Desde que foi deflagrada a Operação Lava Jato pela Polícia Federal Brasileira, a cada fase, novas e escandalosas surpresas eram colocadas ao público, que assistia a tudo perplexo. Sua repercussão na mídia, naturalmente, acabou ganhando força em todo país, uma vez que estava sendo desmantelado um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro, envolvendo a diretoria da maior estatal brasileira (Petrobras), políticos como deputados federais e senadores, as maiores empreiteiras do país, além de doleiros e lobistas. Segundo informações da Polícia Federal, as cifras do dinheiro público desviado podem ultrapassar a casa dos 10 bilhões de reais.
Contudo, foi na 24ª Operação Lava Jato, chamada “Aleteia”, uma referência à expressão em grego que significa a busca da verdade, que seus holofotes se irradiaram quando o principal alvo desta operação foi o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, sendo conduzido de forma coercitiva pela Polícia Federal para depor sobre o tríplex no Guarujá e o Sítio em Atibaia, acusado de ter adquirido estes bens em virtude do cargo de influência que exercia.
O Brasil parou para acompanhar a transmissão, passando aos brasileiros a sensação de que se estava fazendo Justiça!
O ex-presidente sustentou que os bens não lhe pertenciam. Que eram dos amigos Jonas Suassuna e Fernando Bittar, que ofereceram estes bens para utilizar a seu bel prazer. As investigações se mantiveram, sendo apresentadas imagens do ex-presidente Lula discutindo com um proprietário de empreiteira sobre a reforma do tríplex. Quanto ao sítio em Atibaia, a própria Polícia Federal investigou e constatou inúmeros pertences de Lula, medicamentos manipulados com o nome de sua esposa Marisa Letícia, barco com o nome de Lula e Marisa e pedalinhos com o nome de dois de seus netos.
Dia a dia, as investigações foram se afunilando em desfavor de Lula, e na visão de todos, sua prisão era questão de tempo. A defesa do ex-presidente tentou levar o processo para São Paulo, mas de lá veio o maior baque, o pedido de prisão pelo Ministério Público daquele Estado.
E agora? O que fazer?
Foi aí que no dia 16 de março de 2016, o povo brasileiro levou o maior ‘’golpe’’ de sua Presidente da República.
A chefe maior do Executivo Federal, desrespeitando veementemente a Constituição Federal, a independência dos três Poderes e interferindo diretamente numa investigação criminal federal, com o nítido intuito de ofertar foro privilegiado ao acusado, dá posse ao ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva como Ministro da Casa Civil.
A atitude da Presidente Dilma só veio a demonstrar que jamais obteve as rédeas do nosso País, caracterizando com esta atitude a criação do Parlamentarismo Brasileiro sem um Plesbicito Popular. O ato deixou escancarado a intenção de proteger o ex-presidente tirando a competência da Justiça Federal e passando para Supremo Tribunal Federal. O ato causou repugna a todos os brasileiros que aqui vivem e que foram para às ruas pedir o Impeachment da Presidente.
Ao oferecer ‘’cobertura’’ a um investigado pela Polícia Federal, órgão que, juntamente com a Justiça Federal, representada pelo Dr. Sergio Moro, vem passando a limpo o País, a Presidente Dilma pratica um ato contra a Nação Brasileira, e aí o povo não perdoou. Acabou a paciência!
De quebra, as interpelações telefônicas do ex-presidente Lula dispostas ao público, momentos antes de sua posse, foram à gota d’água para a panela de pressão que virou o Brasil. A tentativa de manipular políticos, destratar nossa Suprema Corte, ameaçar a operação que lhe investiga causaram revolta em todas as esferas brasileiras e, principalmente, na população que foi para as ruas e de lá não sairá até a renúncia da Presidente Dilma Rousseff.
Laury Angelo Furlan Fagundes é Presidente da OAB/PR – Subseção de União da Vitória