Unespar de União da Vitória é ocupada

Alunos decidiram em assembleia pela movimentação e ocuparam espaço na noite de quinta-feira. Professores também entram em greve na próxima semana

·
Atualizado há 10 anos

IMG_1010
Ocupação é pacífica e por tempo indeterminado. Aulas no colégio estadual anexo ao prédio continuam normalmente. (Foto: Bruna Kobus).

Alunos da Universidade Estadual do Paraná (Unespar) de União da Vitória ocuparam o campus na noite de quinta-feira, 13. A decisão foi tomada após uma assembleia geral entre os alunos. O encontro contou com pouco mais de 130 alunos e teve aprovação unânime.

Na primeira noite os alunos que ficaram instalados no campus somavam cerca de 20. Contudo, hoje o movimento tomou ainda mais corpo. Os alunos são contra a Proposta de Emenda à Constituição 241, que prevê o congelamento de gastos públicos por 20 anos. Além da medida provisória que prevê mudanças no ensino médio. Isso porque o campus de União da Vitória forma docentes, e uma das propostas de mudança prevista pela medida é a contratação de profissionais com apenas conhecimento notório para lecionar em sala de aula. Ou seja, sem a necessidade de formação acadêmica específica para lecionar determinada disciplina. “Essa é a maior manifestação de desrespeito com a profissão de professor”, dispara Janaína Michels, acadêmica do curso de Letras e porta voz do movimento.

A direção da Unespar respeita a deliberação dos alunos. Ainda na noite de quinta-feira, logo depois da assembleia geral, o comando da greve realizou uma reunião com o diretor do campus, Valderlei Garcia Sanches, que orientou o grupo sobre os espaços que poderiam ser ocupados. “Houve um acordo entre a direção e os manifestantes. A direção respeita o ato, as decisões tomadas em assembleias, onde a maioria decide a direção atende e respeita essas decisões”, afirma. “É um movimento em que a gente concorda, por eles entenderem que seria esse o caminho”, reafirma.

Algumas atividades consideradas essenciais no campus não estão suspensas durante a ocupação. Já os serviços administrativos e acadêmicos estão suspensos até o final do movimento. Esses, no entanto, foram antecipados, já que docentes também deliberaram pela greve geral que tem início na próxima segunda-feira, 17. Os professores realizaram assembleia pouco antes da ocupação.

A categoria é contra a proposta do governo estadual do não pagamento da base-salarial. Na próxima quinta-feira, novas assembleias estão previstas.

No ano passado, o Governo do Estado negociou a reposição da inflação aos servidores para encerrar a greve de 2015, firmando o acordo em lei. Na ocasião, o reajuste do funcionalismo paranaense aconteceria em janeiro de 2017. No entanto, o Governo propõe emendas à lei firmada no passado que, na prática, suspendem o acordo. A greve segue até o dia 20.

José de Anchieta

Tapumes foram levantados para caracterizar a divisão entre o espaço da Unespar e do Colégio Estadual José de Anchieta, que fica no mesmo prédio. “Nossa intenção não é atrapalhar as aulas do Anchieta. A gente não vai interferir em nenhum momento nas aulas do Colégio. Só as aulas da Unespar que não vão acontecer”, reforça Janaína.

As aulas no Colégio Estadual continuam normalmente até a próxima semana, quando os professores da Rede Estadual de Ensino também entram em greve geral. Na pauta de reivindicações está a retirada das emendas à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e o pagamento das dívidas dos educadores. Além disso, também estão dispostas a implantação e pagamento dos atrasados das progressões e promoções; Equiparação do salário dos/as funcionários/as ao salário mínimo regional; Reajuste do auxílio transporte para funcionários/as PSS; Retirada da falta do dia 29 de abril; Pauta Nacional – Contra MP 746, PEC 241, PL 257 (PLS 54), Reforma da Previdência.

Também será feita a cobrança ao Governo, por parte dos educadores, sobre o que foi feito com os recursos da Educação (Operação Quadro Negro e Publicano) e levar este debate para comunidade escolar.

Organização

Os alunos estão divididos em setores de comunicação, alimentação, limpeza e segurança. Salas e algumas repartições administrativas do campus foram transformadas em dormitórios. A limpeza e preparo da alimentação é por conta dos ocupantes. O pedido é para que se a comunidade quiser ajudar pode levar comida. Um fogão foi emprestado para o movimento.

Visitas ao prédio também são permitidas. Conforme Janaína quem quiser conhecer a ocupação ou conversar com algum aluno que esteja participando pode ir até o campus. “A entrada não está proibida”, reforma a acadêmica.

Como as aulas estão suspensas, outras atividades estão sendo realizadas pela ocupação. Aulões, palestras, seminários e rodas de debate são algumas delas.

Doação de cartolina e canetões para a confecção de cartazes também é bem-vinda. Vale lembrar que a ocupação é pacífica.

Fique sempre atualizado

Entre no nosso grupo do WhatsApp e siga nosso perfil no Instagram para não perder nenhuma notícia!