
A bandeira que quer transformar a região Sul em um País, separado das demais regiões do Brasil, é bastante polêmica. Nem os sulistas concordam quando pesquisas e plebiscitos informais sondam a opinião. Há quem aprove a possibilidade. Há quem é radicalmente contra. Para ambos, sobram argumentos para justificar a posição.
Oficialmente, o mais recente dado dessa consulta popular teve seu resultado divulgado no final de 2016. Como mostrou o Estadão, 95,74% dos 616.917 votantes disseram “sim” para a ideia de criar um novo País no Plebisul. A consulta foi organizada pelo movimento “O Sul é o meu País”, criado em 1992 e que tem 25 mil pessoas filiadas.
Apesar do resultado, o movimento não atingiu sua meta. O número de participantes foi inferior à projeção inicial, de um milhão de pessoas, que correspondem a 5% dos eleitores da região Sul. Originalmente, a ideia era disponibilizar quatro mil urnas em todos os 1.191 municípios dos três Estados. Mas não houve voluntários suficientes. Os organizadores acabaram espalhando 1.700 urnas por cerca de 500 cidades – todas as localidades com mais de 30 mil habitantes foram contempladas. O movimento, no entanto, não se deu por vencido. Ainda em outubro, o grupo fará uma assembleia geral na cidade de Lajes (SC) para definir seus próximos passos.
Um dos principais motivos para a proposta de separação do Sul envolve o pacto federativo. O movimento – e todos os simpatizantes da causa – não concordam com a proporção de impostos arrecadada pela União nem com o retorno recebido pelos Estados e municípios na forma de investimento direto. Uma sondagem feita pela reportagem de O Comércio mostra que a maioria dos favoráveis à separação reclama justamente dessa falta de compensação. Dizem que o Sul sustenta outras regiões, especialmente o Nordeste.
“Não encontro nenhuma identidade com o restante do país que não seja a Língua Portuguesa. Somos outro povo, não pensamos e não nos comportamos como eles, mas pagamos a conta”, se expressou, Joaquim Inácio Ribas. “A Guerra do Contestado, a Revolução Federalista de 1893, a Revolução de 1930, a República de Lorena e a eclosão de outros movimentos políticos ocorridos nas diversas regiões que compõem os três Estados sulistas, nos legam a consciência de que a falta de Autonomia, sempre foi objeto de insatisfação sulina, seja plena ou parcial, motivo pelo qual entendemos que somos a continuação de história inacabada, que nos outorgou fortes exemplos de que somos herdeiros de uma personalidade aguerrida e que sabemos lutar para defender nossos ideais”, defende, Wilson Hubner.

Na contração das notícias de crise e endividamento vividas especialmente pelo Rio Grande do Sul, os favoráveis à separação argumentam mais e tem ao seu favor, ainda, posições interessantes. São elas: a Região Sul confina com três países do Cone Sul: Paraguai, Uruguai e Argentina, com quem partilhamos um intercâmbio comercial através do Mercosul e em extensão geográfica, é maior do que os 116 dos atuais 193 países espalhados pelo mundo.
União
Ocorre que, o projeto de separar Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná não é permitido pela Constituição Federal. O primeiro artigo do documento mostra que a República Federativa do Brasil é formada pela “união indissolúvel” dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal.
E isso é histórico. No descobrimento do Brasil, a integridade das regiões conhecidas por Cabral e companhia, era uma das metas. “Se olharmos o Tratado de Tordesilhas, o Rio Grande do Sul pertencia à Espanha entre 1580 e 1640. O Brasil estava submisso ao rei da Espanha, que era rei de Portugal também”, conta o historiador, Aluísio Witiuk. Ou seja, o Rio Grande, como Estado, nem existia neste período. “Quando Portugal retoma o trono em 1640, retoma o que é o território que a gente conhece hoje”, completa.
O Brasil foi sendo descoberto aos poucos, a partir de expedições feitas pelo litoral. O Sul, por estar mais na parte inferior do mapa, é um pouco mais jovem que o Nordeste, por exemplo. Mas não muito. Estima-se que a maior parte do território do País já era conhecido apenas após 30 anos desde 1500.
Comportamento
Vale lembrar que os moradores naturais da região Nordeste herdaram de seus antepassados o estilo de vida e o jeito de encarar o trabalho. Povoada especialmente por índios, na época do descobrimento, que tinham o contato com a natureza e o “viver o hoje” como padrão, os habitantes de agora também acabaram adotando esta versão. De certa forma, os governos acabam até dando uma forcinha para que isto se perpetue, aproveitando o perfil e a condição geográfica da região, árida em vários aspectos. Acabam colhendo votos e alimentando quem só aprendeu a pescar um peixe. Um por dia.
