Encontro no Alto – Lili Matzenbacher

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Atualizado há 10 anos

Ela levou-me até o pequeno jardim para apreciar suas belas orquídeas.

Entre outras plantas e potes de barro cinculando falava ser ali o refúgio onde se recuperara de um grave acidente automobilístico.

Logo ela, dizia, que tantas viagens fizera pelas estradas do País.

Para aceitar tal infortúnio na vida, a fé que aprendera a sentir desde a infância, o amor a Deus e o respeito para com Ele, a encorajaram apreciando o belo.

Relembramos os dias felizes no Grupo Escolar Professor Balduíno Cardoso e os do Grupo Escoteiro Iguaçu, de cuja fundação seu pai fora pioneiro.

O tempo era curto para falarmos de coisas já vividas. Mas suficiente para trazermos de volta as alegrias vividas quando ela, coordenadora do SESI, criara o Concurso de Fanfarras em Porto União e União da Vitória. Belas tardes dos 7 de Setembro em que pela manhã as turmas desfilavam pelas ruas e ás 16:00 horas reuniam-se na praça Hercílio Luz em disciplinadas evoluções ao som dos instrumentos desde os mais simples aos mais complexos.

Não foram esquecidos os maravilhosos Encontros de Serestas do qual participamos, eu, meu marido e um grupo de amigos cantores e músicos, com apresentações em vários municípios, inclusive no programa do Teatro Paiol, em Curitiba, quando de sua inauguração.

Também os cursos e a biblioteca organizados no SESI que favoreceram a aprendizagem e proporcionaram para quantos o início de uma profissionalização.

Afinal, era ela a professora, pesquisadora da história e preservadora da cultura que permitia-nos um diálago.

Hoje, 4 de agosto, às 14:00 horas ela nos deixou sem uma palavra, um aceno de adeus.

Havia cumprido a missão terrestre com empenho e dinamismo aos quais se propôs.

Fica a saudade da professora, aquela que especializou-se em psicodrama pedagógico e sobre o assunto publicou “Convite ao Encontro”.

A pesquisadora que fez um levantamento sobre os Arquivos da Paróquia Sagrado Coração de Jesus a qual publicou com o título “Um Pouco da História”.

A coordenadora da Associação da Faculdade da Terceira Idade, a FATI, na qual dedicou-se para trazer palestrantes que versaram sobre diferentes assuntos visando o bem estar, a boa qualidade de vida para o grupo. Jamais esquecendo também de trazer músicos, cantores e poetas em datas festivas e cívicas, bem como programar e realizar várias excursões para deleite dos idosos.

A Cidadã Benemérita de Porto União e patronesse da Biblioteca do SESI, instalada que foi no espaço onde está hoje a Associação Comercial e Industrial do Município.

A historiadora e coordenadora dos acadêmicos da então Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de União da Vitória, a FAFI, na obra ilustrada “Monumentos de Porto União e União da Vitória”, até hoje fonte de consulta sobre os mesmos.

A Confreira fundadora da cadeira número 33, da Academia de Letras do Vale do Iguaçu, a ALVI, que escolheu como patronesse uma também professora, Amazília Pinto de Araújo, pela história importante que representa no contexto educacional destas duas cidades.

Com certeza percorreu, merecidamente uma senda paumilhada e perfumada com as flores que alimentou e deu carinho.

Pelo muito que se dedicou também a sua religião, lá onde as estrelas brilham deverá encontrar confrades e confreiras da ALVI que a receberão com a música, a poesia e o conhecimento que nos deixaram: Alexandre Drabik, Gassoub Domit, Helena Klotz, Ieda Cordeiro Ramirez, Neli Sicuro, Nelson Sicuro, Francisco Filipak, Willi Carlos Jung, aos quais a amiga e inesquecível Lili Matzbacher levará o nosso fraterno abraço.

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