Desde a quinta-feira, 30, está proibida a venda de lâmpadas incandescentes no Brasil. O Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) começou a fiscalizar ontem, por meio dos institutos de Pesos e Medidas (Ipem) estaduais, estabelecimentos comerciais que ainda tenham à disposição lâmpadas incandescentes com potência de 41 watts (W) até 60 W. Quem não atender à legislação poderá ser multado entre R$ 100 e R$ 1,5 milhão.
A restrição foi estabelecida pela Portaria Interministerial 1.007/2010, com o objetivo de minimizar o desperdício no consumo de energia elétrica. Uma lâmpada fluorescente compacta economiza 75% em comparação a uma lâmpada incandescente de luminosidade equivalente. Se a opção for por uma lâmpada de LED, essa economia sobe para 85%.
Em Porto União a loja Weber Materiais Elétricos já não vende mais esse tipo de lâmpada, antes mesmo da venda ser proibida. Segundo o gerente da loja, Mauro Marques, o que tinha em estoque saiu, e rápido, já que os clientes que costumavam levar as incandescentes eram “mais velhos”. “O que a gente orienta para quem ainda tem esse tipo de lâmpada em casa é que vá trocando conforme for queimando, já por uma mais moderna”, comenta.
As mais modernas são as compactadas e de LED. O preço delas é maior com relação as incandescentes, que chegavam a ser comercializadas por até R$ 3. “As compactadas hoje custam em média R$ 11, já as de LED, que são as mais modernas, custam em média R$ 15, mas no começo chegaram a custar até R$ 30”, lembra Marques.
Em União da Vitória, na loja Herbert Materiais de Construção, ainda tem algumas incandescentes em estoque. Segundo o gerente, Emerson Cecchin, o material já faz um ano que não pode ficar exposto nas prateleiras e as vendas foram diminuindo até por parte do fornecedor. “Alguma coisa ainda temos, mas é o pessoal que vem e pede especificamente, mas não compramos mais as incandescentes”, afirma.
A troca das lâmpadas incandescentes no Brasil começou em 2012, com a proibição da venda de lâmpadas com mais de 150W. Em 2013, houve a eliminação das lâmpadas de potência entre 60W e 100W. Em 2014, foi a vez das lâmpadas de 40W a 60W. Este ano, começou a ser proibida também a produção e importação de lâmpadas incandescentes de 25W a 40W, cuja fiscalização ocorrerá em 2017.
Fiscalização
Segundo o responsável pelo Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE) do Inmetro, engenheiro Marcos Borges, a fiscalização tem caráter educativo, porque os comerciantes foram orientados sobre a proibição desde o ano passado. “Por isso, entendemos que o impacto não é brusco para os comerciantes, porque eles já vêm sendo instruídos nesse sentido desde a assinatura da portaria, em 2010.”
Borges informou que, desde o apagão de 2001, o Inmetro desenvolve um programa de educação do consumidor brasileiro, no qual mostra que as lâmpadas incandescentes duram menos e consomem muito mais energia do que, por exemplo, a lâmpada fluorescente compacta. “Ficou claro para o consumidor que a lâmpada fluorescente compacta era muito mais econômica que a incandescente.”
Economia
Ele citou, como exemplo, o caso de uma casa com dois quartos que usaria em todos os cômodos lâmpadas incandescentes de 60W. “Elas gerariam valor em um mês de R$ 20 a R$ 25 para iluminar a casa. Ao trocar por uma lâmpada equivalente fluorescente compacta, essa conta cairia para R$ 4 ou R$ 5 em apenas um mês. O consumidor entendeu isso e, ao longo do tempo, já vai deixando de usar esse material.”
Números do Inmetro mostram que, em 2010, 70% dos lares brasileiros eram iluminados pelas incandescentes. Agora, somente 30% das residências usam esse tipo de lâmpada, que não podem mais ser comercializadas no Brasil, seguindo recomendação da Agência Internacional de Energia (AIE).