Com pauta extensa manifestantes se encontram no Vale do Iguaçu

Encontro é nacional e ganhou mais adeptos após uma semana instável no cenário da política brasileira. Nas cidades cerca de 16 entidades organizam o manifesto

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Atualizado há 11 anos

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Manifestos do ano passado foram tranquilos no Vale do Iguaçu. (Foto: Bruna Kobus).

A montanha russa em que a política brasileira transitou na última semana já rendeu boas páginas de jornais e espaços para discussões, que parecem ainda não ter um final previsto. Antes mesmo da condução coercitiva no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na semana passada, durante a 24ª etapa da Operação Lava Jato, e até mesmo antes de o senador Delcidio do Amaral (PT-MS) ser personagem de uma das matérias mais controversas da revista IstoÉ, quando não afirmou, mas também não desmentiu sobre sua delação premiada, a pressão popular contra os escândalos políticos e uma onda antipetismo já estava criada. Nesse ritmo de “festa pela democracia”, “apoio ao juiz Sérgio Moro” – que diga-se de passagem está apenas afirmando seu trabalho dentro do judiciário – diversas entidades do Vale do Iguaçu, como lojas maçônicas, Associação Comercial e Empresarial já articulavam um manifesto pró-democracia, como os organizadores definem a marcha.

Por aqui a movimentação está marcada para acontecer amanhã, a partir das 15 horas na Praça Hercílio Luz, em Porto União. Cerca de 16 entidades irão se concentrar, além daqueles que compraram a ideia, literalmente. Isso porque durante a divulgação do evento foram recolhidas doações voluntárias de entidades e da comunidade. Ainda segundo a organização são esperadas caravanas de outras cidades para compor o coro da “festa da democracia”.

GRpo44667A Associação Empresarial de Porto União (Acipu) tem feito a maior parte do convite à comunidade e entregue folhetos informativos sobre o movimento. Conforme Solange Pinto, secretária executiva da Associação, o encontro de amanhã não é partidário, apesar do esquema político ser sistêmico, garante ela, e de a pauta questionar a então recusa de Lula em depor sobre o caso Triplex. “Vamos a favor da democracia, de Sérgio Moro, contra a corrupção”, pontua.

A ideia também é compartilhada pela presidente da Coordenadoria das Associações Comerciais e Empresariais do Centro-Sul do Paraná (Cacesul), Maria Salette Rodrigues de Melo. A presidente argumenta que a presença do setor produtivo, através dos sistemas de associações comerciais do Paraná, tem de ser representada na rua e apoiar, segundo ela, o que chama de uma iniciativa popular. “Nós precisamos estar unidos e dizer não para essa corrupção. Nós que representamos toda a classe produtiva de toda nossa região temos que nos pronunciar”, comenta. “É somente com a pressão popular que vai existir mudança. É uma festa para a democracia”, argumenta.

Célia Leão, presidente da Acipu, reitera que as cidades não poderiam deixar de participar, já que é um movimento nacional. “Não podemos ficar de fora”, dispara.

A pauta dos manifestantes para este domingo é grande. Entre a nomeação de festa pela democracia, eles irão levantar bandeiras contra a CPMF – Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira, que é uma cobrança que incide sobre todas as movimentações bancárias – o aumento de impostos, pela autonomia da Polícia Federal, a favor das investigações da Lava Jato e até mesmo assuntos no ambiente acadêmico, como a diminuição de bolsas do Fies, programa do Ministério da Educação que financia cursos superiores não gratuitos em até 100%.

“Não podemos nos calar diante de tanta corrupção e diante de tantas coisas erradas que estão acontecendo. O brasileiro que é brasileiro de verdade não pode ficar esperando”, comentou a presidente da Cacesul.

Segurança

Como já mostrou O Comércio tanto o governo quanto o judiciário estão preocupados com as “coincidências” de datas dos movimentos pró-governo e pró-impeachment. A ideia é impedir que possíveis confrontos sejam registrados. Para Solange, da Acipu, não existe receio que tal situação ocorra. “Em centros maiores acho que isso pode acontecer, mas não aqui”, garante.

Segundo a organização o ato será pacífico, com as cores da bandeira nacional e participação de adultos e crianças.

GrXXficoXPartidosDo outro lado, até o início desta semana, estava marcada uma caminhada pelos bairros das cidades para contrapor o manifesto de domingo, contudo, em última reunião os representantes de movimentos sociais e líderes da esquerda decidiram por não saírem às ruas. A intenção, segundo eles, é evitar discussões ou confrontos desnecessários, que foram incitados – ainda mais – após a decisão do Ministério Público de São Paulo em pedir a prisão preventiva do ex-presidente Lula.

Mesmo assim a Polícia Militar de Santa Catarina divulgou na tarde de ontem uma nota oficial com 15 orientações para um manifesto pacífico. “A cidadania é o exercício dos direitos e deveres civis, políticos e sociais estabelecidos na Constituição Federal (CRFB/88). Portanto, as manifestações públicas, pacíficas, são legais e amparadas pela nossa legislação suprema”, diz parte da nota. “A Polícia Militar de Santa Catarina tem como missão proporcionar segurança ao cidadão, preservando a Ordem Pública, através do policiamento preventivo e ostensivo, de forma integrada com a sociedade, visando o exercício pleno da cidadania. Com a eminente possibilidade de acontecer Manifestações Populares em diversos municípios catarinenses no próximo final de semana, a PMSC está atenta e voltada à preservação e garantia do exercício deste direito.”

Em outra parte da nota o artigo 5º da Constituição Federal Brasileira, no inciso XVI é citado para lembrar que há, sim, a liberdade para encontros democráticos, pacíficos, sem armas, em locais abertos e públicos, independente de autorização, no entanto, atos de vandalismo e violência não são legítimos e, caso ocorram, serão coibidos pela Polícia Militar.

PM de Santa Catarina divulga lista de “tolerância” em manifestações

  1. Toda manifestação defende uma causa ou uma ideologia pela qual busca efetivação. Ser favorável ou contrário a mesma não garante a ninguém o direito de cometer atos ilícitos ou violentos.
  2. Se participar da manifestação, faça de forma pacífica e apartidária.
  3. Evite trajar roupas que identifiquem partido político.
  4. Evite levar bolsas ou mochilas e não utilize máscara ou algo similar, que dificulte a sua identificação pelos demais manifestantes e pela polícia.
  5. Nos locais de grande aglomeração é possível que criminosos (que nada tem a ver com a manifestação) aproveitem-se do anonimato na multidão para provocar atos de vandalismo e violência. Atente-se para isto!
  6. Não seja influenciado pela conduta de vândalos. Não apoie depredação, dano, ou qualquer outro ato violento ou ilícito.
  7. Ocorrendo algum tipo de vandalismo, sente-se no chão. Os vândalos ficarão expostos e assim os policiais poderão identificá-los e prendê-los, para garantir a sua segurança.
  8. Não interfira em ações policiais, principalmente se acontecer prisões no evento por crimes ou contravenções penais.
  9. Afaste-se de qualquer ação violenta e/ou tumultos.
  10. Evite utilizar bicicleta, skate, patins, moto e veículo no local.
  11. Não utilize fogos de artifício ou similares.
  12. Não se submeta a provocações de qualquer natureza e respeite opiniões divergentes.
  13. A livre manifestação do pensamento é direito de todos, estando constitucionalmente amparada, desde que não interfira no direito alheio.
  14. Atos de vandalismo ou que representem risco de quebra da Ordem Pública serão contidos, visando garantir a segurança e o bem-estar da população de bem.
  15. Denuncie atos ilícitos ou contrários a lei pelo telefone 190.

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