
O clima esquentou entre pais, professores e alunos do Colégio Estadual São Cristóvão (Cesc), na noite de terça-feira, 18. Em assembleia organizada pela direção e por um grupo de pais, os responsáveis se disseram contra a ocupação de alguns alunos que ocorre desde a semana passada no Cesc.
A pergunta que fica, para eles, é com relação a maioria. Segundo os pais, uma escola com quase 1.400 alunos, em que pouco mais de 30 estão em ocupação, qual o motivo de a direção não os retirar do espaço? Esse e outros questionamentos foram feitos para a diretora do Cesc, Sara Corrêa, que esteve na assembleia.
Segundo a diretora uma nova assembleia deve ser agendada para os próximos dias e todos os pais serão convocados. “Precisamos que os pais e alunos contrários a ocupação compareceram e ajudem. Nosso lema é: juntos somos fortes. E precisamos disso agora.” Na reunião desta semana mais de cem pais participaram.
A data da nova assembleia ainda não foi marcada. Mas, o que ficou decidido na conversa desta semana é que um grupo de professores está se programando para voltar às salas de aula na próxima semana. Isso porque dos quase cem professores e funcionários, apenas cinco aderiram à greve da categoria, o que facilita o retorno às atividades. Os alunos que não estão na ocupação estão sendo comunicados sobre o retorno às aulas e devem voltar para o Colégio na próxima semana. Um pedido de reintegração de posse também foi feito e está para apreciação da Justiça. Um primeiro pedido já foi realizado, mas impugnado.
Já as aulas na Escola Municipal José Moura, que funciona no mesmo prédio do Colégio São Cristóvão, voltam ao normal hoje. Conforme a direção os pais irão acompanhar os filhos para manter a segurança. Eles também participaram da assembleia e mostraram, novamente, preocupação com os filhos e com o retorno às aulas.
Por outro lado, o Cesc continua em recesso escolar até amanhã, como definiu a Secretaria de Educação no final de semana. A diretora também mostra preocupação com o calendário escolar. Isso porque o calendário pode ser estendido até o final do ano. “Calendário atual segue até dia 21, mas agora, com o recesso, as aulas se estendem até dia 28 de dezembro”, fala.
Segundo Juliane Schroh, mãe de três alunos matriculados no Cesc, o objetivo é que os filhos voltem para a escola. “Não somos a favor nem contrários a PEC só queremos nossos filhos na escola.”
Juliane também fala dos filhos, um matriculado no nono ano, outro no ensino técnico e uma concluindo o ensino médio. “O vestibular, como vai ficar?”, questiona a mãe.
Segundo Ricardo Brugnago, chefe do Núcleo Regional de Educação, uma reunião com o Conselho Escolar já definiu a desocupação do Colégio ainda na primeira semana do movimento. Entretanto, ela ainda não aconteceu. Se isso não ocorrer até amanhã, segundo ele prazo final para o diálogo e para a negociação de maneira pacífica, o Governo Estadual deve entrar com um mandado de reintegração de posse dos colégios ocupados, inclusive os de União da Vitória.
Dúvidas
Ainda sobre a maioria, os pais questionaram a direção durante assembleia se realmente todos ou boa parte dos alunos do Colégio definiram pela ocupação. O Colégio tem cerca de 1.400 alunos e hoje, segundo a direção, os ocupantes não chegam a 30. Destes, apenas dez são alunos matriculados e os demais fazem parte de outras escolas ou compõem a União Municipal dos Estudantes Secundaristas (UMES), que está à frente das ocupações em União da Vitória.
Os pais pediram por uma ata, na qual mostrasse a maioria. Contudo, a direção informou que nenhum documento foi enviado com os resultados da assembleia de início da ocupação, nem ata nem abaixo assinado. “Dez alunos fecharam o Colégio e os demais, que passam de mil, querem voltar às aulas”, rebate uma das mães.
Os ocupantes afirmam que durante a manifestação oficinas estão sendo realizadas. E para os pais, as oficinas de capoeira, grafite ou os aulões de sociologia, não oferecem o conteúdo necessário para os alunos que precisam e vão prestar vestibular.
Segundo Paulo Cezar Pires do Prado, representante da UMES e que participou da reunião, a principal pauta de reivindicação é sobre a PEC 241 – que congela os gastos públicos para os próximos 20 anos – e a reformulação do ensino médio.
Para ele o Governo não está aberto ao diálogo. “O governo não se colocou à disposição para fazer um diálogo com o movimento. Então está claro que as manifestações de ruas não funcionam. A medida que se viu foi ocupar as escolas, para incomodar o Governo”, lembrou Prado. Ele também lembrou de uma nova assembleia em Curitiba, que está marcada para amanhã. “Não podemos sair de toda esta mobilização sem nenhum avanço”, argumenta.
Questionado sobre o número de ocupantes no estabelecimento, Prado diz que a participação durante o dia é grande. Mas, segundo ele, o que acontece é que muitos alunos não vão ao local porque os pais não permitem. “Não há mais participação porque eles são impedidos pelos responsáveis”, afirmou Prado.
Prado também falou sobre a assembleia dos pais, que deve ser marcada para os próximos dias, e afirmou que ela deve ser legítima e contar com a presença dos alunos. “Nós sabemos que quem decide nestas assembleias não são os pais, mas sim as crianças, que tem o direito de tomar a decisão. Se for feita só pelos pais não é legitimo. Quem decide são os estudantes.”
Outras ocupações
Outras duas escolas em União da Vitória estão ocupadas desde o início da semana. O Colégio Estadual Judith Simas Canellas e o Adiles Bordin. Na Regional de Educação outros quatro colégios estão ocupados. Um em Cruz Machado, dois em Bituruna e um em São Mateus do Sul.
Ainda em União da Vitória, o campus da Universidade Estadual do Paraná (Unespar) também está ocupado desde a semana passada.