Na primavera combate ao Aedes aegypti deve ser redobrado

Alerta é da Fiocruz já que na estação é muito comum períodos de chuva e calor intenso

·
Atualizado há 10 anos

Com a chegada da primavera e o começo da estação chuvosa em boa parte do País, os locais propícios para a criação do mosquito Aedes aegypti se multiplicam e a população deve se mobilizar para eliminar os focos. O alerta é do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz). O mosquito é o vetor dos vírus da dengue, zika e chikungunya.

De acordo com a pesquisadora do Laboratório de Biologia Molecular de Flavivírus do IOC/Fiocruz Denise Valle, a elevação da temperatura é outro fator que favorece a proliferação do Aedes aegypti nesta época do ano. “Não só a chuva, mas também a temperatura, que começa a aumentar. O Aedes aegypti é sensível a essas duas coisas. Quando tem chuva aumenta a oferta de criadouros e quando a temperatura aumenta, aumenta a velocidade do desenvolvimento dele”, explicou.

Wagner de Moura, da Vigilância Sanitária de União da Vitória, também confirma esse cenário e compartilha o alerta. “Agora que começa a esquentar o pessoal tem de cuidar bastante onde pode acumular água, porque o calor favorece o crescimento do mosquito”, pede. “Mas ainda tem gente que não acredita que o mosquito está por aí, por isso é bem provável que a gente tenha novos focos e casos na cidade nesse período quente”, adianta.

O trabalho da Vigilância tem se intensificado desde o início do ano, quando à pedido do Ministério da Saúde, os ciclos de visitações aumentaram. Esses ciclos continuaram ainda no inverno, quando agentes epidemiológicos orientaram a população sobre as precauções que devem ser tomadas, também, nos períodos mais frios. Conforme a Vigilância é nos períodos frios que o cuidado deve ser ainda maior, isso porque os ovos do mosquito podem ficar “em dormência” e em qualquer sinal de calor eles se desenvolvem.

GrXXficoXSintomasO mosquito leva de sete a dez dias para se desenvolver de ovo a adulto e, segundo a Fiocruz, a forma mais eficiente de evitar surtos das doenças transmitidas por ele é eliminar o ciclo de vida do inseto. “Principalmente agora, na primavera, a gente tem muita chuva e as pessoas estão acostumadas a olhar os seus espaços de forma burocrática, o pratinho de planta, o vaso, o ralo. Mas quando começa a chover muito, começa a acumular água onde normalmente não tinha. E como o Aedes só precisa de criadouros temporários, basta que a água fique ali por uma semana que isso já é suficiente para que os ovos ali depositados virem adultos.”

A inspeção em casa deve se tornar um hábito semanal. O olhar atento deve ser voltado para locais menos óbvios que podem acumular água. “Onde tem água? As pessoas costumam olhar para baixo e a gente sempre esquece dos criadouros em cima. Por exemplo, bandejas de ar-condicionado, as calhas, ainda mais agora que passou o inverno, elas acumularam muitas folhas, aí vai chover, vai acumular água ali. Mesmo um pouquinho de água com aquela matéria orgânica que está ali, vai ser o suficiente para gerar às vezes centenas de mosquitos”, alerta a Fiocruz.

Ainda conforme a Fiocruz, uma inspeção semanal de dez minutos é suficiente para eliminar os criadouros domésticos, que representam por cerca de 80% do total.

Casos

Em União da Vitória, conforme a Vigilância Sanitária, foram registrados até agora 118 focos do mosquito. Contudo, desde o último boletim divulgado pelo Laboratório Central do Estado do Paraná (Lacen), nenhuma pessoa foi infectada pelo mosquito. Lembrando que a cidade deixou de ser a única da 6ª Regional de Saúde a não ter casos autóctones, quando o paciente é infectado no município onde mora, em abril. Sobre a suspeita a Vigilância Epidemiológica e Sanitária da cidade foram notificadas ainda em fevereiro, quando um morador do Distrito de São Cristóvão apresentou os primeiros sintomas do vírus.  O homem infectado passou por tratamento e teve boa evolução no quadro clínico, segundo a Vigilância. A Vigilância Sanitária também visitou, na época, áreas frequentadas pelo paciente e realizou bloqueios de emergência num raio de 150 metros de sua casa.

Do lado de Porto União os focos também se mantêm estáveis. Desde o começo do ano foram registrados pelas Vigilâncias Epidemiológica, Sanitária e Ambiental, 124 focos.

Fique sempre atualizado

Entre no nosso grupo do WhatsApp e siga nosso perfil no Instagram para não perder nenhuma notícia!