
O plenário do Senado Federal se manifestou pela admissibilidade do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, em sessão que começou na manhã de ontem. A nova derrota da presidente já era esperada pelo governo e pelos senadores aliados. Na manhã de ontem o grupo mais próximo da presidente Dilma Rousseff já demonstrava pessimismo em relação à votação no Senado.
No final da manhã de ontem o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou pedido do governo para anular o processo de impeachment. Com a decisão, o Senado pôde manter a votação que decide pelo afastamento da presidente do Palácio do Planalto, Zavascki foi sorteado relator do caso na noite de terça-feira, 10, horas após a Advocacia-Geral da União (AGU) protocolar a ação. O despacho do magistrado foi divulgado no início da tarde de ontem. Segundo a assessoria do Supremo, a ação da AGU não foi levada ao plenário do tribunal na sessão desta quarta.
Na decisão, Teori Zavascki destacou que a alegação do governo de “desvio de poder” por parte de Cunha implica uma análise subjetiva, e que seria inviável comprovar, na análise de um mandado de segurança, se o presidente afastado da Câmara contaminou o processo de impeachment e, eventualmente, ultrapassou os limites da “oposição política”. O magistrado destacou ainda que a votação do processo de afastamento na Câmara obteve o aval de quase 370 deputados no plenário principal da Casa.

Imprensa acompanhou votação
De acordo com a assessoria do Senado, por ocasião da votação na Câmara dos Deputados, 52 jornais, rádios e TVs de 21 países do mundo estavam na capital federal para acompanhar o desfecho da crise. Os jornalistas credenciados circularam livremente pelos locais de maior concentração de senadores e lideranças políticas e puderam acompanhar os discursos dos senadores a favor e contra o impeachment. A imprensa de fora destacou, sem síntese, que “Dilma estava vivendo seus últimos momentos como presidente do Brasil”.
Dilma, Lula e Ministros
Dilma Rousseff passou a manhã de ontem reunida com seu assessor especial, Giles Azevedo, no Palácio da Alvorada. Depois a presidente decidiu convocar parte de seus ministros mais próximos para uma reunião no início da tarde na residência oficial da Presidência. Participaram do encontro os ministros Jaques Wagner (chefe de gabinete) e José Eduardo Cardozo (Advocacia-Geral da União), dois de seus principais conselheiros políticos.
Enquanto os senadores se revezavam nos microfones do plenário do Senado para se manifestar sobre o processo de afastamento, o chefe de gabinete de Dilma convocou os 32 integrantes do primeiro escalão para um balanço do governo no Palácio do Planalto. Segundo interlocutores de Jaques Wagner, ele pediu que os colegas da Esplanada dos Ministérios elaborem relatórios sobre o andamento de sua pastas para levar à presidente da República.
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende estar ao lado da presidente Dilma Rousseff quando ela deixar o Palácio do Planalto, hoje, ao ser notificada pelo Senado da provável abertura do processo de impeachment. A cerca de 1,3 quilômetro da residência oficial de Dilma, o vice-presidente Michel Temer passou a manhã de ontem reunido com conselheiros políticos e parlamentares aliados no Palácio do Jaburu. A ideia de Temer, segundo assessores do vice, é se manifestar em público somente após Dilma deixar a Presidência, não imediatamente depois da decisão do Senado.
Manifestantes acompanharam votação
Grupos contra e a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff se concentraram na área central de Brasília para a votação no Senado. Assim como no pleito na Câmara, os manifestantes serão divididos por um muro e um corredor de 80 metros ao longo da Esplanada. Cerca de 1,5 mil policiais militares fizeram a segurança na Esplanada nesta quarta-feira. Segundo o governo do DF, 150 policiais civis vão atuar durante o processo. Foram enviados reforços para a 5ª DP, na Asa Norte, delegacia que atende as ocorrências da Esplanada dos Ministérios. O governo do Distrito Federal destacou 160 bombeiros, 44 agentes de trânsito e dez servidores operacionais.
Manifestantes contrários ao impeachment se reuniram próximo ao Estádio Mané Garrincha. O diretor da Central Única dos Trabalhadores de Brasília (CUT) Julimar Roberto afirmou que 50 ônibus, com cerca de 2,5 mil pessoas, de todo DF e entorno estiveram no local para participar da manifestação nesta quarta. Favoráveis ao afastamento da presidente ficaram ao lado esquerdo do Congresso e se concentram perto do Teatro Nacional. Manifestantes pró-impeachment ficaram ao lado direito, com concentração no Museu da República.