Professora do Vale do Iguaçu vai à África em trabalho voluntário

Mas antes ela precisa de doações. Com foco no ensino bilíngue material de apoio serão gibis da Turma da Mônica

·
Atualizado há 10 anos

CAROLXX1X
Caroline trabalha há dois anos com ensino bilíngue. Para ela a melhor forma de se aprender uma língua é vivenciando ela

A professora de inglês, Caroline Rodrigues, de União da Vitória, segue numa aventura pela África. Mais especificamente, pela África do Sul, na Cidade do Cabo. A “teacher” vai lecionar inglês como voluntária para crianças da comunidade de Vrygrond, uma área carente da capital sul africana.

Caroline, que já enfrenta a sala de aula há quase seis anos e estuda o bilinguismo, letramentos a partir da ludicidade e ensino de língua estrangeira em plataformas digitais, participa do Volunteers HQ na África do Sul com seu projeto Letramento em Quadrinhos. Para trabalhar como voluntária ela precisou pagar as passagens aéreas e mais alguns dólares pelas semanas que ficará por lá. No caso dela, será um mês de atividades, com embarque no dia 28 de dezembro e retorno ao Brasil no dia 29 de janeiro do próximo ano.

Contudo, sua experiência lá fora precisa de uma mãozinha ainda em solo brasileiro. A professora irá lecionar em uma das 3 escolas públicas de Vrygrond. As crianças de 6 a 12 anos que participam do projeto falam línguas de sua comunidade, entre elas o Africâner, que é uma das línguas oficiais da África do Sul, além da língua inglesa, idioma oficial do país. “Pretendo levar comigo 50 gibis da Turma da Mônica para ler e interagir com os alunos. O objetivo do projeto Letramentos em Quadrinhos é levar a leitura em língua inglesa para crianças carentes bilíngues a fim de que elas não se sintam obrigadas a estudar uma língua imposta pelo governo, mas descubram novas maneiras de se comunicar, novas canções, novas leituras que o aprendizado do idioma pode lhes proporcionar”, explica.

Esses 50 gibis serão arrecadados por doações. A professora já conseguiu parceria com uma banca de União da Vitória, mas também criou um site para divulgar o projeto. Funciona assim: no site tem um espaço para cadastro. Nessa aba é necessário preencher nome e e-mail depois ir até a Stop Banca, que fica na Rua Cruz Machado, em União da Vitória. Lá o doador precisa reservar um gibi pelo valor de R$ 4,30. O lote doado às crianças será retirado após o pagamento dos 50 exemplares. “Após o término do meu programa de voluntariado, todos os livros serão doados para a biblioteca da escola para que esse legado seja deixado para outros voluntários que passarão por lá”, adianta. As doações podem ser feitas até outubro, só então a encomenda na editora será feita. “As pessoas deixam seus nomes na lista de participação na página do projeto e se dirigem até a banca para pagar os gibis que doará. Certamente posso receber esse valor eu mesma, mas minha preocupação está em passar segurança para os doadores: em nenhum momento estão pagando minha viagem ou algo para meu benefício, estão contribuindo com o projeto que envolve diretamente as crianças. Ao fim do meu programa voluntário, todos os livrinhos serão doados à biblioteca da escola a fim de que os pequenos continuem usufruindo das histórias”, argumenta Caroline.

A ideia é levar, aprender e, também, aplicar lá na África o ensino bilíngue. Caroline trabalha há dois anos com essa ideia e desenvolve estudos de letramento com base nessa área, contudo, não com o auxílio de apostilas, mas sim, da vivência do aluno em sala. “Os estudos recentes sobre letramentos que venho realizando me mostraram que ensinar inglês por essa perspectiva é bem diferente de alfabetizar. Os autores explicam que é uma forma social de adquirir a linguagem a partir das práticas, dos usos da língua em si. Vai além daquilo de sentar na carteira, copiar e completar exercícios, decodificar as letrinhas. É uma prática da língua viva, o que venho desenvolvendo nesses últimos dois anos na educação infantil, brincadeiras, leituras, canções, atividades lúdicas mediadas pela língua inglesa”, explica.

CAROLXX2XE o projeto Letramentos em Quadrinhos tem esse objetivo. O material é fácil de transportar, o valor é baixo e as histórias são “coloridas”, que chamam ainda mais a atenção dos pequenos. Para Caroline as crianças podem realizar leitura, além das palavras, dos balões de fala e pensamento e das expressões faciais com um material muito mais abrangente que uma apostila.

Check-in África

Apesar de lecionar inglês há seis anos em sala de aula, Caroline queria mais. Pensou em fazer intercâmbio no Canadá, mas logo percebeu que se fosse para estudar, por aqui ela também poderia seguir um planejamento, então, pensou em ir além. “Sinto há algum tempo uma inquietação, uma necessidade de chegar a outras crianças que também estejam apendendo a língua inglesa e levar a elas minha amizade, mostrar que aprender um idioma faz muito mais sentido quando nos divertimos juntos”, fala.

A África do Sul foi rapidamente colocada na programação, por ser um país multilíngue. “Como a Língua Inglesa é o idioma oficial do país, gostaria de saber como os alunos encaram essa “imposição” do aprendizado, como eles se comportam diante do estudo de uma língua que não é a língua natural da comunidade em que vivem. Estudar essas políticas linguísticas me dará uma luz para nortear meu trabalho como docente aqui no Brasil, refletindo sobre estratégias para o ensino onde o professor não fala a língua materna do grupo e sempre pensando no aluno, a maneira que ele vê esse estudo da língua: uma imposição ou uma oportunidade de descobrimento”, questiona.

Volunteers HQ

International Volunteers HQ – volunteerhq.org – é um programa de voluntariado que leva todos os anos pessoas dispostas à novas aventuras para mais de 30 países. Nesses lugares os voluntários doam tempo e sua boa vontade para ajudar em mais de 12 projetos que vão desde assistência em hospitais à construção de casas para desabrigados.

É necessário pagar as passagens e cerca de 250 dólares por semana que o voluntário pretende atuar, o valor depende muito do país visitado. Com esse valor, os voluntários recebem estadia, três refeições ao dia e também são levados à escola todas as manhãs. A inscrição é bem fácil, pois eles recebem milhares de pessoas todos os anos e tentam ajudar ao máximo aqueles que pretendem doar seu tempo, suas habilidades, e seu dinheiro às causas humanitárias.

Fique sempre atualizado

Entre no nosso grupo do WhatsApp e siga nosso perfil no Instagram para não perder nenhuma notícia!