Espaço Cultural

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Atualizado há 10 anos

Aquela nuvem que passa…

No momento imprevisível que vivemos nesse País maravilhoso, mas que guarda em seus dias tantas reviravoltas na política e consequentemente no almejado progresso, vamos concordar com o título e comparar a nuvem que passa com o que vivemos.

Ela chega repentina tomando conta do azul celeste do céu, céu de brigadeiro, como dizemos, nuvem escura, de um cinza forte, acompanhada de faíscas elétricas, trovões e chuva intensa.

Trás o medo, a insegurança, a tristeza de perdas, a desconfiança, a desesperança.

A coloração impactante e ao mesmo tempo calmante de um belo dia desaparece.

Mas pouco a pouco, cessam os raios e trovões, a chuva se vai e surge um radiante arco-íris.

Assim acontece com nossa vida e também com a turbulência política nacional no País que amamos e cujos principais fatos que dizem respeito ao governo acompanho desde a infância.

Época em que sob o governo de Getúlio Vargas, ditador respeitado tal a figura carismática e visão futurista.

Criou a Petrobras, a Consolidação das Leis Trabalhistas, o direito ao voto feminino e através de sua esposa Darcy iniciou a Legião Brasileira de Assistência.

Presidente que depois de governar entre a entrada e toda a participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial, voltou ao Catete eleito pelo povo.

Um período marcado por crises e crises, pela disputa do poder, criadas por políticos, militares e empresários.

Crises que pela personalidade de um nacionalista levou o presidente ao suicídio: “…saio da vida para entrar na história”.

Sua morte arrefeceu os ânimos dos opositores e João Goulart assumiu o governo.

Uma ditadura foi implantada e por alguns anos após, uma democracia e o desejo de um governo forte que colocasse ordem no País, foi eleito Jânio Quadros.

Inteligente, “Fi-lo porque qui-lo” expressão sua e a logomarca da vassoura.

Varreria do governo toda a corrupção e faria valer o lema da Bandeira Nacional.

A confiança em seu desempenho foi tão grande que fez o povo cantar no carnaval “…Varre, varre vassourinha…”

Em pouco tempo com as proibições feitas como o jogo do bicho, o uso de biquíni e outras tantas insatisfizeram o povo que rebelou-se contra o mesmo chegando a falar num provável comunismo.

A rebeldia abriu espaço para uma ditadura militar.

Instalou-se uma democracia controlada com eleições indiretas.

Veio o presidente Juscelino Kubitschek. Construiu Brasília. Gastos mil e controle na economia de todos os lados, inclusive na economia doméstica para pagar os crediários então disponíveis ao cidadão.

Morreu Juscelino em acidente automobilístico.

E a democracia controlada para alguns e “anos de chumbo” para outros durou duas décadas.

Mas o Brasil, campeão mundial do futebol fez a alegria do povo.

As diretas já formavam coro de norte a sul.

Voltamos a ter direito ao voto secreto para presidência do Brasil.

É eleito Tancredo Neves que não chega a assumir. Morre antes de tomar posse.

Assume seu vice José Sarney.

Novas decepções com altas e altas na economia do povo.

Foi então escolhido na próxima eleição um moço descendente de políticos nordestinos, bem apessoado, culto, com a incumbência de bem representar o povo brasileiro na difícil arte de governar: Fernando Collor de Mello.

Institui nova moeda, o cruzado novo.

Investigado por irregularidades financeiras leva o povo às ruas, os jovens de “caras pintadas” clamando pelo Impeachment.

Entra o vice no governo e é criticado inclusive durante um desfile de escola de samba.

O País caiu numa recessão, os gêneros trocavam de lugar e preços para mais, constantemente.

Necessário uma mudança de atitude que tirasse o Brasil da inflação e que o povo pudesse confiar na palavra do presidente.

É eleito Fernando Henrique Cardoso.

O real é a nova moeda instituída para tentar estabilizar em parte a economia do País.

Timidamente, a nuvem escura pairando sobre a economia nacional e na vida das famílias foi decrescendo.

Por duas gestões ficou no poder Luiz Inácio Lula da Silva.

Nova filosofia, outros projetos e o povo caminha com ele sem olhar questão partidária.

Deixa projetos inacabados que deveriam ter continuidade como a transposição do Rio São Francisco, por exemplo.

E o Brasil recomeça um árduo caminho na economia.

Fica em seu lugar a Presidente Dilma Rousseff que é eleita pelo povo.

Cumpre o primeiro mandato e promete muitos projetos e continuidade dos mesmos para um segundo período de governança.

Entretanto, desde agosto de 2015, no campo político e na sociedade, investigações feitas, caça aos corruptos parecem não ter fim.

Todos os dias, horas e minutos recebemos informações sobre aqueles que não conhecem o sagrado mandamento “não roubar”. Elas tomaram o maior espaço no campo das comunicações.

O povo atormentado vê pela primeira vez um muro improvisado que os separa visando um confronto entre irmãos.

Tudo colabora para aumentar o número de desempregados, a inflação que já é insustentável, há perdas do crédito ante países estrangeiros e o uso de uma falsa democracia.

É uma grande nuvem escura acompanhada de raios e trovões que nos surpreendem e traz sentimentos de insegurança e tristeza, capazes de gerar o medo.

Por quanto tempo teremos que esperar que a nuvem passe e o céu brilhante volte para iluminar nosso futuro?

Therezinha Wolff

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