O pátio da Estação União, onde está guardada a Locomotiva 310 está sendo usado como estacionamento privativo de vereadores e funcionários do Poder Legislativo de Porto União, há pelo menos um ano. Um portão eletrônico com acesso remoto foi colocado no local e limita o acesso de veículos. A decisão é controversa, porém defendida por agentes políticos com mandato eletivo, no caso os vereadores. O portão eletrônico é administrado pela Câmara de Vereadores de Porto União, que também paga pela manutenção, e gerencia a compra e distribuição dos controles.
O obstáculo foi instalado depois de uma licitação do Poder Executivo de Porto União em 2016, tudo dentro da legalidade. No entanto, o ato de restringir o acesso ao pátio da Estação é corporativista, uma vez que o intuito, como disseram vereadores e ex vereadores, é proporcionar o conforto dos parlamentares e funcionários para que não precisem pagar o estacionamento regulamentado.
Consultado pela reportagem de O Comércio, o arquiteto Murilo Passos afirma que a Estação União, tombada pelo patrimônio histórico, é pública. Usar o espaço como estacionamento particular é uma agressão dupla. “A partir do momento que ele [o patrimônio] se tornou público, todo mundo se torna acionista. Então, todos têm direito de usar”, defende. Passos lembra que “quando foi feita a reforma do lado de União, a equipe recordou que era preciso evitar o trânsito ali para não abalar a estrutura do túnel, que é muito antiga”.
O que dizem os envolvidos
O ex-vereador, Alceu Jung (Brasa), disse que a decisão que tomou ao privatizar o patrimônio durante sua gestão – em 2016 – e torná-lo de uso exclusivo dos colegas legisladores e dos funcionários da Câmara, é o fato de não precisar pagar o estacionamento rotativo. “A gente conversou com o vice-prefeito da época (Aloísio Salvatti), porque os funcionários estavam sofrendo na rua, pagando o Estar. O portão é para os funcionários e o pessoal da rede. A gente procurou atender os funcionários da Câmara porque toda hora era multa, multa”, conta. Brasa afirma que o pagamento da instalação foi feita pela prefeitura, dentro do processo de licitação. Segundo ele, os ferroviários que usam o espaço e alguns feirantes dos sábados, também tem controle.
O delegado sindical do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias nos Estados do Paraná e Santa Catarina (Sindifer), Antônio Xavier Paes, confirma que a iniciativa para fechar os portões veio dessa conversa com o vice-prefeito da gestão passada. Mas, para Paes, o motivo para a privatização é outro: o grande fluxo de veículos que passaram a estacionar próximos da Maria Fumaça 310. “Eu disse para o vice-prefeito (Salvatti) que aqui não é lugar de estacionamento. Eu zelo por este espaço. mais tarde o vereador Brasa pediu também para que fosse liberado o estacionamento para a Câmara de Vereadores. Ele sugeriu um portão eletrônico com disponibilização de controles para funcionários da Câmara e do Sindifer.
Em União da vitória
Em União da Vitória, também há um portão que limita o acesso de veículos. Ele é manual e conforme o chefe de gabinete da prefeitura, Antônio Oscar Nhoatto, foi colocado na entrada da Estação como forma de preservação, já que fica fechado apenas à noite. Do lado de União, é diferente: é que mesmo que fique aberto, o portão não permite a entrada de carros, já que canteiro de flores, fruto da restauração que o lado paranaense sofreu, limitam o espaço.
Acesso limitado
De acordo com Paes, dois vigias se revezam para cuidar da segurança da Estação União no período da noite. Os portões das laterais também são fechados às 19h e reabertos pela manhã do dia seguinte. Um dos portões de acesso, do lado mais próximo do Shopping Vale das Cachoeiras, fica fechado com controle remoto e outro, próximo da rua Sete de Setembro, com cadeado. Quem dispõem da chave são os funcionários do Sindifer. Já os portões das laterais ficam abertos durante o dia, sendo fechados às 19 horas.
Confira matéria do Portal Vvale