FEBRE AMARELA: Procura por vacina no Vale do Iguaçu

Epidemiologias percebem a preocupação da comunidade

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Atualizado há 10 anos

FebreXAmarelaX2Desde que os casos de Febre Amarela, inclusive com mortes, foram registados em alguns estados brasileiros, a preocupação em ter ou prevenir a doença, alertaram as equipes de Epidemiologia do Vale do Iguaçu. Em União da Vitória e em Porto União, a corrida por informações e vacinas aumentou. Desde 1942, o Brasil não registra casos da doença na área urbana.

A vacina está disponível em todas as unidades de saúde. Para ter acesso à ele, basta procurar as salas de vacinas, desde que se esteja dentro da “necessidade”, ou seja, com viagem marcada para as áreas de risco ou com o vencimento do medicamento – a imunização dura dez anos – bem próximo.

Sobre este assunto, no dia 19, a coordenadora do Programa Nacional de Imunizações, do Ministério da Saúde, explicou sobre o número de doses necessário, como a vacina deve ser administrada, além da recomendação para viajantes e população em áreas de risco. Conforme Carla Domingues, que falou ao Blog da Saúde, do Ministério da Saude, mesmo com essa onda de casos, não há mudança no esquema vacinal: a estratégia de duas doses, adotada no Brasil, é segura e garante proteção durante toda a vida.

Macacos

A Febre Amarela é bem mais comum em áreas de mata. Nesses lugares, quem transmite a doença, tanto para humanos quanto para macacos, é o mosquito hemagogus. O grande risco é que nas cidades, o mosquito Aedes aegypti pode ser o transmissor. Um único macaco ou uma pessoa contaminada na área urbana já é o suficiente para que a transmissão aconteça.

Sobre isso, o chefe da 6ª Regional da Saúde de União da Vitória, Henrique César Guzzoni, recomenda a notificação da Vigilância Sanitária. Isso vale para União, mas para cada órgão de cada cidade na região. “Se houver um macaco morto ou doente e a população o encontre, deve informar a Vigilância Sanitária para tomarmos as medidas cabíveis”, lembra.

Sintomas

A doença possui sintomas repentinos como febre alta, calafrios, cansaço, dor de cabeça, dor muscular, náuseas e vômitos. Essas primeiras manifestações podem durar até três dias. As formas mais graves têm como sintomas insuficiência hepática e renal, icterícia (olhos e pele ficam amarelados, daí o nome “febre amarela”), hemorragias (com sangue na urina, fezes e vômito). Vale esclarecer que os sintomas, em casos moderados, se assemelham a outras enfermidades tropicais como dengue e leptospirose.

Papel de vilão não é aceito por todos

A bióloga da área de conservação da biodiversidade do Instituto Nacional da Mata Atlântica, Cintia Corsini Fernandes, não vê o macaco como ameaça, mas sim como vítima. Para uma publicação especializada, ela falou mais sobre isso. “O macaco tem o mesmo papel do homem no ciclo. É uma vítima, uma vez que contrai e manifesta a doença. Assim, outros mosquitos podem picar um macaco contaminado e adquirir o vírus. No entanto, vale ressaltar que o macaco não é um transmissor da Febre Amarela. Mais uma vez, assim como o homem, o macaco é uma vítima. O que diferencia o macaco do homem é que ele é muito mais sensível à doença, apresentado os sintomas primeiro”, defende. Ainda conforme a bióloga, o macaco tem uma função imprescindível nesse processo: ele age como um vigilante. “A partir da manifestação da Febre Amarela nos macacos podemos antecipar o risco nos humanos. Os macacos estão nos prestando um verdadeiro serviço social. Em 2009, houve um surto no Rio Grande do Sul e as pessoas chegaram a matar os macacos achando que eles transmitiam a doença”, conclui a bióloga.

O esquema da vacina

As crianças devem receber as vacinas aos nove meses e aos quatro anos de idade. Assim, a proteção está garantida para o resto da vida. Para quem não tomou as doses na infância, a orientação é de uma dose da vacina e outra de reforço, dez anos depois da primeira. As recomendações são apenas para as pessoas que vivem ou viajam para as áreas de recomendação da vacina. Quem não vai viajar para as áreas de risco, não precisam entrar em desespero, tampouco, se vacinar novamente.

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