Na noite de terça-feira, 18, pais contrários à ocupação do Colégio Estadual São Cristóvão (CESC) se reuniram em assembléia para debater a atual situação do Colégio, que está ocupado desde a semana passada por alunos contrários a reformulação do ensino médio e a PEC 241. Os pais da Escola Municipal José Moura, que funciona no prédio do São Cristóvão, também participaram e mostraram, novamente, preocupação com seus filhos. As aulas do José Moura estão suspensas desde a ocupação, mas estão programadas para retornarem nesta quinta-feira, 20.
Segundo Juliane Schroh, mãe de três alunos matriculados no estabelecimento, a principal meta é que os filhos voltem para a escola. “Não somos a favor nem contrários a PEC só queremos nossos filhos na escola”.
Juliane, também preocupada, fala sobre seus filhos, um matriculado no nono ano, outro no ensino técnico e uma concluindo o ensino médio. “O vestibular, como vai ficar?”, lembra a mãe.
O Colégio tem quase 1400 alunos e hoje, segundo a direção, os ocupantes não chegam a 30. E destes, 10 são alunos matriculados e os demais não estudam no local e são oriundos de outras escolas.
Segundo Ricardo Brugnago, chefe do Núcleo Regional de Educação, uma reunião com o Conselho Escolar já definiu a desocupação do Colégio. Entretanto, ela ainda não aconteceu. Se isso não acontecer até sexta-feira, 21, prazo final para o diálogo e para a negociação de maneira pacifica, o Governo Estadual deve entrar com um mandado de reintegração de posse.
Outra pergunta que fica no ar e que os pais querem saber é se realmente a maioria optou pela ocupação. Já que, segundo as informações, nenhuma assembléia e nem mesmo ata foi apresentada. “Dez alunos fecharam o Colégio e os demais, que passam de mil, querem voltar às aulas”, lembra uma das mães.
Segundo a diretora Sara Correia, uma assembléia deve ser agendada para os próximos dias e todos os pais serão convocados. “Precisamos que os pais e alunos contrários a ocupação compareceram e ajudem. Nosso lema é: juntos somos fortes. E precisamos disso agora”.
A data da nova assembléia ainda não foi marcada.
A diretora também mostra preocupação com o calendário escolar. Esta semana é de recesso e a tendência é de que as aulas se estendam até o final de dezembro. “Calendário atual segue até dia 21, mas agora, com o recesso, as aulas se estendem até dia 28 de dezembro”.
Os ocupantes destacam que durante a manifestação oficinas estão sendo realizadas. E para os pais, as oficinas, de capoeira, grafite entre outros, não oferece o conteúdo necessário para os alunos que precisam e vão prestar vestibular.
Segundo Paulo Cezar Pires do Prado, representante da União Secundarista de Estudantes, que participou da reunião, a principal pauta de reivindicações é sobre a PEC 241 e a reformulação do ensino médio.
Para ele o governo não está aberto ao diálogo. “O governo não se colocou a disposição para fazer um diálogo com o movimento. Então está claro que as manifestações de ruas não funcionam. A medida que se viu, foi ocupar as escolas, para incomodar o governo”, lembra Paulo.
Ele também lembra que nesta sexta-feira tem uma nova assembléia em Curitiba. “Não podemos sair de toda esta mobilização sem nenhum avanço”, lembra o ocupante.
Questionado sobre o número de ocupantes no estabelecimento, Paulo diz que a participação durante o dia é grande de estudantes. Segundo ele, o que acontece é que muitos estudantes não vão ao local porque os pais não deixam. “Não há mais participação porque eles são impedidos pelos responsáveis”, afirma Paulo.
Paulo também fala sobre a assembleia dos pais, que deve ser marcada para os próximos dias, e deve ser legítima. “Nós sabemos que quem decide nestas assembléias não são os pais, mais sim as crianças, que tem o direito de tomar a decisão. Se for feita só pelos pais não é legitimo. Quem decide é os estudantes”, finaliza.
Fotos: Lu Calistro



