
Acabou a novela. Luiz Inácio Lula da Silva é o novo Ministro Chefe da Casa Civil do governo Dilma Rousseff. Coincidência ou não era o mesmo cargo que a atual presidente exercia antes de ser eleita Chefe de Estado. O Palácio do Planalto anunciou ontem, por meio de nota oficial, a nomeação do ex-presidente Lula para o cargo, no lugar de Jaques Wagner, que será deslocado para a chefia de gabinete da presidente Dilma Rousseff. No mesmo comunicado a Presidência anunciou a ida do deputado Mauro Lopes (PMDB-MG) para o comando da Secretaria de Aviação Civil, que estava, desde dezembro, sob uma chefia interina.
Nos últimos dias, ministros do núcleo político do governo repetiram exaustivamente que o objetivo da ida de Lula para o ministério seria ajudar a presidente da República a recompor a base política no Congresso Nacional e tentar barrar o processo de impeachment. Para a oposição, a consequência prática mais imediata da nomeação de Lula para um ministério é que o ex-presidente sai do alcance do juiz federal Sérgio Moro, da Justiça Federal do Paraná, responsável pela Operação Lava Jato na primeira instância. Aparentemente irritado, Lula negou que está fugindo do braço da lei.
Oposição quer derrubar nomeação
Partidos de oposição, liderados pelo Democratas (DEM) querem impedir que Lula assuma o cargo. A oposição deflagrou uma chuva de ações na Justiça para tentar impedir a nomeação oficial do ex-presidente Lula como ministro da Casa Civil. A oposição acusa Lula de tentar se “blindar”, com foro especial, com a nomeação. O líder do DEM no Senado, Ronaldo Caiado (GO), disse que o ex-presidente tenta se “esconder” e que ninguém mais vai querer dialogar com a presidente Dilma Rousseff, que vai perder capital político para Lula. Para os líderes oposicionistas, a indicação é um escárnio e um tapa na cara dos brasileiros que foram às ruas no último domingo, 13. A oposição tenta anular a posse de Lula com ações populares ingressadas na Justiça Federal nos 26 estados e no Distrito Federal.
Lula retornou no início da tarde de ontem para São Paulo. O presidente nacional do PT, Rui Falcão, anunciou que a cerimônia de posse de Lula na Casa Civil ocorrerá na próxima terça-feira, 22. O líder do governo na Câmara dos Deputados, José Guimarães (PT-CE), também usou a rede social para confirmar que Lula e Dilma acertaram a entrada do ex-presidente no governo. A nomeação de Lula para ocupar um cargo no governo acontecerá no meio das investigações conduzidas pela Justiça Federal para apurar se o ex-presidente recebeu vantagens indevidas do esquema de corrupção que atuava na Petrobras. O ex-presidente também é investigado por, supostamente, ter omitido das autoridades ser o dono de um apartamento triplex em Guarujá (SP) e de um sítio em Atibaia (SP), o que a defesa dele nega.
Nota do Palácio do Planalto:
“A Presidente da República, Dilma Rousseff, informa que o ministro de Estado Chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, deixará a pasta e assumirá a chefia do Gabinete Pessoal da Presidência da República.
Assumirá o cargo de Ministro de Estado Chefe da Casa Civil o ex-Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva.
Assumirá, ainda, o cargo de ministro de Estado Chefe Secretaria de Aviação Civil, o Deputado Federal Mauro Ribeiro Lopes.
A presidenta da República presta homenagem e agradecimento ao Dr. Guilherme Walder Mora Ramalho pela sua dedicação.
Secretaria de Imprensa
Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República”
NOTA DA REDAÇÃO
No final da tarde de ontem o juiz Sérgio Moro derrubou o sigilo de uma das ligações feitas entre o recém-nomeado ministro, Luiz Inácio Lula da Silva com a presidente Dilma Rousseff. Na ligação Dilma avisa Lula de que “Bessias” estaria levando um “papel” que só poderia ser usado em caso de necessidade. O papel em questão é o termo de posse do cargo de ministro da Casa Civil. A ligação, conforme apurou a Globonews, foi realizada às 13h32, poucas horas depois de Lula aceitar o cargo de ministro. O juiz disse que em algumas conversas se fala, aparentemente, “em tentar influenciar ou obter auxílio de autoridades do Ministério Público ou da Magistratura em favor do ex-Presidente”. Moro ressalta, porém, que não há nenhum indício nas conversas, ou fora delas, de que as pessoas citadas tentaram, de fato, agido “de forma inapropriada”.