A pessoa mais perigosa do mundo é aquela que não tem esperança. Em tempos de mudanças no comando do País e a necessidade cada vez mais urgente de dar um novo rumo à economia do Brasil, precisamos nos agarrar à esperança de dias melhores.
Hoje, se o Brasil pudesse ser retratado numa imagem, veríamos o rosto do abismo. A realidade econômica brasileira é alarmante. Vivemos a pior crise econômica de nossa história recente: o PIB brasileiro cairá 8% somados apenas 2015 e 2016. O PIB catarinense encolheu 4,1 % no último ano. A retratação atinge diretamente o caixa dos Estados e Municípios, que obviamente receberão menos recursos através de impostos. A combinação perversa se fecha com a inflação alta, superando 10% no último ano e indexando todas as despesas públicas. Ou seja: menos receita e mais despesas.
A imprensa nacional vem noticiando a quebra dos Estados e sua total insolvência. Nos hospitais, pacientes se acumulam nos corredores ou nem são recebidos, simplesmente não tem acesso à saúde. A segurança pública colapsa e provoca o aumento da criminalidade em todas as regiões. Mais de 1,5 milhão de servidores públicos não estão recebendo seus salários.
Em Santa Catarina, vivemos uma realidade diferente, fruto da qualidade da gestão pública e da ousadia de reformar estruturas e legislações. Ainda assim a profunda e inimaginável crise já se faz sentir entre os catarinenses. Nosso Estado até poderá ser o último da fila, mas também quebrará se nada mudar na conjuntura nacional.
É hora de o Brasil voltar a crescer. É hora de ter esperança na mudança de rota. Que o novo Governo Federal tenha a consciência de que não precisamos aumentar ou criar impostos para tapar buracos financeiros. Precisamos de crescimento econômico. Crescimento que somente acontecerá se houver competitividade e aumento da produtividade. Crescimento que virá se voltarmos a ser um País previsível, coerente com regras de negócios, com segurança jurídica, que respeite o investimento privado. E, por fim, crescimento econômico que somente acontecerá se o Governo Federal libertar os Estados da pesada dívida pública que os sufoca e os leva à quebra.
Antonio Gavazzoni é secretário de Estado da Fazenda e doutor em Direito Público
(contatogavazzoni@gmail.com)