
No boletim técnico divulgado pela Secretaria de Saúde do Estado (Sesa) nesta terça-feira, 5, foi confirmado o primeiro caso de dengue autóctone, quando o paciente é infectado no município onde mora, em União da Vitória.
A cidade, até então, fazia parte de um seleto grupo de regionais de Saúde que ainda não haviam confirmado casos autóctones no Estado.
Sobre a suspeita a Vigilância Epidemiológica e Sanitária da cidade foram notificadas ainda em fevereiro, quando um morador do Distrito de São Cristóvão apresentou os primeiros sintomas do vírus. A confirmação só foi possível nesta semana após a conclusão dos exames que são realizados em Curitiba, pelo Laboratório Central do Estado (Lacen).
O homem infectado já passou por tratamento e está com boa evolução no quadro clínico, segundo a Vigilância. A Vigilância Sanitária também já visitou áreas frequentadas pelo paciente e realizou bloqueios de emergência num raio de 150 metros de sua casa. “Desde o momento que fomos notificados, nós fomos até o local para avaliar o grau da situação e fizemos todas as medidas de bloqueio contra o mosquito e o vírus”, conta Allan Müller, coordenador da Vigilância Sanitária.
Em nota a Vigilância Sanitária informou, ainda, que não foram encontrados focos de mosquito nos bloqueios vetoriais realizados. “Toda e qualquer medida para bloqueio vetorial foi e está sendo realizada por parte desta Vigilância, por meio de visitas e inspeções de imóveis pelos agentes de endemias e pelos agentes comunitários de saúde, mas em decorrência do cenário epidemiológico de cada vez mais cuidado, atenção, efetividade de ações e principalmente colaboração por parte da população de nossa cidade.”
Visitas à domicílio
Desde o início de fevereiro agentes comunitários da Secretaria de Saúde junto com outros dez agentes epidemiológicos da Vigilância Sanitária de União da Vitória trabalham juntos nas visitas realizadas às residências. A campanha intensifica as dicas de prevenção no combate à proliferação do mosquito Aedes aegypti.
Antes da campanha as visitas eram programadas em ciclos, cada um com 4 meses de duração. Esses ciclos eram divididos em três ao longo do ano, em casos de rejeição – quando o morador não aceita a visita do agente – ou quando a casa está fechada, os agentes voltavam em outro ciclo. Contudo, com a campanha de intensificação esses ciclos foram reduzidos e todos os bairros da cidade são monitorados mensalmente. As visitas já estão na segunda rodada, mesmo assim, conforme Müller, existem muitas residências com reincidência de foco. Segundo ele ainda falta atenção por boa parte dos moradores em fiscalizar seus pátios, jardins e, até mesmo, o vizinho e terrenos baldios. “Existem situações em que a vigilância vai até o local notifica e acaba com o foco e depois de alguns dias retorna e encontra um novo foco no mesmo lugar que havia sido notificado”, explica.
Durante as visitas já foram encontrados 84 focos do mosquito. O último boletim divulgado pela Vigilância foi há uma semana. Conforme os agentes a possibilidade é de que o número aumente devido a intensificação das visitas. “Em 2015 foram encontrados apenas 14 focos, sendo um aumento real de 600%. A prevalência desses focos está em imóveis residenciais (62%), onde os criadouros em grande parte são artificiais (95%). Nosso Índice de Infestação Predial (IIP) é de 0,29% para Aedes aegypti e 0,01% para Aedes albopictus, inferior ao 1% o que classifica o município como não infestado. Foram notificados 18 casos suspeitos de dengue, sendo 10 já descartados, 1 caso importado (paciente foi para Paranaguá) e 1 caso autóctone. Com relação à Febre Chikungunya foram notificados 8 casos suspeitos, sendo 1 caso importado (agosto de 2015). Em relação ao Zika vírus foram notificados 5 casos suspeitos, sendo nenhum confirmado”, diz parte da nota.
Em Porto União
Do lado catarinense da linha ainda não foi confirmado nenhum caso autóctone. Conforme o secretário de Saúde de Porto União, Rogério Stasiak, foram registrados um caso de chikungunya e outro de dengue. No entanto, ambos os pacientes foram infectados fora do município. “A situação é de extremo alerta principalmente agora com a confirmação do caso de dengue no município vizinho”, afirma Stasiak.
Na cidade agentes comunitários de saúde e de endemias também realizam visitas à domicílio com o apoio de cerca de cem soldados do 5º Batalhão de Engenharia e Combate Blindado. Desde o início das visitas, há quase duas semanas, foram encontrados 26 focos do mosquito.
“As pessoas precisam tomar cuidado, qualquer local onde possa ter água parada, com toda certeza, pode se transformar em um local para foco da dengue. Todo cuidado agora é pouco”, comenta. “Não podemos perder essa guerra para o mosquito”, dispara.