
De acordo com ele, o suicídio é um assunto complexo, pois não existe uma razão única que faz alguém decidir se matar. “Porém, o que eu quero deixar claro é que o suicídio não pode estar relacionado a impregnada de religiosidade fanática. O que significa que primeiro temos que mostrar qual a ligação entre o suicídio e a ausência de fé em Deus e não apontar que foi a descrença que causou o suicídio, ou que a pessoa não tem forças para encarar dificuldades na vida. Isso tudo é simplista demais, cada caso é um caso e apresenta situações diferentes”, confirma.
Padre Aquiles complementa que tem notado que as mortes em nossa região parecem estar relacionadas a um desespero exacerbado e a falta de confiança, não apenas em Deus, mas com amigos, familiares e em si próprio. “A pessoa parece perder a esperança em tudo. Não é apenas a falta de Deus, é falta de acreditar que algo vai melhor”, conta.
Suicidas vão para o inferno?
De acordo com o Padre Aquiles não. Hoje a Igreja apresenta outra visão sobre o assunto, que não a de um suicida condenado. “O fato lastimável da pessoa ter tirado a sua própria vida não pode ser julgado, pois Jesus quer salvar a todos, mesmo diante de uma situação como esta. Pois cada espírito tem a sua história”.
O livro Sagrado, por exemplo, menciona seis pessoas específicas que cometeram suicídio: Abimeleque (Juízes 9:54), Saul (1 Samuel 31:4), o escudeiro de Saul (1 Samuel 31:4-6), Aitofel (2 Samuel 17:23), Zinri (1 Reis 16:18) e Judas (Mateus 27:5). Cinco deles eram homens pecadores e perversos. Alguns consideram Sansão um exemplo de suicídio (Juízes 16:26-31), mas o seu objetivo era matar os filisteus e não a si mesmo.
A Bíblia enxerga o suicídio da mesma forma que assassinato, pois isso é exatamente o que é – auto-assassinato. O livro Sagrado deixa claro que cabe a Deus decidir quando e como uma pessoa deva morrer.
Dados
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), após estudo publicado em 2015, no Brasil, o índice de suicídios na faixa dos 15 a 29 anos foi de 6,9 casos para cada 100 mil habitantes, uma taxa relativamente baixa se comparada aos países que lideram o ranking – Índia, Zimbábue e Cazaquistão, por exemplo, que têm mais de 30 casos. O país é o 12º na lista de países latino-americanos com mais mortes neste segmento.