
Prestes a completar 66 anos – o aniversário é dia 21 – Cordovan Frederico de Mello Júnior, o “professor Cordovan”, é referência em qualidade de vida. Nem de longe se compara com outros “idosos”, que compartilham a mesma idade. Nem de longe é idoso. Na verdade, o perfil de Cordovan é digno de inveja até para garotões de academia.
A balança já revela sua condição física: desde o alistamento miliar, ele mantém o mesmo peso. “Já tive um pouco menos peso, mas geralmente fica na casa dos 68 e 70 quilos”, sorri Cordovan. O resultado é fruto de uma vida adotada muito cedo, ainda menino. “Quando éramos jovens não tínhamos essa tecnologia que hoje se tem. Nós tínhamos que criar nossas brincadeiras e acabou que desde cedo me inseri no esporte e não sai mais”, conta.
Nasceu aí um amor verdadeiro. Cordovan saiu de União da Vitória apenas para estudar. Em Curitiba, em 1971, se formou em Educação Física e antes mesmo da conclusão do curso já dava aulas na capital. Voltou para a “terrinha”, onde toda sua família tem raízes e no passado influenciou, inclusive, no desenvolvimento regional, para continuar em sala de aula. No currículo, carrega também a experiência de ter sido preparador físico do Iguaçu, time de futebol local, durante 20 anos. E o que ensinava, fazia. “Sempre participei de jogos, jogava pelo Túlio, jogava vôlei, basquete e futebol, porque todo brasileiro tem que pelo menos correr atrás da bola”, diz.
Como rotina, mantém dieta equilibrada, vitamina logo às 7 horas da manhã, boa noite de sono e exercícios. Para Cordovan, o segredo é a manutenção da rotina, temperada com a diversificação da atividade. Embora frequente academia, o professor também joga bola nos finais de semana e no verão, encara as piscinas. Quando viaja, leva sua rotina de exercícios na mala. “Na praia, por exemplo, até volto mais magro porque lá também faço exercícios, jogo, pratico o stand up paddle”, explica.
Para trabalhar ainda mais a musculatura, adotou há dois meses um método intensivo de treino. Cordovan escolheu o Morro do Cristo, cartão-postal de União, como cenário. “Vou de carro até o pé da escadaria. Aí, subo dez vezes os 224 degraus, de várias maneiras. Desço normal e subo novamente”, conta. Haja fôlego: neste circuito, o professor gasta entre 50 e 60 minutos e muitas calorias. De lá, sai com a alma lavada. “Toda pessoa tem que ter uma hora do dia para si. O que é isso? Para mim, é a atividade física e quanto mais diversificada, melhor”, ensina o professor que, inevitavelmente, mesmo contra sua vontade, é comparado ao lutador Rocky Balboa. “A contração muscular favorece a descontração nervosa”, sorri.
Na história e na política

Colecionador aficionado por peças e documentos antigos, Cordovan respira cultura. Começando pelo seu endereço. O professor mora no mesmo endereço desde que nasceu. A casa não é mais a mesma: foi substituída por um imóvel maior mas, ainda na Rua Castro Alves, no centro. Nela, um arquivo impressionante de relógios, máquinas de escrever, telefones, moedas, cristais e documentos perpetuam a história da cidade.
O apreço por tudo isso é de família. O avô e o pai de Cordovan atuaram na política. Com ele, não poderia ser diferente. Aos 50 anos, foi eleito vereador. Aturou em duas legislaturas, foi o mais votado em ambas as campanhas. Na luta pela cultura, ocupa uma cadeira na Academia de Letras Vale do Iguaçu (Alvi): Cordovan é autor de dez livros, todos com temas diferentes.
Hoje, com a rotina mais flexível e uma saúde impecável, embora ainda lecione nos colégios São José e Lauro Müller Soares, dedica a maior parte do tempo à família – ele tem um casal de filhos – e à única netinha. A baixinha é filha de Cordovan Neto, discípulo do pai na carreira de educador físico. E sim, não descuida da saúde, nem por um minuto. “O estresse é a maior doença do século e os médicos orientam a prática do exercício físico. Todos podem fazer isso, com orientação e diversificando as atividades”, indica.