
O ano de 2016 foi marcado pelo agravamento das crises política e econômica. Mas parece que a crise não afetou o velho hábito de “gazear” as sessões em plenário. Os dados são de levantamento do Congresso em Foco com base em dados oficiais da Câmara. Os deputados acumularam 5.883 faltas nos 94 dias em que as presenças foram exigidas. Dessas, 68% foram abonadas pela Câmara devido à apresentação de atestados médicos, ao cumprimento de missões oficiais ou de compromissos políticos em seus estados. Os números indicam que aumentou a média de falta por sessão em comparação com 2015, ou seja saltou de 49 para 62 parlamentares.
Em 2015, os deputados somaram 6.113 ausências em 125 dias de sessão deliberativa. O total de ausências perdoadas tende a crescer: os congressistas têm até 30 dias para justificar suas faltas, exceto no caso de problemas de saúde. Nesse caso, podem apresentar o documento quando bem entenderem.
Apenas 23 deputados marcaram presença nos 94 dias em que houve sessão deliberativa. Alguns parlamentares se destacaram pelo excesso de faltas, como Aníbal Gomes (PMDB-CE), Elcione Barbalho (PMDB-PA), Paulo Maluf (PP-SP) e Wladimir Costa (SD-PA), e atribuíram a maior parte de suas ausências a problemas de saúde. Já o deputado Guilherme Mussi (PP-SP) deixou 38% de suas faltas sem justificativa até o início deste ano. Pela Constituição, o parlamentar que faltar a 33% das sessões está sujeito à perda do mandato.
Os gazeteiros por região
Com fama de “Caxias”, os sulistas são os que menos se ausentam do plenário. Já os do norte e do centro oeste, são os campeões de ausência ao longo do ano.:
Região Ausência
Centro-oeste 14.4 %
Norte 11%
Nordeste 10%
Sudeste 9,6%
Sul 9,2%
Desculpas na ponta da lingua
Como ocorre em todo ano eleitoral, a Câmara suspendeu votações em várias semanas entre agosto e outubro, para que os parlamentares pudessem participar da campanha eleitoral. Ou seja, em tese, as faltas não poderiam ser atribuídas ao calendário eleitoral. Os cinco deputados federais mais faltosos do Paraná são:
– Takayama (PSC) – 30 faltas das 94 realizadas;
– Giacobo (PR) – 20 faltas de 94 sessões;
– Fernando Francischini (SD) – 19 faltas em 94 sessões;
– Luiz Nishimori (PR) – 19 faltas em 94 sessões;
– Edmar Arruda (PSD) – 17 faltas em 94 sessões;
Por outro lado três deputados do Paraná não tiveram nenhuma falta: Enio Verri (PT), Leopoldo Meyer (PSB) e Professor Sérgio de Oliveira (PSC).
Em Santa Catarina os cinco maiores faltosos foram:
João Rodrigues (PSD) – 20 faltas em 94 sessões
Jorginho Mello (PR) – 20 faltas em 94 sessões
Jorge Boeira (PP) – 18 faltas em 94 sessões
Pedro Uczai (PT) -17 faltas em 94 sessões
Rogério Peninha Mendonça (PMDB) – 17 faltas em 94 sessões
Na outra ponta da lista figuram dois deputados que não faltaram em nenhuma sessão deliberativa: Carmen Zanotto (PPS) e João Paulo Kleinübing (PSD).
Senadores são mais assíduos
Apesar de considerados mais presentes em plenário, só um senador foi a todas as sessões de 2016 . Em seu primeiro mandato, José Antonio Machado Reguffe, foi o único a ter 100% de presença. Além dele, outros quatro senadores tiveram apenas uma ausência ao longo do ano: o presidência do Senado e líder do PMDB, Eunício Oliveira (PMDB-CE), José Pimentel (PT-CE), Pedro Chaves (PSC-MS) e Waldemir Moka (PMDB-MS). Já o senador Jader Barbalho foi o campeão em faltas não justificadas que somou 62 faltas. A senadora Rose de Freitas (PMDB-ES), faltou 30 vezes. Segundo suas assessorias, ambos enfrentaram problemas de saúde ao longo do ano. Ainda assim, Jader foi o campeão em ausências não justificadas. O senador deixou 18 faltas acumuladas sem justificativa.
Confira o desempenho dos senadores do PR e SC
No Paraná, Roberto Requião, do PMDB faltou a 14 das 91 sessões deliberativas. Gleisi Hoffmann (PT) faltou a 11 sessões e Álvaro Dias faltou somente a três sessões. Já em Santa Catarina, Paulo Bauer, do PSDB faltou 13 vezes e o senador Dalirio Beber (PSDB) teve três ausências anotadas.