ANTICONCEPCIONAL: Medicamento pode desenvolver trombose e AVC

Cuidados com o comprimido são diários e começam na consulta com o ginecologista. Mulheres com problemas de circulação são proibidas de tomar o medicamento

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Atualizado há 10 anos

Mesmo sendo o método contraceptivo mais usado entre as mulheres, a pílula anticoncepcional ainda requer muitos cuidados, que nem sempre são apresentados para quem toma.

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Ginecologista Ary Carneiro Júnior. (Foto: Bruna Kobus).

Usar o método contraceptivo hormonal, como é o caso da pílula anticoncepcional, pode trazer muitos benefícios como, também, algumas reações adversas. Em casos comuns, segundo o ginecologista Ary Carneiro Júnior, a mulher consegue identificar logo nos primeiros meses a falta de libido, ou o aumento dela, a falta de apetite, mas também um “excesso” de vontade, dores de cabeça, náuseas e até alteração no humor, além de dores mamárias. “Tem paciente que chega no meu consultório e fala ‘doutor, estou tomando o anticoncepcional e parece que estou mais estressa, irritada’, isso pode acontecer. São os fenômenos mais comuns”, afirma.

Ainda segundo o especialista as reações adversas quando se toma o anticoncepcional podem variar de uma mulher para outra e não são sentidas tão cedo. A indicação é acompanhar as reações do organismo. “O comprimido anticoncepcional é manipulado através de substâncias químicas que são hormônios. Hormônios muito parecidos com os que a mulher produz, que são os estrogênios e os progestogênios. O anticoncepcional pode ser de uma forma só, ou só de progestogênios, ou eventualmente ser de progestogênios e de estrogênios, comprimidos combinados”, explica. “Acontece que o organismo de cada ser humano reage de uma maneira diferente, não existe uma regra se o anticoncepcional vai fazer mal ou não, você só identifica à medida que a pessoa faz o uso. E é evidente que aquela mulher que apresenta fenômenos mais raros, elas devem ir rapidamente ao seu ginecologista para saber se a causa desse problema está relacionado com o uso do comprimido”, alerta.

Esses “fenômenos” podem ser tanto os comuns, quanto os mais perigosos. Nessa lista entram perca de cabelo, problemas renais e varizes. É nesse último caso que surgem os problemas tromboembólicos. Exemplo disso é a publicitária Ana Jablonski, de 24 anos, que só descobriu que estava com trombose depois de uma forte crise de rim. “No começo do ano eu tive uma infecção forte no meu rim direito, fui para o hospital e fiquei internada cerca de oito dias para tratar. Na época eu ainda tomava os comprimidos e estava terminando uma cartela. Ainda internada, eu fiquei com um problema na minha coluna. Eu sempre pratiquei esporte e fiz academia, aí como fiquei internada sem poder sair direito da cama minha, a coluna travou e eu fiquei sem andar por uns 3 dias”, lembra. “Passando isso eu fui para casa, era uma quinta-feira. Na sexta de manhã quando fui levantar da cama, pisei no chão e senti uma dor forte no meu pé direito, parecia que eu tinha torcido. Eu fiquei com essa dor no pé durante o final de semana e ela foi subindo pela minha perna. Na segunda, quando tinha que voltar ao trabalho, eu já nem estava mais pisando no chão direito. Fiquei assim até na quinta-feira quando a dor ficou insuportável e eu não conseguia mais andar”, comenta.

Quando Ana voltou ao médico ele pediu para deixar a perna levantada e, caso não desinchasse, era para retornar ao consultório, porque poderia ser trombose. E era. “Em outro dia fui no ortopedista que fez um Ecodoppler – um exame de imagem que avalia as artérias ou veias – e deu positivo. Fiquei muito assustada, porque isso mata”, conta.

A publicitária fez o tratamento, hoje já não tem mais o problema, mas toma medicamento diariamente, além de usar uma meia de compressão e não poder mais tomar o anticoncepcional. “Segundo o médico talvez a causa maior não foi o anticoncepcional, mas ele teve colaboração com certeza para isso acontecer”, fala. “Não estou usando nada agora, estou proibida de tomar para sempre. Eu troquei de pílula umas três vezes. Acho que usei uns nove anos e fazia algumas pausas, mas elas eram de um mês só de 6 em 6 meses ou de um ano”, conta.

Ainda segundo Ana ninguém havia a informado sobre os perigos do medicamento. “Sobre correr o risco de ter uma trombose nunca ninguém falou, nem ginecologista e nem minha mãe ou pessoas que eu conhecia, eu também não conheci ninguém que tivesse, antes de acontecer comigo. A única coisa que eu sabia sobre usar era sobre os hormônios, mas isso é natural do remédio”, relata.

