
Cortar gastos e aumentar eficiência sem aumentar impostos e sem deixar de prestar os serviços públicos que dependem do Estado. Esse é o resumo da conversa de ontem à tarde do governador Raimundo Colombo com secretários, presidentes de empresas e técnicos. Colombo concedeu entrevista antes do início da reunião. Adiantou que apresentaria a situação dos demais estados, a desarrumação da economia e suas consequências sociais, além de uma projeção para o segundo semestre, que prevê com ainda mais dificuldades. “Tem que haver um trabalho de contenção e de equilíbrio nas contas públicas. Para isso temos que fazer uma gestão qualificada”, disse ao afirmar que precisa do comprometimento da equipe e que não quer agir por decreto para reduzir o custeio.
Ontem mesmo foram formados grupos para debater caminhos que levem à maior eficiência. Na próxima semana, cada grupo deverá apresentar medidas efetivas para encaminhamento ao grupo gestor do governo. De acordo com o governador, três áreas preocupam mais por apresentarem déficits: Saúde, pelo excesso de ações judiciais e também pela evasão observada nos planos privados, Segurança Pública e Educação. Diante da queda de arrecadação – em abril houve recuo de 1% sobre abril de 2014 –, a esperança do governador está concentrada na negociação da dívida com a União, com carência de um ano e pelo menos 50% de abatimento. Prorrogar a dívida não está nos planos de Colombo. “É alimentar um câncer por mais 20 anos.”
Mesmo diante do período de menor arrecadação, que se dá entre junho e agosto, todo esse esforço não é só para ajudar a atravessar 2016. De acordo com Colombo, sua preocupação já está em 2017. “A ideia é arrumar provisão agora, porque acho que 2017 vai ser mais difícil que 2016 e já teremos poucas ações a desenvolver.” A preocupação piora diante das incertezas no plano federal. Ele admitiu que não está animado com os rumos do governo sob o comando do interino Michel Temer. “Mudaram as pessoas, mas não mudou a lógica. Não houve uma mudança estrutural ou de prioridades.” Na opinião do governador, sem mudança na política, fica ainda mais sobrecarregada a economia.
Durante a reunião, Colombo mostrou que o Estado já conseguiu reduzir em quase 19% as despesas com material de consumo no último ano, equivalente a R$ 24,7 milhões e resultado da realização de pregões eletrônicos. As secretarias da Fazenda, da Administração e da Casa Civil renegociaram oito contratos e com isso preservaram R$ 32 milhões por ano nos cofres do governo. Material distribuído pela Secretaria de Comunicação informou que está sendo elaborado o projeto “Estado na Medida”, que prevê a mensuração da força de trabalho adequada e encaminhamento de projeto de lei com o novo número de funcionários. Em julho deve ser concluída a primeira etapa, referente às atividades meio de órgãos do Executivo.