O Brasil está entre os oito piores países no ranking do PISA de aprendizado de jovens na área de ciências, atrás de países como Trinidad e Tobago, Costa Rica, Qatar, Colômbia e Indonésia. O país ficou na 63ª posição entre as 70 nações avaliadas nessa disciplina em 2015.
A prova é feita em países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e nações convidadas, entre elas o Brasil. Neste ano ciências foi o enfoque, mas também foram avaliados os aprendizados em matemática e português. O país teve baixo desempenho em todas as disciplinas.
Fazem a avaliação estudantes entre 15 anos e 3 meses (completos) e 16 anos e 2 meses (completos) no início do período de aplicação, que estejam matriculados em instituições educacionais localizadas no país participante e que estejam cursando no mínimo a 7ª série/ano.
No Brasil, o PISA foi feito em 2015 com 23.141 estudantes, de 841 escolas das 27 unidades federativas do Brasil. Mais preocupante é o nível de aprendizado médio dos estudantes nessa disciplina. Entre os avaliados, 81,96% ficaram entre o nível mais baixo de conhecimento e o nível 2 – o nível básico. A média da OCDE para esses grupos é de 46,04% no total.
O nível 2 de aprendizagem em ciências é o mínimo necessário para se tornar um cidadão “crítico” e “informado”, segundo a OCDE. Nesse nível, os estudantes começam a demonstrar as competências que vão permitir que eles participem “efetivamente e produtivamente” nas situações cotidianas relacionadas a ciência e tecnologia.
Consequentemente, o Brasil teve poucos jovens nos níveis mais altos de aprendizado (do nível 3 ao 6), enquanto nos países da OCDE são esses grupos que concentram a maior parte dos alunos.
Uma das razões para esse baixo desempenho é a distorção aluno-série, ou seja, alunos que estão em séries inferiores às correspondentes para suas idades e que, portanto, aprenderam menos que os demais.
Para se ter uma ideia, em 2015, o Brasil foi o terceiro país com a maior taxa de alunos avaliados no PISA que afirmam ter repetido ao menos uma série no primário ou ensino fundamental (36,4%), atrás apenas da Argélia (68,5%) e Colômbia (42,6%). “O fato de nós termos 70% dos alunos abaixo do nível dois – considerado o nível mínimo – em matemática, 56% abaixo desse patamar em ciências e 51% abaixo em leitura é uma preocupação imensa porque significa que o Brasil não melhorou a qualidade e a equidade do sistema nos últimos 13 anos”, diz Maria Helena Guimarães de Castro, secretária executiva do Ministério da Educação.
Desigualdade de resultados
Para a secretaria executiva do MEC, o resultado geral do Brasil é alarmante, já que é inferior ao registro de nações que investem menos que o país em educação. “Países como a Colômbia e o México, que tinham resultados similares aos nossos, nos deixaram para trás. Portugal e Polônia, que também estavam próximos, deram um salto de qualidade e superaram a média da OCDE”, diz Maria Helena.
De acordo com o ministério, é possível melhorar os números “se as políticas públicas funcionarem”. Sobre a desigualdade interna, o estudo destaca que os números refletem as diferenças sociais e econômicas nas regiões do país. Enquanto o Espírito Santo foi o destaque positivo de 2015, Alagoas amargou a “lanterna” do ranking. “Alagoas, Bahia e Maranhão são os estados que apresentam o resultado mais decepcionante. Não podemos continuar reproduzindo essa desigualdade”, afirma a secretaria executiva da pasta.
Soluções
Como possível solução, Maria Helena acredita que é preciso atualizar a base curricular comum por ser essencial à qualidade e à equidade do sistema. “É preciso investir na formação dos professores, nos materiais de apoio, nos materiais didáticos e nas plataformas digitais”, afirma. Além disso, a secretaria executiva do MEC destacou que os números do estudo da OCDE reforçam a necessidade do estabelecimento da reforma do ensino médio. “O que esses materiais indicam é que os alunos não têm aprofundamento em nenhuma área. O que estamos propondo com a reforma do ensino médio é garantir uma base curricular nacional comum, que vai melhorar a qualidade do conjunto do sistema de ensino fundamental e médio, além do aprofundamento nas áreas e estudo para que o aluno possa continuar sua formação geral e aprender mais”, diz Maria Helena.