ENSINO MÉDIO: Alunos secundaristas ocupam escola em União da Vitória

Contra medida provisória que prevê mudanças no Ensino Médio, alunos ocuparam o Colégio São Cristóvão na tarde de ontem. Movimento segue pauta nacional

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Atualizado há 10 anos

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(Foto: Bruna Kobus).

No começo da tarde de ontem alguns alunos e integrantes da União Municipal dos Estudantes Secundaristas (UMES) e da União da Juventude Socialista (UJS) ocuparam o Colégio Estadual São Cristóvão, em União da Vitória. Durante à tarde reuniões foram realizadas entre professores, direção, Conselho Tutelar e, também, com a promotoria, para esclarecer a legitimidade do movimento.

A ocupação foi definida após dois atos realizados na semana passada, quando os alunos saíram em passeata pelas ruas de União da Vitória contra a medida provisória que prevê mudanças no Ensino Médio.

Até o final da tarde de ontem a organização da ocupação não havia conquistado o apoio da maioria dos alunos. No Colégio estudam mais 1.400 pessoas entre Ensino Fundamental e Médio, nos três períodos. Em reunião com o promotor Júlio Riberio de Campos Neto, da promotoria de União da Vitória, ficou decidido que hoje serão realizadas reuniões com estudantes durante o dia para buscar pelo apoio. Isso deverá ser registrado em forma de abaixo assinado, com nomes dos alunos que apoiam a ocupação. Ainda na reunião Campos Neto explicou que como a maioria dos ocupantes, em especial dos organizadores, são menores de idade, outros menores de 16 anos, esses devem ter a permissão dos pais ou responsáveis para realizarem a ocupação.

Conforme a organização, no entanto, mesmo sem essas questões legais, eles irão continuar no Colégio até que a medida provisória seja discutida amplamente ou, em caso extremo, quando for expedido um pedido de Reintegração de Posse do espaço. Eles ainda afirmam que pais e responsáveis estão conscientes da ocupação e pedem o apoio da comunidade escolar.

Ainda segundo a organização a ocupação está dividida em quatro setores: o da comunicação, da limpeza, segurança e alimentação. Eles pedem o apoio dos pais para que também ajudem na ocupação com a doação de comida, pois os alunos não irão utilizar a comida da escola. Segundo a UMES enquanto houver a ocupação os alunos terão aulas fora das salas. Oficinas de Hip Hop, grafite e capoeira são algumas que estão no cronograma do movimento.

Do outro lado a direção do São Cristóvão não é a favor da ocupação. Segundo a diretora, Sara Corrêa, existem outras medidas de mudança. “Apesar de ser um movimento legítimo, para nós é complicado porque não é só ocupar o Colégio, existem várias outras formas bem mais produtivas quando se é feita pela conversa e diálogo”, disse. “Dessa forma não conseguimos nenhum avanço com eles, e eles estão prejudicando não só os professores e a comunidade, como também os próprios amigos e colegas do Colégio São Cristóvão”, completou.

IMG_0682Conforme Sara muitos pais chegaram a levar seus filhos para casa quando tomaram conhecimento da ocupação. “Os ocupantes alegam que os alunos terão aulas diferenciadas, fora da sala de aula. Mas, eles estão atrapalhando as aulas da Escola José Moura, que é municipal. Estamos nos sentindo muito prejudicados”, disparou.

Ainda conforme a direção alguns integrantes do movimento revistaram as mochilas dos alunos que entraram no Colégio. “Isso é ilegal, não poderia”, afirmou Sara. Por outro lado, os ocupantes afirmam que a ação foi necessária como medida de segurança. “Nós não estamos aqui fazendo baderna. Isso aqui é um movimento pacífico e em apoio aos alunos”, reafirmou uma das ocupantes.

Sobre o modelo de aula durante a ocupação, até o encerramento desta edição, ainda não havia sido formulado. “Dizem que vão trazer pessoas para darem aula de uma forma mais consciente aos alunos. Mas um colégio como o nosso, com mais de 1.400 alunos, é complicado você não trabalhar dentro da sala de aula. Não manter uma organização, não manter uma disciplina e nós não estamos tendo nada disso”, contrapõe a direção. “O Colégio sempre foi tão aberto às negociações e discussões e infelizmente essa ocupação não é nenhum pouco produtiva para nós, nem para os nossos alunos”, diz Sara.

“Os alunos que estão aqui, a maioria deles, não são alunos nossos, estão se aproveitando do movimento, usando isso de uma forma partidária de crítica ao Governo e não buscando o direito dos alunos. Segundo ponto, nós queremos manter a integridade do prédio, vamos cuidar para não acabar sendo vandalizado”, disparou.

Segundo a direção do Colégio um mural foi pichado durante a ocupação na tarde de ontem. A conta será enviada para os alunos e organizadores do movimento, garantiu Sara.

Já para os alunos que estão participando da ocupação os pais foram, sim, informados, além de o movimento não ter nenhuma bandeira política. “Não tem nenhum poder político nem nada, partiu dos alunos para ver se a gente consegue evitar que a medida seja aprovada”, fala uma das ocupantes. “Nós queremos a reforma no Ensino Médio, mas não assim. Precisam conversar com os professores e alunos. É como querer reformar a casa sem o dono dela saber da reforma”, disparou.

NRE

O chefe do Núcleo Regional de Educação (NRE) de União da Vitória acompanhou as reuniões com os ocupantes. Segundo Ricardo Brugnago o movimento ocorre simultaneamente a um amplo debate com a Secretaria de Educação do Estado e os 32 Núcleos de Educação. “Hoje e amanhã são reservados para que estudantes, pais e professores façam reflexões e possam analisar a medida provisória”, explicou. “Para que no dia 13 [quinta-feira] seja levada a síntese de reivindicações para o Governo. A ocupação não é a melhor alternativa no momento”, afirmou.

Ainda segundo Brugnago o Núcleo, assim como o Conselho Tutelar, a direção do Colégio e a Patrulha Escolar buscam “efetivar o retorno das aulas”.

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