Outro caso é de Ana Carolina Tomko Nunes. Ela tem 30 anos e depois que teve a segunda filha resolveu tomar o comprimido.

A artesã já sentia que o medicamento não fazia bem. Com quadros seguidos de dores de cabeça e tontura a situação só se agravou. “Um dia acordei com dor na perna, pensei que era uma torção. Deixei e depois de uma semana minha perna dobrou de tamanho, super inchada e quente e o pé gelado, já não tinha mais circulação”, conta.

Já no hospital foi internada de emergência e ficou nove dias em tratamento. “Fui internada no sábado já estava tomando medicamento para trombose, mas só na segunda fiz um exame que confirmou: trombose venosa profunda na perna esquerda”, lembra. “Aí perguntei para vários médicos e todos falaram que a causa era o anticoncepcional”, afirma.

Assim como no caso da publicitária, Ana precisou parar de tomar o contraceptivo, não pode ganhar peso e nem engravidar, porque a trombose pode voltar a se desenvolver. “Eu sabia que o anti podia dar reações, mas uma trombose não”, conta.

No caso delas a indicação é usar outro método contraceptivo que não seja hormonal. Segundo o ginecologista Ary Carneiro Júnior, o pedido é para que usem métodos mais mecânicos, como é o caso de camisinhas, tanto feminina quanto masculina e até mesmo o DIU, que é um dispositivo intrauterino.

Contraindicação

Antes de começar a tomar o anticoncepcional a orientação, independente da idade, é consultar um especialista. No consultório serão feitos exames que indicam se a mulher pode ou não tomar o medicamento. “Se a paciente tem varizes, por exemplo, essa é uma contraindicação de usar o anticoncepcional. Essa mulher nem deve começar”, alerta.

Carneiro Júnior explica que o anticoncepcional de estrogênio, principalmente, tem uma ação “adesivo plaquetária”, que faz com que as hemácias “se grudem” umas às outras e tem uma tendência de criar êmbolos. “Criar trombos que vão dar desde pequenas varizes, mas problemas extremamente perigosos como AVC ou infarto agudo do miocárdio”, explica.

Se a paciente tiver lesão de colo uterino, o anticoncepcional também é proibido, pois pode aumentar o risco de desenvolver um câncer. “Por isso toda mulher deve ir ao ginecologista, não importa a faixa etária. Lá ela avalia o colo uterino, avalia os seios e os ovários. Se nada estiver errado pode começar a tomar o medicamento indicado pelo médico, se não, ela tem de fazer o tratamento ou encontrar outro método contraceptivo.”

Mulheres com mais de 40 também estão proibidas de tomar a pílula. Segundo o especialista a partir dessa idade alguns “fenômenos” acontecem no organismo da mulher que podem aumentar a possibilidade de problemas vasculares. Nesse caso, também, devem ser utilizados outros métodos que não sejam hormonais.

Pílula: uma amiga da mulher

No entanto, a pílula também é uma ótima alternativa para mulheres que não querem engravidar. Se o anticoncepcional for usado de maneira correta, pode proporcionar diversos benefícios para a mulher. Por isso, mais uma vez, é importante consultar um ginecologista para que indique a pílula certa.

  • Não use a mesma pílula prescrita para a sua irmã ou amiga, sem orientação médica. Somente um médico pode dizer a marca e o tipo que melhor se adapta a você.
  • Se tomada de forma correta, a pílula começa a fazer efeito a partir do primeiro dia de uso.
  • Siga as orientações do seu médico sobre em que dia do seu ciclo você deve iniciar o tratamento. Este dia varia de acordo com a dosagem de hormônios do produto.
  • Se informe sobre os efeitos colaterais que a pílula que você usa pode causar. A maioria das mulheres não sente nenhuma alteração, mas algumas podem ter sintomas como dor de cabeça constante, náuseas, aumento de peso, entre outros.
  • Durante a pausa entre uma cartela e outra, a contracepção continua valendo.
  • Lembre-se: a pílula anticoncepcional protege apenas da gravidez. Portanto, pode e deve ser associada à camisinha para evitar o contágio de doenças sexualmente transmissíveis.

A eficiência da pílula também pode ser diminuída por: esquecer-se de tomar uma ou mais vezes; atraso em começar nova cartela; má absorção gastrointestinal devido ao vômito ou diarreia ou interação com outros medicamentos que diminuem os níveis de estrogênio ou progesterona.

  • Informações do Ministério da Saúde

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