Alguns autores arriscaram a afirmar na década de 1950 de que estaríamos entrando na era da competitividade. Eles estavam corretos, porém para o mercado que eles visualizavam: Europa, Estados Unidos e Japão. Segundo esses autores, seria a competitividade das empresas, e suas infinitas formas de atrair o cliente ao produto ou serviço, que seriam as responsáveis pelo aprimoramento da qualidade de vida da população. Os autores, apesar de sua visão liberal e capitalista sobre o tema, entendiam que seria a capacidade de se aprimorar e de se gerenciar que fariam uma empresa ser mais competitiva que outra e, para tanto, diferenciação, vanguarda tecnológica, controle dos custos, entre outros, seriam algumas das formas de “combater” em um mercado tão competitivo.
Essa realidade demorou ao menos 40 anos, mas chegou aos mercados latino-americanos e, é claro, ao Brasil. E para que se adaptassem a essa nova realidade, foi necessário controlar absolutamente cada movimento e cada estímulo que se dá ao mercado a fim de que ele aja positivamente em relação à empresa. Comprando seus produtos/serviços, é claro.
Alguns anos depois a crise mundial (que não foi nem de longe uma marola) atingiu as empresas exportadoras brasileiras e para se adaptarem ao competitivo mercado internacional (que às vezes deixa de comprar de uma empresa para comprar de outra por R$ 5) precisaram se repensar. O Brasil, neste momento atual passa pela etapa do aprimoramento de seu parque fabril, da busca pela qualidade, esse panorama pode ser verificado no aumento das importações e do déficit da balança comercial, que traz como principais produtos importados os seguintes incrementos: acessórios de maquinaria industrial (+30,3%); partes e peças para bens de capital para agricultura (+27,9%); partes e peças de bens de capital para a indústria (+10,2%); máquinas e ferramentas (+9,6%) e maquinaria industrial (+7,3%).
E não há outro caminho para a competitividade a não ser pelo caminho da informação. Assim como quando fazemos um exame de sangue que nos traz aqueles diversos parâmetros mensurados numericamente, como por exemplo: colesterol, plaquetas, glicemia, entre outros as empresas também precisam desses índices. E nada melhor do que conseguir esses índices através de um sistema de informações bem alimentado.
Obviamente que há diversas situações que devem ser anteriormente verificadas pelo investidor antes de implantar um sistema de informações em sua empresa. Primeiro ele deve entender que um sistema de informações “travará” algumas situações e permitirá que a empresa opere menos em prol das exceções e mais em prol das regras. Porém, nenhum sistema deve ser rígido demais, ou seja, o sistema deve se adaptar à realidade da empresa e não ao contrário. Para tanto, recomenda-se que sempre se realize o mapeamento dos processos da empresa, para então implantar-se o sistema. O objetivo é que a empresa que for instalar o sistema de informações tenha em mãos a maior parte, senão todos os processos, todas as rotinas da empresa, para que o investidor não tome um susto depois quando pedir algum relatório e ouça a velha frase: “podemos fazer, mas vai custar tanto”…
Outra visão importante é ter em mente quais os relatórios mais importantes para a tomada da decisão. Faturamento, faturamento por cliente, faturamento por vendedor, faturamento por cidade, faturamento por dia da semana, faturamento por período do dia, etc. Há uma infinidade de formas de entender e interpretar o faturamento, depende do ramo de negócios. Por exemplo, o faturamento por dia da semana e do período do dia não é tão importante para uma empresa produtora de caldeiras, mas muito importante para um supermercado.
Por fim, outra visão muito importante é entender quais os relatórios e as informações mais importantes e saber quantificá-las para que na dúvida entre um e outro sistema de informações, escolha-se o mais necessário à realidade da empresa.
Com a era da competitividade sendo uma realidade, cada mínimo detalhe conta e pesa e seu concorrente está torcendo pelo seu erro, ainda que centesimal.
Alvaro Concha é consultor de empresas
(www.concharaneda.blogspot.com)