FAVORÁVEIS*
“Eu ia adorar dizer que moro em outro País porque com toda essa ladroagem que está solta no governo, o melhor é sair do País”, Gevanice Aparecida da Silva
“Sou a favor, em primeiro lugar, pelo retorno tributário. Contribuímos gerando enorme receita para a União e não temos retorno na mesma medida. Outro fator é cultural. Já morei em São Paulo e no Rio de Janeiro e não acho que sejamos melhores ou piores, apenas muito diferentes. Acredito que com nossa cultura, nosso clima e nossa disposição para o trabalho, seríamos um País com uma economia e qualidade de vida insuperáveis. Outro fator é que, sendo o Brasil de dimensões continentais, me parece ser mais difícil de administrar do que um país menor”, Leia Alberti
“No que me diz respeito, não desprezo a ideia de um País com autonomias regionais, mais ou menos como a Grã-Bretanha. O Brasil me parece muitas vezes com um monstro de Fransktein em estado terminal”, Ruy Jakubiw
CONTRÁRIOS
“Eu não concordo. Sou paranaense e brasileira e não abro mão disso nunca”, Alice Gonçalves de Jesus
“Totalmente contra. Temos tantos problemas quanto os outros estados. Só não vê quem não quer”, Paulo Henrique Souza
“O Brasil é muito grande e muito digno de todo seu território. O que causa este pensamento separatista na verdade é o desânimo que nossos dirigentes políticos causam na população. Quando criarmos vergonha na cara e não elegermos estes crápulas que só pensam em benefício próprio, e na Nação brasileira como um todo, aí sim os pensamentos serão de união entre o todo o povo brasileiro e não sua separação. Juntos somos fortes, basta expurgar dos meios políticos as maças podres”, Roberto Eugenio Trentin
Leia as opiniões completas no Portal VVale”
Marcos Tadeu Grzelczak
“Inconstitucional e não gostaria de deixar de ser e viver no brasil”
Marcos Leão
“Nossa Carta Magna conceitua que o Brasil é INDIVISÍVEL. Para alterar seria necessária uma nova Constituição. Outra opção seria a luta armada. Quem se habilita? A Guerra dos Farrapos, que durou dez anos, conclui-se que muitas mortes de ambos os lados!”
Jair Nunes
“Eu não concordo. Nasci no Paraná e tenho orgulho de ser brasileiro”
João Angelo Masnik
“Não concordo. Somos grande por natureza e unidos pelo amor a este País com sua diversidade de origens, cores, religiões e credos”
Izabel E Gerson Calliari
“Sou brasileira, paranaense e me orgulho da nossa cultura nortista e nordestina. Nosso povo, nossa gente, tudo o que nos faz misturados. Não teria como ser coerente aceitando essa divisão. Estaríamos concordando com o duelo entre brancos e negros, ricos e pobres”
Israel Checozzi
“Não concordo com a divisão, mas sou a favor de uma melhor distribuição de arrecadação. Defendo que cada região deveria receber proporcionalmente ao que contribui. É injusto o Sul e o Sudeste sustentar o resto do pais”
Suzete Garmendio
“Não concordo, porque sou catarinense e tenho orgulho de ser brasileira, e quero continuar assim”
Fabricio Schewinski
“O povo brasileiro (alguns) continuam procurando um milagre, um salvador, algo que resolva os problemas num toque de mágica! Hipocrisia pura”
Everson Carlim
“Não concordo. Pensamento de pessoas mesquinhas e egoístas”
Célio Reginaldo Calikoski
“Não concordo. Nós temos um país rico em sua cultura. Separar o Sul do Brasil é jogar fora uma cultura riquíssima que já está impregnada em todas as regiões brasileiras. Também acho que a ideia separatista é mais preconceituosa do que distribuição de renda. Nós temos aqui no Sul uma ideia de que no Norte e Nordeste só tem vagabundos e essa ideia é de quem não conhece a geografia brasileira e a riqueza de cada região que contribui para o crescimento do nosso querido e amado Brasil”
Eraldo Antonio Castro
“Absurdo, coisa de gente estupida e extremamente ignorante. Ja tivemos uma guerra civil sangrenta por causa disso, a Revolução Farroupilha. Não vamos cair no mesmo erro de novo. Além do que essa proposta tem um nítido viés nazi-fascista de discriminação racial contra os demais brasileiros principalmente nossos irmãos nordestinos. Separação não! Brasil Ame ele do Oiapoque ao Chuí”
Vandy Kosloski
“Acho impossível alguém que conheça as diretrizes do movimento ser contra. Não se trata de preconceito e sim de senso de justiça, distribuição de arrecadação de acordo com produção. Sermos diferentes culturalmente não significa ser melhor”
Reni Terezinha Wolf
“Não vejo necessidade de separar. Ele já faz parte de nossa cultura, do Oiapoque ao Chuiu. Já houve a Revolução Farropilha. Para que começar tudo de novo? Temos outras coisas prioritárias para resolver. Devemos amar nosso território que custou tantas vidas. Se for apenas distribuição de verbas isto se resolve conversando”
Jorges Borges de Lima
“Posso estar errado, mais bastaria mudar a politica. Vamos pensar dessa maneira: todo faturamento de uma cidade ficaria 80% e mandaria 20% para o estado. De todo valor arrecadado pelo estado, mandaria 20 para União, ficaria com 80% ficaríamos com as cidades e estados independentes, a União ficaria responsável pelas forças armadas e divisas, deixaria saúde, segurança, educação por conta das cidades e estado. Seria uma maneira de desmontar Brasilia. Outra coisa, cidades com até 50 mil habitantes não teria necessidade de câmara municipal, seria representante de bairros, sem remuneração, e por aí vai”.
Wilson Hubner* (editado, por conta da extensão do comentário)
“Com certeza eu quero separar este País”
Suely Martini
“Eu me posiciono contrária a essa proposta, pois, o Brasil que amamos é o formado por toda a extensão territorial e por toda a diversidade cultural do povo brasileiro. Creio que ficaria sempre um sentimento de perda em nosso coração. Na minha opinião basta que se respeite as desigualdades e que haja mais responsabilidade no trato daquilo que é do povo brasileiro do Iapoque ao Chuí. Que aqueles que conduzem o país passem a respeitar o povo brasileiro. Não precisa separar nada!”