bolsonaro.
Todos os extremos neste momento deveriam ser evitados e o estímulo ao enfrentamento proposto por Lula, seu instituto, partido e pares é um desserviço para o Brasil. O discurso de ódio, de perseguição e do “nós contra eles” já se esgotou.
Devagar com o andor, que o santo é de barro.