
Os desdobramentos da Operação Lava Jato chegaram até o maior patrimônio imaterial do PT: o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva. Os colaboradores mais próximos da presidente Dilma Rousseff, os ministros petistas Jaques Wagner, da Casa Civil, Ricardo Berzoini, da Secretaria de Governo e Edinho Silva, da Comunicação Social, defendem internamente que o ex-presidente Lula assuma o comando de uma pasta no ministério da presidente Dilma Rousseff. Com isso, ele poderia ganhar novamente o foro privilegiado, o que faria com que investigações sobre o suposto envolvimento do ex-presidente nas irregularidades investigadas pela Operação Lava Jato fossem transferidas da Justiça Federal em Curitiba para o Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília.
O assunto chegou a ser discutido no jantar oferecido na terça-feira, 8, por Dilma a Lula no Palácio da Alvorada. Segundo assessores da presidente, no jantar, a presidente não chegou a convidar Lula para ser ministro. Auxiliares dela, contudo, sugeriram que ele assumisse um posto no governo. Na opinião da cúpula petista, Lula poderia contribuir na articulação política, na batalha do impeachment e na elaboração de propostas para a recuperação da economia. No núcleo central do governo já se fala na possibilidade de Lula assumir o Ministério das Relações Exteriores, mas, na tarde de ontem surgiu a alternativa seria a Secretaria de Governo. Nesse cenário, Berzoini passaria a exercer a função de secretário-executivo de Lula na pasta.
Lava Jato
Lula foi o alvo principal da 24ª fase da Operação Lava Jato, na semana passada. Na sexta-feira, 4, a Polícia Federal (PF) cumpriu mandado de busca e apreensão na casa do petista, na sede do Instituto Lula e levou o ex-presidente para prestar depoimento. O Ministério Público apura se Lula recebeu vantagens indevidas por meio do esquema de corrupção que atuou na Petrobras, o que ele nega. Para complicar ainda mais, O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou à Justiça, na quarta-feira, 9, o ex-presidente Lula por crimes de estelionato, falsidade ideológica, organização criminosa e lavagem de dinheiro na aquisição de um triplex em Guarujá, no litoral paulista. A denúncia foi apresentada pelo promotor Cassio Conserino no Fórum da Barra Funda, na capital paulista.
Lula diz não
Extraoficialmente, Lula teria dito não. Berzoini rebateu dizendo que uma nomeação depende apenas “de ele (Lula) querer”. Aliados de Lula relatam que ele ainda resiste à proposta de se tornar ministro, pois passaria a mensagem de que estaria tentando buscar prerrogativa de foro para escapar da jurisdição do juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato na primeira instância, em Curitiba. Na tarde de ontem o site Brasil 247 divulgou que Lula refutou a ideia de ser ministro.
De acordo com o site, em reportagem assinada pelo jornalista Ricardo Amaral, “Lula considera indigno de sua história buscar, no foro privilegiado, o salvo-conduto contra as arbitrariedades da hora. Virar ministro seria criar um constrangimento para o governo e para a presidente. E isso Lula não fará jamais”. No entanto a matéria não deixa claro se esse pensamento é de Lula, ou do jornalista sobre a situação. Os colunistas políticos do eixo São Paulo-Brasília dizem que a presença de Lula diretamente no governo de Dilma seria a pá de cal na administração da petista. Os analistas acham que Lula engole Dilma. A palavra mais comum é essa: “ou ela pediria para sair ou terminaria o governo sozinha dentro da sala da presidência”. Até o encerramento desta edição as negociações continuavam dentro do Palácio Alvorada e fora dele, nos corredores do Senado e da Câmara. A oposição prepara contra-ataque.
Os senadores de oposição se manifestaram contrários à possibilidade de o ex-presidente Lula assumir uma pasta ministerial. A hipótese passou a ser discutida nos bastidores como forma de proteção judicial a Lula após avanço da Operação Lava Jato e condução coercitiva realizada na última sexta-feira. O senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) afirmou que, se Lula assumisse um ministério, seria com “propósito explícito” de escapar do juiz federal Sérgio Moro, que coordena a Operação Lava Jato. Já o líder do DEM, Ronaldo Caiado (GO), garantiu que, caso se concretize, vai entrar com ação popular pedindo a nulidade do fato.