Hoje completa um ano do confronto entre professores da rede estadual de ensino com policiais militares no Centro Cívico de Curitiba. Na época a categoria estava em greve e reivindicava uma pauta extensa, na qual também discutia a previdência dos servidores públicos do Estado.
Os ânimos já estavam bem alterados desde o início da concentração dos professores e não demorou muito para começasse o confronto. Bombas de efeito moral foram lançadas contra os educadores, barreiras com cães da PM foram formadas em frente à Assembleia Legislativa e balas de borracha também eram atiradas contra a movimentação. A ação foi chamada pela categoria de “massacre” e desde o fim da greve a data ficou registrada no calendário dos profissionais da Educação. Salete Tonon, presidente da APP-Sindicato local, disse que o momento é preocupante e que existem manobras que tentam desqualificar o Sindicato quando o assunto volta ser discutido. “A nossa ideia é não esquecer essa data. Vamos lembrar todos os anos”, fala.
Da região serão enviados cinco ônibus para Curitiba. Conforme Salete pouco mais de 300 professores de União da Vitória, São Mateus do Sul, Paulo Frontin, Paula Freitas, Antônio Olinto, Cruz Machado, Bituruna e General Carneiro irão compor o coro na capital.
Lá o grupo se junta com outros professores do Estado e com representantes de outros 55 sindicatos e movimentos sociais do País que também irão participar do manifesto. “Eles vão em forma de apoio aos professores”, comenta a presidente.
No site da APP o sindicato fala em dia histórico e lembra do momento como uma “data trágica”. “O dia 29 de abril de 2015 entrou para a história do Paraná como uma data trágica, quando a nossa categoria (e companheiros e companheiras de outras categorias) sofreu um ataque brutal orquestrado pelo governo Beto Richa. A violência foi tão chocante que ecoou pelo mundo. Exatamente um ano após este fato, educadores(as) e servidores(as) públicos do Paraná, bem como representantes dos movimentos sociais e sindical, voltam às ruas para protestar. Será um dia de paralisação geral, aprovado pelos diversos sindicatos que compõem o Fórum das Entidades Sindicais (FES).”
O encontro em Curitiba está sendo organizado pelo Fórum de Lutas 29 de Abril, que é um grupo formado por diversas entidades e organizações que atuam na defesa dos Direitos Humanos e criado logo após a data. Os professores darão início a uma caminhada a partir do Centro em direção ao Palácio Iguaçu. A concentração será na Praça Santos Andrade, a partir das 8h30.
Para quem ficar será realizado, a partir das 17 horas, em frente ao campus da Universidade Estadual do Paraná (Unespar) de União da Vitória, um ato pacífico em apoio aos professores. O movimento está sendo organizado por acadêmicos e docentes da Instituição.
30 de agosto
O “Dia do Massacre” é comparado com outra data importante para a categoria. Em 30 de agosto de 1988, quando Álvaro Dias governava o Paraná, o Batalhão de Choque e a Cavalaria da Polícia Militar foram utilizados para dispersar educadores em greve que protestavam em frente ao Palácio Iguaçu, sede do governo estadual. A partir desse confronto, todos os anos, profissionais da Educação fazem eventos para relembrar a data.